Milei aumenta salários de militares; contrabando cresce
O governo de Javier Milei anunciou um aumento de 12,22% nos salários de militares e forças de segurança, destinando US$ 33 milhões, enquanto o contrabando de bens cresce no país.
O governo de Javier Milei destinará o equivalente a US$ 33 milhões para aumentar os salários das Forças Armadas e de Segurança, em resposta à reivindicação de rendimentos abaixo da inflação que levou o pessoal a se endividar e a ter múltiplos empregos. Enquanto isso, dados mostram aumento no contrabando de itens importados, enquanto o presidente tenta reabrir a economia ao mercado internacional.
Todo o pessoal das Forças Armadas e os militares aposentados receberão um aumento de 12,22% sobre seus vencimentos entre setembro e dezembro de 2026. O Poder Executivo também determinou melhoria no salário básico dos agentes da Gendarmaria Nacional, Prefectura Naval, Polícia Federal, Serviço Penitenciário Federal e Polícia de Segurança Aeroportuária, entre 10% e 30%.
"As medidas fazem parte do objetivo do Governo Nacional de fortalecer e recuperar as Forças Federais de Segurança e as Forças Armadas", disse o gabinete de imprensa da presidência. Ao chegar ao poder em 2023, Milei prometeu reestruturar as Forças Armadas após o que chamou de desfinanciamento por governos anteriores. Apesar do plano de equipamento, os salários acumularam perda média de 28% em relação à inflação entre o fim de 2023 e os primeiros meses deste ano.
Até o anúncio, um cabo do Exército recebia o equivalente a US$ 566, enquanto uma família típica precisava do dobro para não cair na pobreza, segundo o INDEC. Em junho, o Ministério da Defesa flexibilizou a dedicação exclusiva para permitir atividades no setor privado. Com a queda de rendimentos, 25% dos militares e agentes federais não conseguem arcar com suas dívidas, segundo consultorias que analisam dados do Banco Central.
Paralelamente, o Financial Times reporta crescimento no contrabando de bens, principalmente bebidas, cigarros, roupas e celulares. Câmaras de comércio estimam que até 40% das cervejas e 30% dos pneus são contrabandeados. Para analistas, o fluxo resulta das políticas de redução de burocracia e da equiparação do câmbio oficial com o "dólar blue".
Um diretor de importador de calçados, sob anonimato, afirmou: "Nunca na minha vida vi tanto desse material. Aqueles que pagam impostos estão sendo prejudicados porque não podemos competir."