# Inflação em 5%: mercado reduz previsão para 2026

> O Relatório Focus do Banco Central registrou redução da previsão de inflação para 2026, de 5,01% para 5%. O IPCA projetado permanece acima do teto da meta de 4,5%, com meta central de 3%. A revisão indica leve ajuste nas expectativas do mercado financeiro para o próximo ano.

*Global Forum · Economia · 08 de setembro de 2026 · Eduardo Tannous*

A previsão do mercado financeiro para a inflação caiu de 5,01% para 5% em 2026, segundo o Focus. O IPCA segue acima da meta de 3%, com intervalo até 4,5%.

O mercado financeiro reduziu a previsão da inflação para 5% este ano, segundo o Boletim Focus desta terça-feira (8). A estimativa para o IPCA, que era de 5,01% na edição anterior, foi ajustada para baixo. A pesquisa é divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

A projeção segue acima do intervalo da meta perseguida pelo BC. O Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu a meta de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%. A leitura fria do dado mostra que, apesar do alívio recente, a inflação ainda não convergiu para o centro da meta.

Em julho, os alimentos ficaram mais baratos e contribuíram para a inflação oficial perder força pelo quarto mês seguido, fechando em 0,07%, de acordo com o IBGE. O resultado fez o IPCA acumular 4,44% em 12 meses, trazendo o indicador de volta para o intervalo da meta. A inflação de agosto será divulgada na próxima sexta-feira (11) pelo IBGE.

Para 2027, a projeção variou de 4,28% para 4,29%. Para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,8% e 3,5%, respectivamente.

## O que o Focus diz sobre a Selic e o câmbio

Para alcançar a meta, o BC usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14% ao ano, definida pelo Copom. Na última reunião, em agosto, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, pela quarta vez seguida.

De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom voltou a cortar os juros na reunião de março, num cenário de queda da inflação. No entanto, a guerra no Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e de alimentos, dificulta a queda da taxa. O próximo encontro do Copom será nos dias 15 e 16 de setembro.

Nesta edição do Focus, a estimativa é que a Selic chegue a 13,75% ao ano até o fim de 2026. Para 2027 e 2028, a previsão é de 12% e 10,5% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve ficar em 10% ao ano. A cotação do dólar está prevista em R$ 5,20 para o fim deste ano e em R$ 5,30 para 2027.

## O mecanismo por trás dos juros

Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida, o que causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Quando a Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, diminuindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

## PIB e crescimento

A estimativa para o crescimento da economia brasileira este ano saiu de 1,92% para 1,93%, segundo o Focus. Para 2027, a projeção para o PIB permanece em 1,5%. Para 2028 e 2029, o mercado estima expansão de 1,96% e 2%, respectivamente.

No segundo trimestre de 2026, a economia cresceu 0,5% na comparação com o primeiro trimestre. No acumulado de 12 meses, houve expansão de 1,9%, de acordo com o IBGE. Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, com expansão em todos os setores e destaque para a agropecuária, o quinto ano seguido de crescimento.

A leitura do Focus reforça um cenário de desaceleração gradual da inflação, mas com juros ainda altos para garantir a convergência à meta. o que é o Boletim Focus

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/mercado-financeiro-reduz-previsao-inflacao-5-este-ano/
