Fila do INSS: Lula diz zerar, mas conta exclui 45 dias
Lula anuncia zeramento da fila do INSS, mas conta exclui espera de até 45 dias. Entenda os números, o aumento de indeferimentos e o alerta do TCU.
O governo Luiz Inácio Lula da Silva realiza um evento nesta quinta-feira no Palácio do Planalto para anunciar que zerou a fila do INSS. A declaração, porém, usa um critério que deixa de fora parte dos segurados: o Executivo considera que quem espera há menos de 45 dias ainda está dentro do prazo legal e não entra na conta da fila. Ainda assim, há milhares de pessoas aguardando análise de seus requerimentos, e o Tribunal de Contas da União (TCU) mantém o tema na Lista de Alto Risco da administração federal.
O anúncio ocorre em meio ao crescimento de Augusto Cury (Avante) nas pesquisas de intenção de voto, e a InfoMoney reúne as principais informações que devem movimentar os mercados nesta quinta-feira (3).
O que o governo chama de fila zerada
Na semana passada, o INSS informou que a fila de requerimentos para obtenção de benefícios caiu para 1,282 milhão em agosto, em dado parcial até o dia 24. Em janeiro, eram 3,073 milhões de pedidos aguardando, o que representa uma queda de 59%. Segundo nota do Ministério da Previdência, esse é o menor patamar desde 2023.
O número, porém, inclui quem está dentro do prazo legal de 45 dias. O diretor de Benefícios do INSS, Leonardo Bittencourt, informou durante reunião do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) que os processos com mais de 45 dias de espera somaram 261 mil em agosto. O volume representa redução de 86% em relação a janeiro, quando havia 1,882 milhão de pessoas nessa situação.
O governo entende que zerar a fila significa acabar com o estoque de requerimentos acima de 45 dias, não com toda a espera. Na prática, quem protocolou um pedido recentemente continua aguardando, mas deixa de ser contabilizado como fila.
O que Lula disse sobre a espera
Na semana passada, em entrevista à TV Globo, Lula adiantou o discurso do evento e classificou a espera de 45 dias como normal.
"A espera de 45 dias vai estar apenas em 251 mil pessoas, que é o normal", disse o presidente.
A declaração usa um número ligeiramente diferente do divulgado pelo INSS na semana passada: 261 mil processos acima de 45 dias em agosto, ante os 251 mil citados por Lula. A diferença não foi explicada oficialmente até o fechamento desta matéria.
Indeferimentos crescem 70% e ajudam a reduzir fila
Reportagem do GLOBO mostrou que o governo aumentou em 70% o número de requerimentos indeferidos entre janeiro e maio deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. Foi o maior patamar de indeferimentos desde 2021. O movimento ajuda a reduzir a fila do INSS em meio ao período eleitoral, mas também levanta questionamentos sobre a qualidade da análise.
O aumento de negativas é um dos fatores que explicam a queda no estoque de pedidos. Quando um requerimento é indeferido, ele sai da fila, mas o segurado pode recorrer ou entrar com novo pedido, o que pode gerar novos processos.
Novas concessões: ritmo acelera, mas produção estagnada
Leonardo Bittencourt também destacou que o índice de novas concessões subiu para 67% entre janeiro e julho, o que representa, em média, 730 mil benefícios por mês. A média mensal no mesmo período de 2025 foi de 641 mil requerimentos.
O aumento de concessões, porém, não se reflete em ganho de produtividade. A área técnica do TCU identificou que uma análise entre requerimentos concluídos e protocolados mostrou que a produção ficou estagnada, "registrando ciclos recorrentes de déficit produtivos". Ou seja, o INSS não está conseguindo dar conta do volume de novos pedidos, mesmo com o ritmo maior de análises.
TCU mantém INSS na Lista de Alto Risco
O Tribunal de Contas da União decidiu manter a concessão de benefícios previdenciários na Lista de Alto Risco da administração pública federal, devido à fila do INSS e ao aumento do indeferimento dos pedidos.
A Lista de Alto Risco funciona como um alerta do tribunal sobre pontos que podem comprometer as contas públicas ou a qualidade dos serviços prestados à população. A lista foi lançada em 2022 e é revisada pela equipe de auditores periodicamente.
Embora reconheça o esforço do governo para reduzir a fila do INSS, com a adoção de planos de emergência, os técnicos afirmam que essa evolução ainda não se mostra suficiente para exclusão do tema da lista. O tribunal destaca ainda que vulnerabilidades relevantes na capacidade operacional persistem.
O que esperar do anúncio
O evento desta quinta-feira deve repetir o discurso de que a fila do INSS está zerada, usando o critério de excluir quem espera menos de 45 dias. A conta, porém, deixa de fora milhares de segurados que seguem aguardando resposta dentro do prazo legal.
O TCU, por sua vez, sinaliza que a melhora nos números não é suficiente para tirar o tema da lista de alerta. A combinação de aumento de indeferimentos, produção estagnada e ciclos de déficit produtivo indica que a capacidade operacional do INSS ainda é um ponto de atenção.
Para quem está com um pedido em análise, a orientação prática é acompanhar o andamento pelo portal Meu INSS e ficar atento aos prazos de recurso caso o benefício seja negado. O aumento de indeferimentos significa que mais pessoas precisarão contestar decisões, e o recurso administrativo é o primeiro passo antes de buscar a via judicial.
Perguntas Frequentes
O que significa zerar a fila do INSS?
O governo considera fila zerada quando não há requerimentos com mais de 45 dias de espera. Quem está dentro do prazo legal não entra na conta.
Quantas pessoas ainda esperam na fila do INSS?
Em agosto, 1,282 milhão de pedidos aguardavam análise, mas só 261 mil estavam há mais de 45 dias. Em janeiro, eram 3,073 milhões no total e 1,882 milhão acima de 45 dias.
Por que os indeferimentos aumentaram?
O governo aumentou em 70% o número de requerimentos indeferidos entre janeiro e maio, na comparação com 2025. Foi o maior patamar desde 2021.
O que é a Lista de Alto Risco do TCU?
É um alerta do tribunal sobre pontos que podem comprometer as contas públicas ou a qualidade dos serviços. O INSS segue na lista por causa da fila e do aumento de indeferimentos.
O que fazer se meu benefício for negado?
O segurado pode entrar com recurso administrativo pelo Meu INSS. Se a resposta for mantida, a via judicial é a alternativa seguinte.