Lula disputa empresariado com Flávio e tenta reduzir resistência à reeleição
Nesta segunda-feira (31), Lula recebe banqueiros e empresários no Palácio da Alvorada para reduzir resistências do setor privado à sua reeleição, enquanto Flávio Bolsonaro busca ampliar sua interlocução econômica. O jantar coloca a economia no centro da disputa presidencial.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebe nesta segunda-feira (31) um grupo de banqueiros e empresários no Palácio da Alvorada, em um jantar que busca reduzir resistências do setor privado à sua reeleição. O encontro ocorre em meio à ofensiva de Flávio Bolsonaro (PL), que tenta avançar sobre esse eleitorado.
A aproximação coloca a economia no centro da disputa presidencial. Lula pretende apresentar compromissos para um eventual novo mandato a um grupo que cobra maior controle das despesas e medidas para estabilizar a dívida pública.
Entre os convidados estão Joesley e Wesley Batista, da J&F; Rubens Ometto, da Cosan; José Seripieri Júnior, da Amil; Luiz Carlos Trabuco, presidente do Conselho de Administração do Bradesco; André Esteves, sócio sênior do BTG Pactual; e Milton Maluhy, do Itaú. Cerca de 20 pessoas devem participar. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, também são esperados.
A campanha pretende apresentar propostas como redução dos supersalários no serviço público, revisão do volume de emendas parlamentares e uma eventual reforma administrativa. Lula também deve defender maior participação privada em setores estratégicos, como minerais críticos e inteligência artificial. O movimento responde a dúvidas sobre como um eventual próximo governo administraria o crescimento das despesas obrigatórias e a trajetória da dívida.
Na entrevista à TV Globo na quinta-feira (27), Lula evitou detalhar quais gastos obrigatórios poderia cortar, defendendo o crescimento econômico como principal instrumento para melhorar a relação entre dívida e PIB. O discurso levado ao empresariado terá de avançar sobre um ponto em aberto: quais medidas concretas acompanhariam essa estratégia a partir de 2027.
A movimentação ocorre quatro dias depois de Flávio se reunir em São Paulo com empresários e banqueiros para apresentar sua plataforma econômica. A campanha de Lula afirma que o jantar começou a ser organizado antes do encontro do adversário, mas a ofensiva de Flávio aumentou a importância política da aproximação.
O empresariado tornou-se campo relevante da disputa porque parte do grupo mantém ressalvas ao atual governo, principalmente na área fiscal. O encontro ocorre na mesma semana em que o Congresso deve avançar sobre pauta sensível ao setor produtivo: na quarta-feira (2), a CCJ do Senado analisa a PEC que reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, com relatoria de Omar Aziz (PSD-AM) e parecer favorável. PEC da jornada de trabalho