# GLP-1 nas redes: o que ninguém comenta, mas milhões assistem

> O estudo da Winnin, com análise de 233 mil vídeos sobre GLP-1, revela que o conteúdo mais assistido nas redes aborda efeitos colaterais como falta de energia e mau hálito, em contraste com a exaltação estética predominante nas postagens. A pesquisa evidencia uma lacuna entre o que é publicado e o que o público efetivamente consome.

*Global Forum · Economia · 31 de agosto de 2026 · Tânia Lustosa*

Enquanto as redes exaltam a estética dos GLP-1, um estudo da Winnin com 233 mil vídeos mostra que o que mais se assiste são os efeitos que ninguém comenta: falta de energia e mau hálito. Os dados revelam a distância entre o que se posta e o que se consome.

O debate público sobre medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic e Wegovy, gira em torno da estética. Mas um estudo da consultoria Winnin, que analisou 233 mil vídeos com 6,7 bilhões de visualizações e mais de 300 milhões de interações nos últimos três anos, revela uma lacuna: o que as pessoas mais assistem não é o que mais comentam.

Nos recortes de engajamento, foram 7 milhões de interações, 224 milhões de visualizações e 10 mil vídeos. O tema mais publicado sobre efeitos colaterais é o envelhecimento da pele e perda de colágeno, com 23,3% do volume de conteúdo. Em seguida vêm perda de volume facial (14,5%), preservação muscular (14,3%), efeitos psicológicos (13,2%), platôs e efeito rebote (12,1%) e efeitos digestivos (10,6%). Falta de energia e mau hálito ocupam apenas 2,5% e 1,3% da produção.

Quando se mede o comportamento da audiência, o quadro muda. A falta de energia lidera as visualizações médias, com 77,9 mil views por conteúdo. O mau hálito vem em segundo, com 60,5 mil. O envelhecimento da pele, tema mais abordado, fica em terceiro, com 57,7 mil. No engajamento, o mau hálito também lidera, com cerca de 1,5 mil interações por publicação, à frente de padrões de beleza (1,44 mil), preservação muscular (1,42 mil) e envelhecimento da pele (1,41 mil).

Para a Winnin, a diferença indica que temas sensíveis atraem atenção, mas sem exposição pública. "O que mais envergonha não fica evidente só com o volume de interações. Se revela nas visualizações", afirma o relatório. Assistir a conteúdos sobre certos efeitos é uma forma de buscar informação sem compartilhar vulnerabilidades.

Outro dado: 40% das interações sobre GLP-1 já envolvem categorias como alimentos, beleza, moda, finanças e turismo. "O remédio virou cultura. E a cultura virou laboratório", resume o estudo. Cerca de metade das conversas já menciona benefícios além do diabetes tipo 2, como cardiovasculares (alta de 589%), saúde mental (387%), transtornos alimentares (375%), obesidade (310%), doenças metabólicas (275%), apneia do sono (210%) e questões estéticas (179%).

A pergunta que fica é quem paga a conta dessa ampliação de escopo. Os números mostram que o tratamento virou fenômeno cultural, mas os efeitos que mais geram audiência são os que menos aparecem nas publicações. Ozempic e o mercado de trabalho

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/lado-glp-1-ninguem-comenta-redes-mas-milhoes-assistem/
