# Krugman: tarifas de Trump visam punir sucesso do Pix, mas dificilmente terão efeito

> O economista Paul Krugman afirmou que as tarifas de Trump contra o Brasil, baseadas na Seção 301, visam punir o sucesso do Pix. Krugman considera a medida ineficaz para atingir objetivos econômicos ou políticos, pois o sistema de pagamentos brasileiro não representa ameaça comercial significativa aos Estados Unidos.

*Global Forum · Economia · 20 de julho de 2026 · Tânia Lustosa*

O Nobel de Economia Paul Krugman criticou a decisão de Trump de impor tarifas ao Brasil com base na Seção 301. Para ele, a medida busca punir o sucesso do Pix, mas dificilmente atingirá seu objetivo econômico ou político.

O vencedor do Nobel de Economia Paul Krugman criticou, em análise publicada nesta segunda-feira, 20, a decisão do governo de Donald Trump de impor tarifas ao Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Para o economista, a medida busca punir o sucesso do Pix e reflete a oposição da administração americana a avanços tecnológicos que contrariem interesses de empresas de meios de pagamento e do setor de criptomoedas, mas dificilmente atingirá seu objetivo.

Paul Krugman, vencedor do Nobel de Economia, afirmou que as tarifas dos EUA ao Brasil, baseadas na Seção 301, visam punir o sucesso do Pix. O economista argumenta que a medida reflete interesses de empresas de meios de pagamento e criptomoedas, mas terá efeito limitado: o Brasil é pequeno demais para alterar o equilíbrio do dólar e tarifas sobre café, suco de laranja e carne bovina pressionariam preços nos EUA.

## A crítica de Krugman à lógica das tarifas

Krugman questiona a premissa de que o Pix configura prática comercial desleal. "Por que seria desleal um país oferecer aos próprios cidadãos uma forma melhor de fazer pagamentos?", escreveu. O economista argumenta que classificar o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos como desleal não faz sentido. "Desde quando é uma prática desleal uma empresa perder mercado para um concorrente que oferece um produto melhor e mais barato?", questiona.

O sistema brasileiro, lançado há quase seis anos, tornou-se amplamente utilizado por oferecer transações gratuitas para pessoas físicas e de baixo custo para empresas. Krugman compara a exigência de que bancos brasileiros ofereçam o Pix à obrigação de instituições financeiras americanas aceitarem depósitos e realizarem saques em dólares, rejeitando a tese de que isso conceda vantagem indevida sobre meios privados de pagamento, como cartões de débito.

## Quem perde com o sucesso do Pix

O economista sustenta que a principal preocupação por trás das críticas ao Pix seria o impacto sobre empresas americanas como Visa e Mastercard. Em menor grau, há o temor de que sistemas públicos de pagamentos possam desafiar, no futuro, a predominância internacional do dólar. Ainda assim, Krugman avalia que o Brasil é pequeno demais para alterar significativamente esse equilíbrio e vê um desafio mais relevante na eventual criação de um euro digital pelo Banco Central Europeu (BCE).

Krugman também critica a resistência republicana à criação de uma moeda digital emitida pelo Federal Reserve (Fed). Segundo ele, a oposição decorre menos de preocupações técnicas e mais do receio de que um dólar digital reduza a demanda por stablecoins e outros criptoativos. "A verdadeira preocupação é que funcionaria bem demais", escreve.

## Paralelo com energias renováveis

Na avaliação do Nobel, a reação ao Pix se assemelha à postura do governo Trump em relação às energias renováveis. Em ambos os casos, interesses ligados aos setores de criptomoedas e de combustíveis fósseis rejeitam inovações que ameacem seus modelos de negócio. A analogia reforça a tese de que a oposição ao Pix não é técnica, mas política e setorial.

## Efeitos esperados das tarifas

Krugman conclui que as tarifas dificilmente atingirão seu objetivo. Politicamente, afirma que a medida tende a fortalecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Economicamente, argumenta que Washington terá alcance limitado para elevar tarifas sobre produtos como café, suco de laranja e carne bovina, devido ao risco de pressionar preços nos EUA. Além disso, cita a economista Monica de Bolle, do Peterson Institute for International Economics, segundo quem o redirecionamento do comércio global provocado pelas tarifas americanas acabou fortalecendo a posição exportadora do Brasil.

## Perguntas Frequentes

### Por que Krugman critica as tarifas de Trump ao Brasil?

Krugman argumenta que a medida busca punir o sucesso do Pix e reflete interesses de empresas de meios de pagamento e criptomoedas, mas terá efeito limitado.

### O que é a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974?

É a base legal usada pelo governo Trump para impor tarifas ao Brasil, permitindo ações contra práticas consideradas desleais no comércio internacional.

### Como o Pix é classificado por Krugman?

O economista rejeita a tese de que o Pix seja prática desleal, comparando-o à obrigação de bancos americanos aceitarem depósitos em dólares.

### Quais empresas seriam afetadas pelo Pix segundo a análise?

Krugman cita Visa e Mastercard como principais preocupações, além do setor de criptomoedas.

### Qual o impacto político das tarifas para o Brasil?

Krugman afirma que a medida tende a fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

### Por que as tarifas têm alcance limitado?

Porque tarifas sobre café, suco de laranja e carne bovina pressionariam preços nos EUA, e o redirecionamento do comércio global fortaleceu a posição exportadora do Brasil.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/krugman-tarifas-trump-visam-punir-sucesso-pix-mas-dificilmente-terao-efeito/
