# Juros altos cobram conta das empresas; veja onde está o risco

> A Porto Asset alerta que juros altos prolongados elevam o custo da dívida acima da geração de caixa de empresas high yield. O maior risco concentra-se em companhias com alavancagem elevada e fluxo de caixa fraco, especialmente em setores cíclicos. O crédito privado reage com seleção mais rigorosa de ativos e prêmios maiores.

*Global Forum · Economia · 31 de agosto de 2026 · Renata Polônia*

Com juros altos prolongados, o custo da dívida já supera a geração de caixa de empresas high yield, alerta a Porto Asset. Veja onde está o maior risco e como o crédito privado reage.

O prolongamento dos juros elevados começa a cobrar a conta das empresas menos robustas financeiramente, e o maior risco está justamente onde o custo da dívida supera a capacidade de gerar caixa. Segundo Izak Benaderet, diretor executivo da Porto Asset, em entrevista ao InfoMoney, em alguns casos, especialmente entre companhias classificadas como high yield, esse descompasso já é realidade e aumenta a vulnerabilidade dos emissores.

Para quem investe em crédito privado, o alerta é claro: a seletividade precisa ser maior. Benaderet reforça que não basta olhar a remuneração oferecida pelo título. É preciso avaliar a capacidade de pagamento, o endividamento e a geração de caixa do emissor, pois um retorno mais elevado pode refletir riscos maiores de a empresa enfrentar dificuldades para honrar suas obrigações.

A Porto Asset trabalha com a perspectiva de continuidade do ciclo de flexibilização monetária, com cenário-base de mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic e possibilidade crescente de novas reduções nas duas últimas reuniões de 2026. A projeção se sustenta na deterioração das condições de crédito para empresas e famílias e em sinais de perda adicional de força da atividade econômica, com expectativa de PIB consideravelmente mais fraco em 2027 do que em 2026.

Esse ambiente impõe dificuldades adicionais às companhias mais endividadas, mas também abre oportunidades no crédito privado. Empresas com melhor posicionamento competitivo e estruturas de capital mais robustas tendem a atravessar a desaceleração com vantagem relativa e podem ganhar participação de mercado diante do enfraquecimento de concorrentes.

A volatilidade também pode gerar distorções de preço entre títulos com riscos semelhantes, criando oportunidades de arbitragem. "Períodos de maior volatilidade podem gerar distorções de preço entre ativos com perfis de risco semelhantes, criando oportunidades de arbitragem. Acompanhamos esses movimentos tanto em nossas reuniões semanais de cogestão e alocação quanto no dia a dia das operações, buscando capturar valor a partir dessas diferenças de spread", comenta Benaderet.

A gestora, que ficou em primeiro lugar na categoria Melhor Fundo de Previdência Renda Fixa Crédito Privado da Premiação Outliers InfoMoney, com o Porto Prev Cred Priv, mantém processo rigoroso de seleção. Antes de entrar nos portfólios, os ativos passam por análises qualitativas e quantitativas, recebem classificação interna de risco e precisam ser aprovados por consenso no Comitê de Crédito & ASG. Os créditos são revisados formalmente ao menos uma vez por ano, com acompanhamento semanal de novas ofertas e limites.

No caso dos fundos de previdência, o horizonte mais longo permite exposição relativamente maior a créditos corporativos e FIDCs, ampliando o universo de oportunidades sem abrir mão do controle de qualidade de crédito e liquidez. O câmbio é uma das condições para o ciclo de cortes se prolongar, e a Porto Asset avalia que o comportamento do dólar no exterior tende a limitar depreciação mais intensa do real. Além disso, a gestora considera que o próximo governo deverá promover algum ajuste fiscal em 2027, o que pode conter pressões sobre o câmbio. crédito privado fundos de previdência

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/juros-altos-comecam-cobrar-conta-empresas-onde-esta-maior-risco/
