Julgamento sobre diretor-geral da PF indica ala alinhada a Mendonça no STF
O julgamento da decisão de André Mendonça que afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, revelou no plenário do STF a formação de uma ala alinhada ao ministro. Pedido de vista de Gilmar Mendes interrompeu a análise.
O julgamento da decisão de André Mendonça que afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, começou a revelar no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) a formação de uma ala alinhada ao ministro em meio à crise que divide a Corte. O pedido de vista de Gilmar Mendes interrompeu a análise e abriu espaço para articulações nos bastidores.
Mesmo com a suspensão, Mendonça conseguiu formar maioria para manter sua decisão, com os votos antecipados de Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, dois ministros contabilizados entre os possíveis apoios ao magistrado nas discussões internas provocadas pelo caso Master. Dias Toffoli não votou. A liminar de Mendonça continua em vigor enquanto o julgamento não for concluído.
Advogados e juristas avaliam que a decisão escancara um racha ideológico e procedimental dentro da Corte. Desde que a crise entre Mendonça e Alexandre de Moraes se agravou, ministros passaram a mapear apoios. Fux já era considerado o apoio mais seguro de Mendonça, enquanto Kassio aparecia como fiel da balança. O pedido de vista de Gilmar, decano do STF, ocorre justamente quando o placar deixa mais clara a correlação de forças. Na semana passada, Gilmar teve um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A composição dos votos também chama atenção diante das contas internas. Pessoas próximas a Moraes contabilizam Cristiano Zanin, Flávio Dino e o próprio Gilmar como integrantes de uma ala mais próxima ao ministro. Cármen Lúcia e Edson Fachin eram vistos como possíveis fiéis da balança. A votação revela o primeiro retrato concreto de como parte dessas articulações pode se traduzir no plenário, mas não significa que a mesma maioria será reproduzida em todas as discussões decorrentes da crise.
A crise se agravou após a divulgação de relatórios da área de inteligência da PF. Mendonça afirma que foi submetido a "monitoramento sistemático" e que houve "monitoramento e coleta dirigida" de informações sobre ele e sobre o advogado-geral da União, Jorge Messias. A decisão destaca que seis relatórios foram produzidos entre 3 e 31 de agosto. Mendonça classificou a produção como ilegal e sustenta que Moraes tinha conhecimento prévio dos documentos, registrando que o material foi encaminhado por Andrei em 1º de setembro.