Economia

Internet parece polarizada, mas política representa só 4% das conversas em 2024

ResumoTimelens revelou que política representou apenas 4,14% das conversas na internet brasileira em 2024, contrariando a percepção de polarização constante. Cientista de dados Renato Dolci explica que o volume reduzido de discussões políticas não reflete a intensidade ou visibilidade desses temas nas redes sociais.

Dados da Timelens mostram que política representou apenas 4,14% das conversas na internet brasileira em 2024, contrariando a percepção de polarização constante nas redes sociais. Cientista de dados Renato Dolci explica o fenômeno.

Helena Drumond
Helena Drumond Analista de criptoativos e fintechs · 20 de julho de 2026
Internet parece polarizada, mas política representa só 4% das conversas em 2024

Internet parece polarizada, mas política representa só 4% das conversas

Quem acompanha política pelas redes sociais pode ter a impressão de que o debate domina o cotidiano dos brasileiros. Mas os dados mostram um cenário bem diferente: a política representou apenas 4,14% de todas as conversas monitoradas na internet brasileira em 2024. A análise foi apresentada pelo cientista de dados Renato Dolci, diretor de Dados da Timelens, durante participação na edição especial do programa Mapa de Risco, do InfoMoney, dedicada às estratégias das campanhas eleitorais para 2026.

Por que a internet parece mais polarizada do que realmente é?

Para Dolci, as redes sociais distorcem a percepção sobre o peso da política no dia a dia da população. "As redes sociais nos embaraçam a visão e nos dão a ideia de que o planeta está polarizado todos os dias, de que as pessoas só falam de política. Mas, quando a gente vai para a rua, percebe que isso não é verdade. A gente discute muito menos política do que qualquer outro assunto", afirmou.

O monitoramento de todos os temas discutidos nas plataformas digitais ao longo de 2024 mostrou que a política ocupa uma parcela relativamente pequena das conversas. "Nós monitoramos absolutamente todos os assuntos discutidos na internet brasileira em 2024. Política equivaleu a 4,14% de tudo o que foi discutido. É muito pouco diante da sensação que nós temos, principalmente quem trabalha com política e acaba vivendo esse assunto todos os dias", disse.

Quem realmente fala de política nas redes?

Outro dado chamou a atenção do pesquisador: a maior parte do conteúdo político publicado nas redes parte de um grupo relativamente pequeno de usuários. "Algo em torno de um milhão de pessoas no Brasil postaram 65% de tudo o que foi falado sobre política. Ou seja, existe muito barulho, mas não necessariamente muita gente participando desse debate. A gente costuma confundir volume de pessoas com volume de barulho", afirmou.

Na avaliação de Dolci, esse comportamento ajuda a explicar por que as campanhas eleitorais passaram a priorizar grupos altamente engajados, capazes de influenciar a circulação de conteúdos e pautar parte do debate público, mesmo sem representar a maioria do eleitorado.

O que move o barulho político nas redes?

"O que chama atenção é que esse barulho está muito conectado aos debates culturais, morais e de identidade. Esse grupo é muito ativo, produz muito conteúdo e acaba dando a impressão de que todo o país está discutindo política o tempo inteiro. Mas essa não é a realidade da maior parte da população", afirmou Dolci.

Para o cientista de dados, compreender essa diferença é fundamental para analisar as estratégias eleitorais de 2026. Enquanto as redes sociais amplificam o embate entre grupos mais mobilizados, a maioria dos eleitores permanece distante do debate político cotidiano e tende a decidir o voto com base em outros fatores, como economia, segurança e percepção sobre os candidatos.

Como as campanhas se adaptam a esse cenário?

"É muito barulho, mas não necessariamente é tanta gente. Esse é um ponto importante para entender como as campanhas se organizam e por que nem tudo o que domina as redes sociais necessariamente representa o sentimento do eleitor brasileiro", concluiu Dolci.

O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.

O que isso significa para o eleitor comum?

A diferença entre percepção e realidade tem implicações práticas. Se a sensação de polarização constante pode desmotivar o engajamento político, os dados mostram que a maioria dos brasileiros não está tão imersa no debate quanto parece. Isso sugere que as estratégias de campanha focadas em nichos altamente engajados podem não refletir o comportamento do eleitor médio.

Perguntas Frequentes

A política realmente é só 4% das conversas na internet?

Sim. Segundo o monitoramento da Timelens, conduzido por Renato Dolci, a política representou 4,14% de todas as conversas na internet brasileira em 2024.

Quem produziu a maior parte do conteúdo político?

Cerca de 1 milhão de pessoas no Brasil postaram 65% de todo o conteúdo político, segundo a análise.

Por que a internet parece mais polarizada?

Porque um grupo pequeno de usuários muito ativos produz grande volume de conteúdo, criando a impressão de que o debate é mais intenso e generalizado do que realmente é.

O que isso significa para as eleições de 2026?

As campanhas tendem a priorizar esses grupos engajados, mas a maioria dos eleitores decide o voto com base em outros fatores, como economia e segurança.

Onde foi apresentada essa análise?

A análise foi apresentada por Renato Dolci no programa Mapa de Risco, do InfoMoney, que vai ao ar às sextas-feiras às 6h no YouTube e em tocadores de podcast.

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