# Inadimplência do aluguel cai ao menor nível em 3 anos

> A inadimplência do aluguel no Brasil atingiu 3,05% em julho, o menor patamar em três anos. A melhora, porém, concentra-se em segmentos específicos: imóveis comerciais com aluguel de até R$ 1 mil mantêm taxa elevada de 7,27%. O recuo geral reflete recuperação parcial do mercado, sem distribuição uniforme entre categorias de locação.

*Global Forum · Economia · 26 de agosto de 2026 · Marcelo Iorio*

A inadimplência do aluguel caiu para 3,05% em julho, menor nível em três anos, mas a melhora é desigual: imóveis comerciais de até R$ 1 mil seguem com 7,27%.

A inadimplência do aluguel caiu para 3,05% em julho, o menor nível em três anos, segundo o Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), da Superlógica. O índice recuou 0,15 ponto percentual ante junho, quando estava em 3,20%, e todas as regiões do país registraram redução.

A taxa de julho é a menor desde junho de 2023, quando ficou em 3,03%. Em 12 meses, a queda foi de 0,71 ponto percentual, já que em julho de 2025 o indicador estava em 3,76%. No primeiro semestre de 2026, a inadimplência média foi de 3,24%, abaixo dos 3,71% da segunda metade de 2025.

A melhora, porém, não é uniforme. Entre os imóveis comerciais com aluguel de até R$ 1 mil, a inadimplência ficou em 7,27% em julho, ante 7,40% em junho, ainda mais que o dobro da média nacional. Nos residenciais da mesma faixa, caiu de 6,27% para 5,99%. O contraste aparece nas faixas intermediárias: aluguéis residenciais entre R$ 2 mil e R$ 5 mil têm inadimplência de apenas 1,74%.

O levantamento da Superlógica considera inadimplentes boletos sem pagamento por mais de 60 dias ou quitados com atraso superior a esse período, com base em dados anônimos de mais de 800 mil locatários.

Por tipo de imóvel, as casas tiveram queda de 3,45% para 3,29%, enquanto apartamentos passaram de 2,16% para 2,14%. O segmento comercial segue com a maior taxa, 4,17%, quase o dobro dos apartamentos. Entre os contratos acima de R$ 13 mil, a inadimplência chega a 4,84% nas casas, 4,55% nos comerciais e 3,58% nos apartamentos.

Por região, o Nordeste teve a maior queda, de 5,15% para 4,88%, seguido pelo Norte, que passou de 4,30% para 4,04%. Centro-Oeste caiu de 3,00% para 2,80%, Sudeste de 2,96% para 2,78% e Sul de 2,71% para 2,67%. Mesmo com a melhora, Norte e Nordeste seguem com os maiores índices.

Para Manoel Gonçalves, diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, o recuo representa alívio para as famílias, mas é preciso acompanhar os próximos meses. Em cenário de juros elevados e pressão sobre o custo de vida, famílias com menor margem no orçamento tendem a sentir mais o impacto de despesas essenciais, como alimentação e transporte, o que pode reduzir a capacidade de manter o aluguel em dia.

A distância entre os 3,05% da média e os 7,27% dos imóveis comerciais mais baratos indica que o alívio ainda não chegou com a mesma intensidade a todos os locatários. Para pequenos negócios, o aluguel é um custo fixo que precisa ser pago mesmo quando o faturamento cai, o que explica a resistência maior da inadimplência nesse segmento.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/inadimplencia-aluguel-cai-ao-menor-nivel-3-anos-mas-melhora-desigual/
