# Imóvel de classe média nunca foi tão raro; o que mudou?

> Imóveis de classe média, faixa entre R$ 500 mil e R$ 2 milhões, representam apenas 18,9% dos lançamentos nas capitais brasileiras, após já terem superado metade do mercado imobiliário. Juros elevados, custos de construção em alta e famílias endividadas explicam a redução da oferta desses apartamentos.

*Global Forum · Economia · 14 de setembro de 2026 · Tânia Lustosa*

Apartamentos de R$ 500 mil a R$ 2 milhões já foram mais da metade do mercado imobiliário. Hoje somam 18,9% dos lançamentos nas capitais. Juros altos, custos de construção e famílias endividadas explicam o sumiço.

O apartamento de classe média está sumindo do mercado brasileiro. Imóveis entre R$ 500 mil e R$ 2 milhões, que já foram mais da metade das unidades vendidas no país, hoje respondem por apenas 18,9% dos lançamentos e 24,1% das vendas nas capitais, segundo a Brain Inteligência Imobiliária. É o pior patamar já registrado, em uma queda que dura quatro anos seguidos.

O diagnóstico combina três forças: juros altos nos financiamentos, custos de construção acima da inflação e famílias mais endividadas. Quem ganha entre R$ 10 mil e R$ 30 mil por mês, faixa tratada como classe média pelo setor, costuma dar 20% a 30% de entrada e financiar o restante. Cada ponto porcentual a mais na taxa de juros tira a capacidade de compra de cerca de 1,3 milhão de pessoas, segundo cálculos da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc).

## O que mudou no mercado imobiliário

O presidente da Brain, Fábio Tadeu Araújo, afirma que o recuo é recorde. "Esse mercado sempre foi maior no Brasil", disse. Para o presidente da Abrainc, Luiz França, a aquisição ficou incompatível para muitas famílias diante da subida das taxas. O analista André Mazini, do Citi, acrescenta que a renda comprometida por outras dívidas limita a aprovação do crédito.

A resposta das incorporadoras foi migrar lançamentos para o Minha Casa, Minha Vida, com juros subsidiados, e para o alto padrão. Empresas como Trisul, Tecnisa, Even, Mitre, Gafisa, Kallas, Setin e Moura Dubeux reduziram ou deixaram o segmento. A vice-presidente da Setin, Bianca Setin, relatou que a empresa não fará mais projetos de R$ 600 mil a R$ 800 mil em São Paulo. "O médio padrão, infelizmente, está sem produção", afirmou.

O efeito chega ao bolso: o preço médio dos imóveis subiu 16% nas principais capitais em 12 meses, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). O governo tentou responder com a faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida, criada em maio do ano passado para imóveis até R$ 600 mil e renda de até R$ 13 mil, mas as contratações evoluem lentamente. As incorporadoras pediram ao Ministério das Cidades cortar juros nas faixas 3 e 4 e elevar o teto da faixa 4 para R$ 1,2 milhão, sem definição até agora.

---

Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/imovel-classe-media-nunca-foi-tao-raro-mudou/
