IA terá consequências para economia e política monetária, diz Warsh
O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmou que a IA terá consequências para a economia e a política monetária. Em discurso em Jackson Hole, ele destacou o fluxo de capital e as dúvidas sobre produtividade e empregos.
O presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, afirmou que a inteligência artificial (IA) terá consequências tanto para a economia americana quanto para a política monetária. A declaração foi feita em discurso preparado para o Simpósio de Jackson Hole, no Wyoming, evento que se tornou um teste importante apenas três meses após o início de seu mandato como chair do Fed.
Warsh destacou que a tecnologia aumenta o potencial de maior crescimento econômico diante do fluxo "interminável" de capital sendo alocado em investimentos de infraestrutura. Ele reiterou que os dirigentes irão reconduzir a inflação ao objetivo de 2%, meta que classificou como firme e inalterável.
Contudo, ainda não está claro como todo esse potencial afetará a economia. Para Warsh, os principais questionamentos giram em torno de se a tecnologia aumentará de fato a produtividade, se será complementar à criação de empregos, se demandará investimentos de capital ainda mais intensos a cada nova geração de IA e quais serão seus efeitos sobre os mercados financeiros.
"Não é óbvio onde os retornos desse capital vão pousar ou em qual prazo. Quanto do superávit vai para donos de laboratórios de IA com ativos escassos, fabricantes de chips, produtores de energia e provedores de nuvem? Ao longo tempo, esse valor irá para negócios e consumidores? Quais as implicações para o mandato de emprego do Fed?", ponderou na sexta-feira, 28.
Warsh notou que os gastos de capital (capex) das empresas estão aumentando rapidamente, com mais da metade atribuível à IA. Citou como exemplo os investimentos em equipamentos, que cresceram no ritmo mais rápido desde 2021. "Para empresas no S&P 500, lucros aumentaram mais de 20% no último ano, com margens elevadas para a série histórica", apontou. "Continuaremos focados nos sinais internos do mercado e monitorando a performance dos setores".
O presidente afirmou que o banco central estudará essas mudanças principalmente por meio da força-tarefa criada sobre produtividade e empregos, que deve ajudar com insights para os dirigentes, embora não tenha efeito direto nas decisões monetárias. "Minhas avaliações iniciais com os líderes dessa força-tarefa, e das outras quatro, foram encorajadores", disse. Dentre as outras forças-tarefa, estão grupos que estudam inflação e a comunicação do Fed.
Para pequenos e médios empresários, o sinal é direto: a IA pode acelerar o crescimento, mas o custo de capital e a produtividade ainda são incógnitas. Quem depende de crédito ou de demanda interna deve acompanhar os próximos passos do Fed, pois a política monetária americana tende a influenciar juros e câmbio no Brasil. impacto da política monetária americana no Brasil