# Häagen-Dazs derreteu no Brasil, mas wellness impulsiona premium

> Häagen-Dazs encerrou operações no Brasil, mas o mercado de sorvetes premium cresce 1,3% enquanto o segmento geral recua 5,4%. O efeito ampulheta concentra consumo nas faixas de preço mais altas e mais baixas, impulsionado pela busca por bem-estar. A saída da marca reflete estratégia corporativa, não demanda fraca.

*Global Forum · Economia · 31 de agosto de 2026 · Marcelo Iorio*

A saída da Häagen-Dazs do Brasil não reflete o desempenho dos sorvetes premium: enquanto o segmento geral cai 5,4%, o topo avança 1,3%. O efeito ampulheta explica.

A saída da Häagen-Dazs do mercado brasileiro não reflete o desempenho dos sorvetes premium. Enquanto a General Mills anunciou o fim da distribuição da marca no país, a categoria de maior preço avançou 1,3% em volume de janeiro a julho de 2026, contra queda de 5,4% das vendas gerais do segmento, segundo a Scanntech. O preço médio da categoria caiu 4,9%. A decisão da General Mills, afirma a empresa, veio de uma reformulação de portfólio iniciada em maio, que incluiu a venda das marcas Yoki e Kitano para a 3corações por R$ 800 milhões.

A Scanntech divide o mercado em três faixas pelo preço médio por volume: os 25% mais caros são o premium, os 30% iniciais formam a econômica, e o meio, entre 30% e 75%, é o mainstream. Neste último, as vendas caíram 2,8%, enquanto os preços subiram 4,4%. "Houve uma convergência de preço de quase 9% entre as duas categorias de cima", explica Felipe Passarelli, head de inteligência de mercado da Scanntech. "O premium não avança apenas porque o consumidor decidiu pagar mais, mas porque a distância de preço do mainstream até ele diminuiu." Na prática, o consumidor compara a prateleira e decide que vale pagar um pouco mais pelo produto superior.

O fenômeno tem nome: efeito ampulheta, quando base e topo ganham participação e o meio encolhe. Quem se beneficia é a Bacio di Latte, com 66% de participação nos potes premium, vendidos em lojas físicas, delivery, aplicativo próprio e varejo pela linha Bacio Casa. Para 2026, a empresa projeta crescer 30%. "Esse resultado combina o crescimento da rede, o desempenho das lojas existentes e a evolução de diferentes canais", diz o diretor de marketing, Fábio Medeiros.

A temperatura explica parte da história, mas não tudo. No primeiro trimestre de 2024, alta de 3,5% na temperatura média veio com crescimento de 4,3% nas vendas. Em 2025, queda de 0,6% acompanhou redução de 0,5%. Já em 2026, a temperatura caiu 2,4% e as vendas despencaram 12,8%. "Obviamente, é uma perda que a temperatura não justifica", afirma Passarelli, citando fatores estruturais como a busca por bem-estar e saudabilidade. O consumidor compra com menos frequência, mas escolhe maior valor agregado.

Medeiros vê amadurecimento da categoria: "Quanto mais o consumidor tem contato com produtos de qualidade, mais repertório ele adquire para fazer suas escolhas". O ticket médio subiu por complemento de compra, com clientes levando outros itens da marca além do gelato. mercado de sorvetes premium 2026

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/haagen-dazs-derreteu-brasil-mas-onda-wellness-impulsiona-sorvetes-premium/
