Guerra contra o Irã completa 6 meses; Trump previa conflito curto
A guerra de EUA e Israel contra o Irã completa seis meses nesta sexta-feira, 28, superando as previsões iniciais de Donald Trump. O conflito já custou US$ 37,5 bilhões aos EUA, enquanto Teerã estima danos de US$ 270 bilhões.
A guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã completa seis meses nesta sexta-feira, 28, bem além das poucas semanas inicialmente previstas pelo presidente americano, Donald Trump, que agora afirma não ter pressa para encerrar o conflito. A mudança de estratégia sinaliza maior foco em pressão econômica sobre Teerã, com o anúncio da "Operação Economic Outcast", que busca ampliar o isolamento do país e ameaça punir nações e entidades que continuarem negociando com o regime iraniano.
O custo do conflito já ultrapassa US$ 37,5 bilhões para os EUA, enquanto autoridades iranianas estimam danos diretos e indiretos de US$ 270 bilhões. As primeiras semanas de ataques israelenses atingiram grande parte da estrutura de liderança do governo, incluindo o então líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, morto no início da guerra. Trump sustenta que a campanha devastou a liderança, as Forças Armadas e a economia iranianas. "Eles não estão pagando suas tropas. Estão em sérios problemas. Têm muito pouca capacidade", disse ontem.
Apesar das perdas, o Irã mantém uma importante fonte de pressão no Estreito de Ormuz. Trump voltou a afirmar na quinta-feira, 27, que a passagem está "aberta" e que 24 embarcações haviam atravessado o local no dia anterior. O movimento, contudo, permanece muito abaixo dos cerca de 130 navios que cruzavam diariamente a rota antes da guerra.
Catar e Paquistão continuam buscando uma saída diplomática. O primeiro-ministro catariano, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, esteve ontem em Teerã para discutir uma proposta entre Irã e Omã destinada a ampliar o tráfego pelo estreito. Trump, por sua vez, tem demonstrado pouco interesse em retomar o acordo preliminar alcançado em junho, que previa a reabertura de Ormuz e negociações sobre o programa nuclear iraniano, mas desmoronou semanas depois.
Analistas divergem sobre a eficácia da estratégia. Aarathi Krishnan, da RAKSHA Intelligence Future, avalia que Washington pode estar subestimando a capacidade de resistência de Teerã, que passou décadas se adaptando a sanções por meio da venda de petróleo com desconto e de redes pouco transparentes de transporte e financiamento. "Este governo subestimou completamente a determinação iraniana", disse.
Já Richard Goldberg, ex-assessor para o Irã no Conselho de Segurança Nacional durante o primeiro mandato de Trump, avalia que Teerã pode entrar em "águas desconhecidas" caso Washington imponha uma campanha mais dura contra seus parceiros comerciais. Até agora, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou advertências para que países reduzam o comércio com o Irã, sem divulgar sanções secundárias. A China, maior parceira comercial e compradora de petróleo iraniano, reagiu afirmando ser contrária a "sanções unilaterais ilegais". Questionado se poderia sancionar bancos chineses, Trump respondeu: "Quem disse que não estou fazendo isso? Vocês não sabem se estou. Não preciso anunciar tudo, preciso?" impacto econômico de sanções internacionais