Economia

Governo reage a nova tarifa dos EUA e cita manipulação de direitos humanos

ResumoO governo Lula reagiu à nova tarifa de 12,5% imposta pelos EUA sobre produtos brasileiros. Em nota, o Palácio do Planalto rechaçou a decisão e acusou o USTR de manipular tema caro aos direitos humanos. A sobretaxa atinge 59 países e a União Europeia.

O governo Lula reagiu à aplicação do adicional tarifário de 12,5% pelos EUA sobre produtos brasileiros. Em nota, o Palácio do Planalto rechaçou a decisão e acusou o USTR de manipular tema caro aos direitos humanos. A sobretaxa atinge 59 países e a União Europeia.

Marcelo Iorio
Marcelo Iorio Consultor de planejamento empresarial · 23 de julho de 2026
Governo reage a nova tarifa dos EUA e cita manipulação de direitos humanos

Governo reage a nova tarifa dos EUA e acusa manipulação de direitos humanos

O governo Lula reagiu à aplicação do adicional tarifário de 12,5% pelos Estados Unidos (EUA) sobre os produtos brasileiros. Em nota divulgada nesta quinta-feira, após o anúncio da tarifa pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), o Palácio do Planalto disse que rechaça a decisão dos EUA e voltou a falar no uso da Lei da Reciprocidade.

"Na ausência de base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista, o USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais", diz o texto oficial.

O que muda com a nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros

A sobretaxa de 12,5% foi aplicada também a outros 53 países e afeta quase a totalidade das exportações brasileiras para os EUA. O percentual varia entre 10% e 12,5%. O Brasil foi penalizado com a tarifa mais alta, o que já era esperado pelas autoridades diante do desfecho de uma investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Essa nova sobretaxa vai substituir tarifas impostas a dezenas de países que expiram nesta sexta-feira. O governo americano alegou supostas falhas na relação comercial entre os países e no combate à importação de produtos feitos com trabalho forçado.

Impacto da sobretaxa dos EUA para o empresário brasileiro

Para o pequeno e médio empresário que exporta para os EUA, a tarifa adicional de 12,5% representa um custo direto que pode corroer margens já apertadas. Na prática, o produto brasileiro fica mais caro no mercado americano em relação a concorrentes de países que não sofreram a mesma penalidade.

O caixa fala antes do balanço: quem tem contrato em dólar precisa recalcular o preço de venda ou absorver a diferença. Quem opera com margem líquida de 10% a 15% pode ver o lucro desaparecer. A decisão de repassar o custo ao importador americano ou reduzir a própria margem é a primeira conta que o dono de PME precisa fazer.

Reação do governo brasileiro: Lei da Reciprocidade na mesa

Na semana passada, quando o USTR anunciou o tarifaço de 25% sobre produtos nacionais, o governo brasileiro emitiu uma dura nota em resposta. Desta vez, o Palácio do Planalto voltou a mencionar a Lei da Reciprocidade, mecanismo que permite ao Brasil retaliar comercialmente países que impõem barreiras desproporcionais.

A nota desta quinta-feira afirmou que o Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio. O texto também destacou a motivação política da sobretaxa, citando que as investigações foram concluídas com base no "enredo" da família Bolsonaro, que usou a proximidade com Donald Trump na tentativa de influenciar a disputa eleitoral em que o presidente Lula busca o quarto mandato.

O que o empresário deve observar nos próximos dias

A substituição das tarifas que expiram nesta sexta-feira pela nova sobretaxa de 12,5% cria um cenário de transição. Quem tem embarques programados precisa verificar qual alíquota será aplicada na entrada dos EUA. O ideal é consultar o importador ou o despachante aduaneiro para confirmar a data de vigência.

Outro ponto: a possibilidade de retaliação brasileira via Lei da Reciprocidade pode gerar novas tarifas sobre produtos americanos, o que afeta quem importa insumos ou maquinário dos EUA. O dono de PME que depende de componentes importados deve considerar encomendas antecipadas ou buscar fornecedores alternativos em outros mercados.

Perguntas Frequentes

A tarifa de 12,5% já está valendo?

A nota do governo brasileiro foi divulgada nesta quinta-feira após o anúncio do USTR. A nova sobretaxa substitui tarifas que expiram nesta sexta-feira, então a vigência começa a partir dessa data.

Quais produtos brasileiros são afetados?

A sobretaxa de 12,5% afeta quase a totalidade das exportações brasileiras para os EUA, segundo a nota do Palácio do Planalto.

O Brasil vai retaliar os EUA?

O governo brasileiro voltou a mencionar a Lei da Reciprocidade, mas a nota não anunciou medidas imediatas de retaliação.

A tarifa de 25% ainda vale?

A tarifa de 25% anunciada na semana passada foi substituída pela nova sobretaxa de 12,5%, que unifica as penalidades sobre os produtos brasileiros.

Como isso afeta o consumidor brasileiro?

O impacto indireto pode vir da redução de exportações, o que afeta a geração de divisas e pode pressionar o câmbio. Para o consumidor final, o efeito mais imediato é sobre produtos que dependem de insumos importados dos EUA.

Lei da Reciprocidade e comércio exterior Como calcular margem de exportação com tarifa Impacto de tarifas dos EUA sobre PMEs brasileiras

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