# Google fecha maior acordo de remoção de carbono no Brasil

> O Google firmou seu maior acordo de remoção de carbono no Brasil com a startup Terradot, no Rio Grande do Sul. O projeto combina abatimento de metano e captura de CO₂ em mais de 200 mil hectares de arroz, marcando a maior iniciativa do tipo já apoiada pela empresa no país.

*Global Forum · Economia · 17 de setembro de 2026 · Fábio Quaresma*

O Google fechou seu maior acordo de remoção de carbono até hoje, apoiando um projeto da Terradot no Rio Grande do Sul que une abatimento de metano e captura de CO₂ em mais de 200 mil hectares de arroz.

O Google fechou seu maior acordo de remoção de carbono até hoje, apoiando um projeto da Terradot no Brasil que busca reduzir as emissões de metano do cultivo de arroz e capturar dióxido de carbono da atmosfera, segundo executivos ouvidos pela Reuters. O anúncio foi feito em Londres, em 16 de setembro.

Abrangendo mais de 200 mil hectares no Rio Grande do Sul, o projeto é o maior de intemperismo acelerado de rochas já realizado. A técnica acelera um processo natural pelo qual determinadas rochas absorvem CO₂ da atmosfera. É a primeira iniciativa nessa escala a combinar abatimento de metano e remoção de carbono, segundo Randy Spock, diretor de remoção de carbono do Google.

## O que o projeto prevê

A meta é gerar 1 milhão de toneladas métricas de créditos de abatimento de metano até 2030 e 1 milhão de toneladas de créditos de remoção de carbono até 2040, produzidos e verificados separadamente. A parte de remoção de carbono do acordo é dez vezes maior do que projetos anteriores de intemperismo acelerado de rochas.

Combater as emissões de metano ajuda a desacelerar o aquecimento global, já que o gás aquece a atmosfera mais rápido que o dióxido de carbono. Ainda assim, a remoção de CO₂ segue necessária para lidar com séculos de emissões acumuladas.

"Precisamos fazer as duas coisas. Não temos o luxo de concentrar todos os nossos recursos apenas no combate aos superpoluentes de curta duração, nem de dedicar todos os nossos recursos exclusivamente à expansão da remoção de carbono de longo prazo", disse Spock.

## Por que o arroz entra na conta

Os arrozais irrigados respondem por 10% a 12% das emissões globais de metano, segundo uma avaliação de 2021 do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). A aceleração das medidas para reduzir o metano deve ser um dos temas centrais da COP31, que será realizada na Turquia ainda este ano.

As empresas disseram que o modelo poderá ser expandido futuramente para os 1,5 milhão de hectares de arrozais do Brasil e replicado em outras regiões produtoras de arroz, como Índia e Vietnã. A Terradot planeja lançar projetos-piloto em vários países em 2026, com expansão comercial prevista para 2028.

## Preço dos créditos e histórico

Google e Terradot não divulgaram o preço dos créditos. Um acordo divulgado em 2024 para a compra de 90 mil toneladas de remoção de carbono da Terradot indicava um preço de cerca de US$ 300 por tonelada, bem acima do patamar de US$ 100 por tonelada que muitos desenvolvedores consideram necessário para estimular uma demanda mais ampla.

O CEO da Terradot, James Kanoff, afirmou que o novo projeto será mais barato do que os acordos anteriores e, embora ainda não tenha atingido US$ 100 por tonelada, representa "um grande passo nessa direção". A Terradot afirmou que, como a verificação pode adicionar mais de US$ 100 por tonelada aos custos do intemperismo acelerado de rochas, permitir que a remoção de carbono se acumule por mais tempo antes da verificação por terceiros ajudará a reduzir esses custos no novo projeto.

As grandes empresas de tecnologia enfrentam pressão para ampliar investimentos em energia limpa e remoção de carbono, a fim de compensar as emissões dos centros de dados impulsionados pela inteligência artificial. O Google é investidor da Terradot desde 2024, quando adquiriu participação na empresa. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) afirmou que a remoção de carbono será necessária para atingir as metas climáticas globais, embora críticos argumentem que essa estratégia pode permitir que empresas continuem poluindo no presente.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/google-fecha-maior-acordo-remocao-carbono-sua-historia-projeto-brasil/
