Economia

Gilmar: tentaram arrastar STF para eleições e ficar impunes

ResumoGilmar Mendes afirmou que setores tentaram arrastar o Supremo Tribunal Federal para o processo eleitoral com o objetivo de garantir impunidade. A declaração ocorreu após André Mendonça solicitar à Polícia Federal relatório sobre conversas de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes, pedido classificado por Mendonça como leviano e que gerou cobrança de respeito entre os ministros.

Gilmar Mendes acusou André Mendonça de tentar influenciar o processo eleitoral ao pedir relatório da PF sobre conversas de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes. Mendonça classificou a fala como leviana e cobrou respeito.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 15 de setembro de 2026
Gilmar: tentaram arrastar STF para eleições e ficar impunes

O decano do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, acusou o ministro André Mendonça de tentar influenciar o processo eleitoral ao pedir um relatório da Polícia Federal sobre as conversas do banqueiro Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes. A fala ocorreu durante a sessão que analisa a abertura de investigação contra Moraes.

A resposta direta ao caso: segundo Gilmar, embora já houvesse suspeitas do elo entre o ministro e Vorcaro desde o início de março deste ano, Mendonça teria aguardado o período eleitoral para encomendar o relatório à PF, que, na avaliação do decano, muito provavelmente implicaria exatamente quem ele buscava implicar.

Antes de levar o caso ao plenário, ainda conforme Gilmar, o ministro indicado por Jair Bolsonaro levantou o sigilo do relatório a fim de constranger qualquer posição contrária à sua atuação. O decano afirmou ter defendido ao presidente do STF, Edson Fachin, e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a necessidade de separar a Corte das eleições.

Contrário do que se faz aqui. E se deram muito mal, porque são aprendizes de feiticeiro. Tentaram arrastar o Supremo Tribunal Federal para esse tipo de prática e pensaram que iriam ficar imunes e impunes. É de uma desfaçatez de corar frade de pedra, disse Gilmar. Ele acrescentou que a medida se justificaria em nome de Deus e completou: Como em nome de Deus já se fez muita patifaria.

No meio da fala do decano, Mendonça fez uma interferência e disse que todos os vazamentos têm determinação de instauração de inquérito, que estão sendo conduzidos pela própria Polícia Federal.

Gilmar fez referência a Mendonça e disse: É evidente que se trata de um pixuleco, de um boneco eleitoral. É disso que nós estamos falando. Em referência ao colega, falou em conduta mafiosa. Quem detém sozinho aquilo que pode alcançar outros integrantes do colegiado passa a exercer sobre eles algum tipo de ascendência, declarou.

Relação de máfia. E isso não se faz, não é ambiente de pessoas dignas, continuou. Mesmo um colega que esteja eventualmente envolvido, que teve um filho, não pode estar submetido a esse tipo de vexame. É uma atitude covarde, vil. Eu já disse isso em outro momento. Até a máfia tem ética. É preciso ter decência.

Após a fala, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou um intervalo de uma hora no julgamento, por conta da exibição do horário eleitoral nas televisões, o que pausaria a transmissão da sessão pela TV Justiça.

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