# Fluxo de navios no Estreito de Ormuz cai a níveis mínimos

> O Estreito de Ormuz registrou apenas três travessias de navios na quarta-feira, segundo levantamento preliminar da Kpler, configurando queda brusca no fluxo de cargueiros. O chefe de Engajamento de Mercado da Kpler avalia que o estreitamento logístico impõe pressão estrutural sobre o mercado de petróleo.

*Global Forum · Economia · 17 de setembro de 2026 · Fábio Quaresma*

Levantamento preliminar da Kpler aponta queda brusca no trânsito de cargueiros pelo Estreito de Ormuz, com apenas três travessias na quarta-feira. O chefe de Engajamento de Mercado da empresa vê pressão estrutural sobre o petróleo.

O número de navios cargueiros que cruzam o Estreito de Ormuz caiu nesta semana ao menor patamar desde que as tensões militares na região se intensificaram. Dados preliminares de rastreamento divulgados na quinta-feira (16) pela Kpler, empresa especializada em dados globais de navegação, apontam apenas três travessias de cargueiros na quarta-feira, contra cerca de doze no dia anterior.

O volume contrasta com a média dos dez dias anteriores, de aproximadamente dezessete navios por dia. Das três travessias monitoradas, só um navio vazio da categoria Supramax, um tipo de grande graneleiro, entrou no Estreito pela rota iraniana.

## O que os números de Ormuz mostram

A leitura desses dados exige uma ressalva técnica. Segundo fontes da área de navegação citadas por sites especializados, as estatísticas contabilizam apenas embarcações detectadas visualmente. Ficam de fora os navios que atravessam a via com os transponders desligados, prática usada para evitar detecção e reduzir riscos à segurança dos cargueiros. Ou seja, o número real de trânsitos pode ser maior do que o registrado.

O Estreito de Ormuz concentra parte relevante do escoamento mundial de petróleo, e qualquer oscilação no fluxo de embarcações tende a repercutir nos preços internacionais. Quem acompanha o orçamento doméstico sente esse efeito mais adiante, na bomba e no custo do frete.

## Preço do barril e pressão estrutural

Nesta quinta-feira (17), Matt Stanley, chefe de Engajamento de Mercado da Kpler para Europa, Oriente Médio e África, comentou na CNBC que a alta dos preços do petróleo está se tornando estrutural. Para ele, o barril a US$ 150 segue na mesa para 2027, e as pressões de preço deixaram de ser um fenômeno de curto prazo.

Stanley afirmou ainda que a Europa pode ser a primeira a sentir o impacto, por causa da pressão sobre o diesel e o combustível de aviação. A capacidade limitada das refinarias e os fluxos perturbados do Mar Vermelho e de Ormuz ameaçam elevar os preços na bomba.

Uma ponderação do próprio executivo é que preços mais altos podem conter a demanda, o que ofereceria algum alívio temporário. Para o consumidor brasileiro, vale acompanhar como esse movimento chega ao diesel e, por consequência, ao custo de transporte de alimentos e mercadorias. É o tipo de pressão que aparece devagar no caixa da família e exige atenção no orçamento.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/fluxo-navios-carga-estreito-ormuz-cai-niveis-minimos-diz-empresa/
