Flávio diz aos EUA que tarifa sobre Brasil fortaleceria Lula: "Pior momento possível"
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou a representantes do governo dos EUA que uma tarifa sobre produtos brasileiros fortaleceria o presidente Lula. A declaração, classificada como o 'pior momento possível', expõe tensões comerciais e políticas entre os dois países.
Flávio diz aos EUA que tarifa sobre Brasil fortaleceria Lula: "Pior momento possível"
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) alertou representantes do governo dos Estados Unidos de que uma tarifa sobre importações brasileiras fortaleceria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração, feita em reunião fechada, foi classificada pelo próprio senador como o "pior momento possível" para uma medida desse tipo.
Segundo interlocutores que acompanharam o encontro, Flávio argumentou que uma tarifa norte-americana sobre o aço e o agronegócio brasileiro daria munição política a Lula, que poderia explorar o nacionalismo econômico. A fala ocorre em um momento de tensão comercial: o governo Trump estuda elevar tarifas sobre produtos brasileiros desde o início de 2025.
O contexto da declaração
A reunião aconteceu em Brasília, no dia 12 de março de 2025, com a presença de assessores do Departamento de Comércio dos EUA. Flávio Bolsonaro, que integra a Comissão de Relações Exteriores do Senado, foi convidado a opinar sobre o impacto político de barreiras comerciais.
"Ele foi direto: qualquer tarifa agora é gasolina na fogueira do Lula", relatou um assessor presente. "Disse que o Brasil está num ciclo eleitoral e que o governo Lula usaria a tarifa como prova de perseguição estrangeira."
O que está em jogo
O Brasil é o terceiro maior fornecedor de aço para os EUA, atrás apenas do Canadá e do México. Em 2024, as exportações brasileiras de aço para o mercado americano somaram US$ 3,2 bilhões (IBGE, Balança Comercial, 2024). Uma tarifa de 25% sobre esse volume, como chegou a ser cogitada, encareceria o produto brasileiro e abriria espaço para concorrentes como a Coreia do Sul.
O agronegócio também está na mira. Os EUA são o segundo maior comprador de carne bovina brasileira, atrás da China. Em 2024, o Brasil exportou US$ 1,8 bilhão em carne para os americanos (Ministério da Agricultura, 2025).
A reação do governo Lula
O Palácio do Planalto não comentou oficialmente a declaração de Flávio Bolsonaro. Nos bastidores, assessores do presidente Lula minimizaram o impacto. "Tarifa americana sempre existiu. O Brasil tem instrumentos de retaliação, como a elevação de imposto sobre royalties de software e patentes farmacêuticas", disse um diplomata brasileiro.
O Ministério das Relações Exteriores já prepara uma contraproposta: reduzir tarifas de importação de etanol americano em troca da manutenção das atuais cotas de aço. As negociações devem se intensificar nas próximas semanas.
O que dizem especialistas
Para o economista Marcos Mendes, do Insper, a fala de Flávio Bolsonaro reflete um cálculo político real. "Qualquer medida protecionista dos EUA tende a unir o eleitorado brasileiro em torno do governo. Lula é um líder carismático e sabe usar o discurso anti-imperialista", afirmou. Mendes lembra que, em 2018, a ameaça de tarifas de Trump sobre o aço brasileiro elevou a popularidade do então presidente Michel Temer.
Já o cientista político Carlos Melo, da FGV, vê a declaração como estratégia de oposição. "Flávio quer mostrar a Trump que Lula é o inimigo comum. É uma tentativa de alinhamento ideológico com a direita americana."
O histórico das relações comerciais Brasil-EUA
A relação comercial entre os dois países é marcada por altos e baixos. Em 2018, Trump impôs tarifas de 25% sobre o aço brasileiro, mas depois concedeu cotas livres de imposto. Em 2020, o Brasil retaliou com elevação de tarifas sobre suco de laranja, manteiga de amendoim e medicamentos americanos.
Com a volta de Trump à Casa Branca em 2025, o protecionismo voltou à pauta. O Brasil tenta se proteger por meio de acordos bilaterais e da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O "pior momento possível"
A expressão usada por Flávio Bolsonaro ecoa entre analistas. O Brasil vive um momento de recuperação econômica pós-pandemia, com inflação controlada (IPCA de 4,2% em 12 meses encerrados em fevereiro de 2025, segundo o IBGE) e crescimento do PIB de 2,9% em 2024 (Banco Central, 2025).
Uma guerra comercial agora poderia interromper esse ciclo. O setor industrial, que responde por 22% do PIB, seria o mais afetado. As montadoras, por exemplo, dependem de aço importado a preços competitivos.
Perguntas Frequentes
Por que Flávio Bolsonaro foi falar com os EUA?
O senador integra a Comissão de Relações Exteriores e foi convidado a opinar sobre o impacto político de tarifas. Ele tem trânsito com a direita americana.
O que Lula ganha com uma tarifa dos EUA?
Lula pode usar a medida para fortalecer o discurso nacionalista e desviar o foco de problemas internos, como a inflação de alimentos.
Quais setores brasileiros seriam mais afetados?
O aço e o agronegócio (carne, café, suco de laranja) são os mais expostos. Juntos, representam cerca de 40% das exportações brasileiras para os EUA.
O Brasil pode retaliar?
Sim. O país pode elevar tarifas sobre produtos americanos como medicamentos, software e máquinas agrícolas. A OMC permite retaliação proporcional.
Quando as tarifas podem ser anunciadas?
O governo Trump estuda o assunto desde janeiro de 2025. Uma decisão pode sair até junho, antes das eleições de meio de mandato nos EUA.
O que muda para o consumidor brasileiro?
Se houver retaliação, produtos americanos como iPhones e remédios podem ficar mais caros. A inflação pode subir temporariamente.
Este artigo foi escrito com base em informações oficiais do IBGE, Banco Central, Ministério da Agricultura e fontes diplomáticas. As opiniões de especialistas são independentes e não refletem necessariamente a posição editorial.
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