# Fazenda recusa reunião com DF sobre empréstimo para salvar BRB

> O Ministério da Fazenda recusou o pedido de reunião do governo do Distrito Federal com o secretário-executivo Dario Durigan para discutir o empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao Banco de Brasília (BRB). A negativa ocorre em meio a questionamentos sobre a operação de socorro financeiro. O governo do DF busca alternativas para viabilizar o aporte, sem data definida para novo encontro.

*Global Forum · Economia · 02 de setembro de 2026 · Fábio Quaresma*

O Ministério da Fazenda recusou o pedido de reunião do governo do DF com o ministro Dario Durigan sobre o empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao BRB. Entenda os próximos passos.

O aperto no orçamento do Distrito Federal agora tem um novo capítulo: o Ministério da Fazenda recusou o pedido de reunião do governo local com o ministro Dario Durigan para tratar do empréstimo de R$ 6,6 bilhões solicitado ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para salvar o Banco de Brasília (BRB). A decisão, comunicada em ofício na segunda-feira, muda os rumos das negociações e coloca o DF diante da necessidade de buscar saídas diretamente com o mercado.

O que mudou? O chefe de gabinete de Durigan, Fábio Terra, enviou um documento ao governo local explicando que a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) vêm representando a União nas tratativas. No ofício, ele afirmou que a estruturação da operação não faz parte das atribuições do Governo Federal e que o Distrito Federal precisa articular com instituições financeiras e demais agentes do mercado. "Considerando que a estruturação e a execução da operação não se inserem nas atribuições do Governo Federal, o que nunca impediu que ajudássemos no que coubesse, entende-se necessária a articulação, pelo Distrito Federal, com as instituições financeiras e demais agentes do mercado, inclusive para a definição dos elementos concretos da operação", escreveu Terra, em trecho do ofício ao qual O GLOBO teve acesso.

Apesar da recusa, a Fazenda deixou uma porta aberta: Terra ponderou que a pasta permanece à disposição para participar de reuniões e auxiliar na coordenação dos encaminhamentos necessários à implementação da operação. Ou seja, o governo federal não sai de cena, mas muda o papel: em vez de conduzir, passa a apoiar.

## Por que a reunião foi pedida?

No dia 20 de agosto, a governadora do DF, Celina Leão (PP), havia solicitado o encontro com Durigan para dar continuidade às tratativas da estruturação da operação de crédito. O formato do empréstimo foi definido em audiência de conciliação entre a União e o governo local no Supremo Tribunal Federal (STF), em maio. Pelo acordo, o empréstimo seria garantido por um grupo de bancos, que teriam como contragarantia o fluxo do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) do DF, calculado em R$ 1,6 bilhão por ano.

Celina também queria que Durigan avaliasse a viabilidade de convidar os bancos envolvidos na discussão: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, BTG Pactual e XP Investimentos. A lista mostra a dimensão da operação: são sete instituições de peso, cada uma com seus próprios critérios de risco.

## As dúvidas dos bancos sobre a segurança jurídica

O entrave central está na segurança jurídica das contragarantias. As instituições financeiras têm receio de que, no caso de calote do DF, os recursos do FPE e do FPM não sejam acessíveis, já que esses fundos são usados para custear políticas essenciais no ente federativo. Em outras palavras, os bancos temem ficar sem garantia real em um cenário de inadimplência.

Esse ponto é crítico porque define se as instituições vão topar ou não entrar na operação. Sem uma garantia sólida, dificilmente um banco privado assume o risco de emprestar R$ 6,6 bilhões a um ente que já enfrenta dificuldades fiscais.

## O tamanho do rombo no BRB: R$ 6,6 bi é suficiente?

Outra preocupação que circula no mercado é se o valor do empréstimo será suficiente para salvar o BRB de verdade. A instituição estatal ainda não divulgou o balanço, o que mantém acesa a dúvida sobre a real extensão do problema. Há quem tema que, mesmo com os R$ 6,6 bilhões, o banco possa enfrentar novas dificuldades em um futuro próximo.

As estimativas da cúpula do BRB apontam que o buraco no balanço é de R$ 8,8 bilhões. Esse número, se confirmado, indica que o valor solicitado ao FGC cobre parte relevante do rombo, mas não necessariamente todo ele. A diferença entre os R$ 6,6 bilhões do empréstimo e os R$ 8,8 bilhões estimados de prejuízo é um dado que o mercado acompanha de perto.

## O contexto político e a crise com o Banco Master

Celina, que está em campanha pelo Palácio do Buriti, vem sendo cobrada pelos concorrentes pela crise no BRB. O banco está em dificuldade desde que vieram a público as suspeitas de operações fraudulentas com o Banco Master, que deixaram um rombo bilionário no balanço. Essa exposição colocou a gestão do banco sob holofotes e transformou o caso em tema de disputa política no DF.

Para quem acompanha finanças públicas, o caso ilustra como a combinação de gestão de risco frágil e exposição a operações complexas pode gerar consequências sistêmicas. A lição prática: quando um banco estatal se envolve em operações de alto risco, o contribuinte local acaba sendo o fiador final.

## O que esperar dos próximos passos

Com a recusa da Fazenda, o DF terá de articular sozinho com as instituições financeiras. A governadora já demonstrou disposição para dialogar, mas agora o caminho é outro: convencer os bancos de que a operação é segura, mesmo com as dúvidas sobre as contragarantias.

A resposta dos bancos será decisiva. Se eles aceitarem entrar, o empréstimo ao FGC pode sair. Se não, o DF terá de buscar alternativas, possivelmente com novas rodadas de negociação ou ajustes no desenho da operação. O mercado segue atento à divulgação do balanço do BRB, que deve trazer mais clareza sobre o tamanho real do problema.

## Perguntas Frequentes

### Por que a Fazenda recusou a reunião com o DF?

A Fazenda entende que a estruturação da operação não é atribuição do Governo Federal. Em ofício, afirmou que AGU e PGFN representam a União e que o DF precisa articular com o mercado.

### Qual o valor do empréstimo solicitado ao FGC?

O pedido é de R$ 6,6 bilhões, com garantia de bancos e contragarantia do FPE e FPM do DF, calculada em R$ 1,6 bilhão por ano.

### Quais bancos estão envolvidos na discussão?

Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, BTG Pactual e XP Investimentos.

### Qual o tamanho do rombo estimado no BRB?

Estimativas da cúpula do BRB apontam um buraco de R$ 8,8 bilhões no balanço.

### O que muda com a recusa da Fazenda?

O DF terá de articular diretamente com as instituições financeiras, sem a condução do governo federal, embora a pasta continue à disposição para auxiliar.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/fazenda-recusa-reuniao-df-sobre-emprestimo-salvar-brb/
