Fachin reúne ministros do STF sobre crise antes de sessão
Presidente do STF, Edson Fachin fez rodada de conversas com ministros nos últimos dias para discutir a crise na Corte antes da sessão extraordinária desta terça-feira, quando o plenário analisa se há elementos para investigar a conduta de Alexandre de Moraes.
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, conduziu uma rodada de reuniões separadas com ministros da Corte nos últimos dias para tratar da crise interna provocada pelas revelações sobre a proximidade de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, do Banco Master, e pela atuação de André Mendonça na condução das investigações. As consultas ocorreram antes da sessão extraordinária desta terça-feira.
O plenário deve analisar se há elementos para abrir investigação sobre a conduta de Moraes, a partir de mensagens encontradas no aparelho celular de Vorcaro. O material está em relatório da Polícia Federal que identificou o ministro como interlocutor do ex-banqueiro.
Segundo relatos de interlocutores, Fachin buscou mais ouvir os colegas do que antecipar posições. Ele ouviu avaliações sobre o rito e a forma de condução do julgamento, mas não indicou qual caminho pretendia seguir diante das ponderações apresentadas.
Na quarta-feira da semana passada, esteve com Flávio Dino e com Moraes, separadamente. Naquele dia, assinou um pacote de decisões para tentar arrefecer a crise, entre elas o agendamento da sessão desta terça. Na quinta, voltou a se reunir com Moraes, Mendonça, Dias Toffoli, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. Também tem mantido conversas por telefone. Nesta segunda pela manhã, esteve novamente com Nunes Marques.
A Corte hoje se divide em dois grupos. São próximos de Moraes os ministros Gilmar Mendes, decano da Corte, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Do outro lado estão Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Fachin e Cármen Lúcia não estão ligados a nenhuma das alas. Dias Toffoli já foi próximo do grupo de Moraes, mas hoje está afastado.
A crise já produziu efeitos em processos no Supremo. Fachin retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news, aberto há sete anos, e deverá assumir pessoalmente a condução da investigação. A medida buscou conter o embate entre os ministros, já que Moraes usou desse inquérito para pedir a investigação contra Mendonça, apontando parcialidade na condução dos inquéritos do Banco Master e do INSS.
Para viabilizar o julgamento desta terça, Fachin assumiu a relatoria do procedimento que envolve Moraes e determinou que as investigações relacionadas aos casos do Banco Master e do INSS sejam encaminhadas à Presidência do STF. A sessão contará com regime de segurança reforçado e celulares lacrados.
O presidente da Corte também conversou com interlocutores fora do Supremo, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros Wellington César Lima e Silva, da Justiça e Segurança Pública, e Jorge Messias, da Advocacia-Geral da União, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.