Economia

Fachin reúne ministros do STF sobre crise antes de sessão

ResumoEdson Fachin, presidente do STF, conduziu nos últimos dias uma rodada de conversas com ministros da Corte para tratar da crise interna antes da sessão extraordinária desta terça-feira. O plenário analisa se existem elementos para investigar a conduta do ministro Alexandre de Moraes.

Presidente do STF, Edson Fachin fez rodada de conversas com ministros nos últimos dias para discutir a crise na Corte antes da sessão extraordinária desta terça-feira, quando o plenário analisa se há elementos para investigar a conduta de Alexandre de Moraes.

Marcelo Iorio
Marcelo Iorio Consultor de planejamento empresarial · 15 de setembro de 2026
Fachin reúne ministros do STF sobre crise antes de sessão

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, conduziu uma rodada de reuniões separadas com ministros da Corte nos últimos dias para tratar da crise interna provocada pelas revelações sobre a proximidade de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, do Banco Master, e pela atuação de André Mendonça na condução das investigações. As consultas ocorreram antes da sessão extraordinária desta terça-feira.

O plenário deve analisar se há elementos para abrir investigação sobre a conduta de Moraes, a partir de mensagens encontradas no aparelho celular de Vorcaro. O material está em relatório da Polícia Federal que identificou o ministro como interlocutor do ex-banqueiro.

Segundo relatos de interlocutores, Fachin buscou mais ouvir os colegas do que antecipar posições. Ele ouviu avaliações sobre o rito e a forma de condução do julgamento, mas não indicou qual caminho pretendia seguir diante das ponderações apresentadas.

Na quarta-feira da semana passada, esteve com Flávio Dino e com Moraes, separadamente. Naquele dia, assinou um pacote de decisões para tentar arrefecer a crise, entre elas o agendamento da sessão desta terça. Na quinta, voltou a se reunir com Moraes, Mendonça, Dias Toffoli, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. Também tem mantido conversas por telefone. Nesta segunda pela manhã, esteve novamente com Nunes Marques.

A Corte hoje se divide em dois grupos. São próximos de Moraes os ministros Gilmar Mendes, decano da Corte, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Do outro lado estão Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Fachin e Cármen Lúcia não estão ligados a nenhuma das alas. Dias Toffoli já foi próximo do grupo de Moraes, mas hoje está afastado.

A crise já produziu efeitos em processos no Supremo. Fachin retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news, aberto há sete anos, e deverá assumir pessoalmente a condução da investigação. A medida buscou conter o embate entre os ministros, já que Moraes usou desse inquérito para pedir a investigação contra Mendonça, apontando parcialidade na condução dos inquéritos do Banco Master e do INSS.

Para viabilizar o julgamento desta terça, Fachin assumiu a relatoria do procedimento que envolve Moraes e determinou que as investigações relacionadas aos casos do Banco Master e do INSS sejam encaminhadas à Presidência do STF. A sessão contará com regime de segurança reforçado e celulares lacrados.

O presidente da Corte também conversou com interlocutores fora do Supremo, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros Wellington César Lima e Silva, da Justiça e Segurança Pública, e Jorge Messias, da Advocacia-Geral da União, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

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