Eurasia: Vitória de Lula nas eleições pode dificultar redução de tarifas dos EUA
A consultoria Eurasia aponta que a vitória de Lula nas eleições de 2026 pode dificultar a redução de tarifas comerciais dos EUA, elevando o risco geopolítico para o Brasil. O alerta considera o histórico de divergências e a atual conjuntura internacional.
Eurasia: Vitória de Lula nas eleições pode dificultar redução de tarifas dos EUA
A consultoria Eurasia, referência em análise de risco geopolítico, alerta que a reeleição de Lula nas eleições de 2026 pode dificultar a redução de tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. O cenário, segundo a análise divulgada em maio de 2026, considera o histórico de divergências diplomáticas entre o governo brasileiro e a administração americana. A pergunta que fica: quem paga a conta de um eventual recrudescimento tarifário?
Segundo a consultoria Eurasia, a vitória de Lula nas eleições de 2026 pode dificultar a redução de tarifas comerciais dos Estados Unidos, elevando o risco geopolítico para o Brasil. O alerta considera o histórico de divergências e a atual conjuntura internacional.
O alerta da Eurasia sobre tarifas e risco político
A Eurasia classificou o Brasil como um dos países com maior probabilidade de enfrentar barreiras comerciais no curto prazo. A análise aponta que, sob um novo mandato de Lula, a política externa brasileira tende a priorizar alianças no Sul Global, o que reduziria a margem para negociações bilaterais com Washington.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que os EUA foram o segundo maior parceiro comercial do Brasil em 2025, com corrente de comércio de US$ 75 bilhões. Qualquer dificuldade tarifária afeta diretamente setores como siderurgia, aviação e suco de laranja.
Histórico de divergências: Lula e a política externa
O governo Lula (2003-2010) foi marcado por embates comerciais com os EUA, especialmente na OMC sobre subsídios agrícolas e cotas de etanol. A postura de alinhamento com países emergentes, como o BRICS, criou atritos que a Eurasia considera recorrentes.
Em 2025, o governo brasileiro criticou publicamente as tarifas americanas sobre aço e alumínio, sem sucesso em reverter a medida. A consultoria sugere que, com Lula, o tom crítico se intensificaria, dificultando acordos de redução tarifária.
O cenário americano e a relação bilateral
Do lado americano, a administração de Donald Trump (ou seu sucessor) tem adotado uma política de "America First", priorizando acordos com aliados estratégicos como México e Canadá. O Brasil, por sua vez, não é membro da OTAN e não possui acordo de livre comércio com os EUA.
A Eurasia destaca que a redução de tarifas depende de boa vontade política e de concessões mútuas. Com Lula, a margem para concessões em áreas como propriedade intelectual e compras governamentais seria reduzida, travando as negociações.
Impactos setoriais: quem perde e quem ganha
Setores exportadores brasileiros seriam os mais afetados. A siderurgia, que responde por 15% das exportações aos EUA, já opera com margens apertadas. O suco de laranja, que enfrenta tarifas de até 30%, veria qualquer alívio tarifário ficar mais distante.
Por outro lado, setores que competem com importados americanos, como o de máquinas e equipamentos, poderiam se beneficiar de tarifas mais altas, protegendo a indústria nacional. A pergunta central é: o custo político da proteção vale o benefício?
O que dizem os analistas
A Eurasia não é a única a soar o alarme. O Banco Central, em seu Relatório de Inflação de maio de 2026, destacou que a incerteza tarifária eleva o prêmio de risco do Brasil, pressionando o câmbio e a inflação. A taxa de câmbio, que fechou maio em R$ 5,80, reflete esse temor.
Para o economista Pedro Mendes, da FGV, "a redução de tarifas depende de um alinhamento político que, no atual cenário, parece improvável". Ele ressalta que o Brasil precisa diversificar parceiros comerciais para não depender exclusivamente dos EUA.
Cenários futuros e recomendações
A Eurasia projeta dois cenários principais. No primeiro, com Lula reeleito e política externa assertiva, as tarifas americanas permanecem elevadas, e o Brasil busca acordos com China e União Europeia. No segundo, um eventual governo de centro-direita, como o de Tarcísio de Freitas, abriria espaço para negociações, reduzindo o risco.
Para empresas exportadoras, a recomendação é clara: diversificar mercados e se preparar para um ambiente tarifário adverso. A política comercial brasileira e seus desafios deve ser monitorada de perto.
Perguntas Frequentes
O que é a Eurasia?
A Eurasia Group é uma consultoria de risco político com sede em Nova York, referência global em análises geopolíticas.
Por que Lula dificultaria a redução de tarifas?
Por seu histórico de divergências com os EUA em comércio e política externa, priorizando alianças no Sul Global.
Quais setores seriam mais afetados?
Siderurgia, suco de laranja, aviação e etanol, que dependem do mercado americano.
Há chance de acordo mesmo com Lula?
Sim, mas reduzida. Acordos pontuais em setores específicos são possíveis, mas a redução ampla de tarifas é improvável.
O que o Brasil pode fazer para mitigar o risco?
Diversificar parceiros comerciais, como China e União Europeia, e fortalecer o Mercosul.
Como o câmbio reage a esse cenário?
A incerteza tarifária eleva o prêmio de risco, pressionando a taxa de câmbio para cima, como observado em maio de 2026.