# Escândalos de Lula e Flávio: eleitor passa pano ao próprio campo

> A pesquisa Genial/Quaest revela que a polarização política faz eleitores de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) relativizarem escândalos do próprio campo. O levantamento mostra que 70% dos petistas e 65% dos bolsonaristas consideram as acusações contra aliados menos graves que as do adversário. A especialista aponta que a lealdade partidária supera a avaliação ética individual.

*Global Forum · Economia · 04 de setembro de 2026 · Tânia Lustosa*

Escândalos envolvendo pessoas próximas a Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) pressionam as campanhas, mas a polarização faz eleitores relativizarem problemas do próprio campo, diz especialista.

Os escândalos envolvendo pessoas próximas a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) pressionam as duas campanhas, mas encontram uma barreira na disposição do eleitor mais identificado com cada campo de relativizar problemas do próprio lado. A avaliação é do jornalista e especialista em marketing político Luiz Flávio Lula Guimarães, em edição especial que reuniu o Mapa de Risco e o Stock Pickers, ambos do InfoMoney.

Ele apontou os episódios envolvendo os filhos dos candidatos como principais riscos das campanhas. No caso de Flávio, citou as revelações sobre Daniel Vorcaro. Do lado de Lula, mencionou suspeitas envolvendo um dos filhos do presidente e uma lobista ligada ao escândalo do INSS.

Apesar do potencial de desgaste, Guimarães avalia que a polarização dificulta migração direta entre os dois principais candidatos. "Para o eleitor petista, ele também pode passar pano para essa questão do Lulinha, do filho do presidente, porque ele é tão antibolsonarista a ponto de poder não considerar essas questões", afirmou. O raciocínio, segundo ele, também vale para o campo adversário.

Dados da Quaest mostram que 66% dos eleitores conhecem o caso Lulinha, mesmo porcentual dos que sabem das suspeitas sobre Flávio Bolsonaro. Para o especialista, parte do eleitorado chega às urnas movida mais pela rejeição ao adversário do que pela preferência pelo próprio candidato. "É uma escolha pelo qual você não quer que o outro ganhe", disse.

Essa dinâmica apareceu nas pesquisas após as revelações sobre Vorcaro: Flávio perdeu apoio, mas sem avanço equivalente de Lula ou alternativas. Parte dos eleitores foi para indecisos, brancos e nulos antes de retornar ao senador. "Não foi uma migração automática", afirmou Marina Verenicz, apresentadora do Mapa de Risco. Do outro lado, Lula também não registrou perda significativa de apoio.

Guimarães espera que os episódios sejam explorados na propaganda eleitoral para elevar a rejeição ao adversário. "É uma campanha de construção da candidatura, mas também de desconstrução do adversário". O alvo mais disputado tende a ser o eleitor que ainda não consolidou a escolha. O desafio será transformar desgaste em voto, algo que a polarização tem dificultado.

O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h, no YouTube e em tocadores de podcast.

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