Disputa de quase 200 anos entre Argentina e Reino Unido por Malvinas
A disputa de quase 200 anos entre Argentina e Reino Unido pelas Ilhas Malvinas voltou a esquentar. Milei anunciou medidas militares e sanções, enquanto Londres reafirma soberania. Veja o contexto histórico.
A disputa de quase 200 anos entre Argentina e Reino Unido pelas Ilhas Malvinas voltou a ganhar força. O presidente argentino Javier Milei anunciou medidas para ampliar a presença militar no Atlântico Sul e endurecer sanções contra empresas de exploração de petróleo. O governo britânico reagiu reafirmando sua soberania sobre o arquipélago e o compromisso com a vontade dos habitantes.
A tensão ocorre dias depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que revisa a posição neutra americana sobre o arquipélago. O novo episódio reacende uma questão que já levou as duas nações à guerra e segue sem solução.
Os britânicos controlam as ilhas desde 1833, mas Buenos Aires considera o território parte de seu espaço nacional. A origem do conflito remonta à formação dos Estados sul-americanos: após a independência da Espanha, a Argentina passou a reivindicar a soberania sobre ilhas ocupadas por espanhóis e, depois, por forças argentinas. Em 1833, o Reino Unido retomou o controle e estabeleceu administração permanente.
A disputa ganhou dimensão militar em 1982. Em abril daquele ano, a ditadura argentina ordenou a invasão das ilhas. O Reino Unido enviou força militar e, após cerca de dois meses, retomou o controle. Mais de 900 pessoas morreram no conflito.
Para Londres, a posição dos moradores é central: em referendo de 2013, 99,8% optaram pela permanência como território britânico. A Argentina rejeita o resultado e defende que a disputa seja resolvida entre os dois Estados.
A questão ganhou novo componente com a exploração de petróleo e gás na região. Um dos projetos é o Sea Lion, das empresas Navitas Petroleum e Rockhopper Exploration. Buenos Aires vê a exploração como violação de sua soberania.
Foi nesse contexto que Milei anunciou, na quinta-feira, planos de ampliar recursos do Ministério da Defesa para construir base naval na Terra do Fogo e reforçar telecomunicações. Ele também prometeu projeto ao Congresso para endurecer punições e criar um Conselho de Segurança Nacional. Milei citou resolução da ONU que reconhece a disputa e pediu fim de ações unilaterais.
Apesar da retórica mais dura, não há indicação de novo conflito militar. A disputa permanece no campo diplomático e econômico, quase dois séculos depois.