Economia

Encontro no Rio debate papel da mulher preta em postos de decisão

ResumoO Festival Pacto das Pretas, promovido pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial, reúne cerca de 1,5 mil líderes no Rio de Janeiro para debater o papel da mulher negra em cargos de decisão na economia e tecnologia. O evento ocorre em três capitais e busca ampliar a representatividade feminina preta em postos estratégicos.

O Festival Pacto das Pretas, promovido pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial, reúne cerca de 1,5 mil líderes em três capitais para debater o papel da mulher negra em cargos de decisão na economia e tecnologia.

Fábio Quaresma
Fábio Quaresma Especialista em finanças pessoais · 21 de julho de 2026
Encontro no Rio debate papel da mulher preta em postos de decisão

Se você já sentiu que o mercado de trabalho ainda trata a mulher preta como exceção, não como regra, o Festival Pacto das Pretas veio para virar essa chave. A quinta edição do evento, que acontece em 2026, está percorrendo três capitais brasileiras com um objetivo claro: colocar a mulher negra no centro das decisões estratégicas da economia e da tecnologia.

O segundo dia do encontro ocorreu nesta segunda-feira (21), no Museu de Arte do Rio (MAR). O primeiro dia foi em Salvador, na sexta-feira (17), e o terceiro será em São Paulo, na próxima sexta (24). Ao todo, cerca de 1,5 mil líderes participam dos debates, que giram em torno do conceito "Movimento: Mulheres Negras Criando".

O que é o Pacto das Pretas e quem lidera

A iniciativa é liderada pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial (PER), uma plataforma nacional de impacto socioeconômico. O pacto tem 85 empresas signatárias e implementa um Protocolo ESG Racial para o país. O evento conta com apoio de empresas como Aegea, Caixa Capitalização, Banco do Brasil, Vivo, XP Inc e Natura.

A presidente do Conselho Deliberativo do PER, a historiadora Wânia Sant'Anna, explicou à Agência Brasil que o festival não é sobre saúde ou educação. "A grande pauta é empregabilidade, empreendedorismo, economia e empoderamento para estar nesses lugares", afirmou. Ela também destacou que o encontro não ignora os processos discriminatórios nas empresas, que "não lhes dar oportunidades ou minimizar as suas entregas".

A liderança que abre caminhos

A escritora e comunicadora Luna Vitrolira, que participou do encontro no Rio, disse à Agência Brasil que, quando uma mulher negra lidera, dificilmente caminha sozinha. "Ela abre caminhos, compartilha oportunidades e inspira outras mulheres a acreditarem que também podem ocupar espaços de poder e decisão", afirmou.

Luna, que é de Pernambuco, destacou que sua tradição nordestina enxerga a palavra como encontro, memória e ferramenta de mudança. Para ela, é possível falar de negócios e liderança sem perder o afeto e a poesia. "O futuro que queremos construir precisa reconhecer a potência das mulheres negras não como exceção, mas como parte essencial do presente", ressaltou.

Plataforma Black Hub e as cartilhas ESG

Um dos destaques da edição é a Plataforma Black Hub, lançada no dia 17 de junho em São Paulo. O projeto é descrito como um ecossistema digital voltado à educação antirracista, cultura e aceleração profissional. Foi viabilizado pela Lei Rouanet e ancorado por marcas como Banco Itaú, Caixa Capitalização, Bayer e Fujifilm.

Na plataforma, é possível acessar a Cartilha ESG Racial, desenvolvida em parceria com o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife). A publicação traz diretrizes práticas para que o setor corporativo incorpore a pauta antirracista de forma estratégica.

Outro guia é a Cartilha de Enfrentamento à Violência, liderada por Wânia Sant'Anna em parceria com o escritório Daniel Law. O material reúne recomendações e orientações para que empresas criem uma cultura de proteção às mulheres.

Livro e programa de aceleração de talentos

Nas artes, o livro "Vozes que Ocupam" reúne 16 crônicas inéditas de lideranças negras como Djamila Ribeiro, Rodrigo França, Érica Januza e Isabel Fillardis.

O festival também funciona como polo de atração de talentos para o topo do mercado corporativo. O Programa Pacto Transforma selecionou 30 executivas de todo o Brasil para acelerar competências de alta governança, preparando-as para conselhos e cargos de C-Level. Segundo a organização, a presença desse grupo sela o festival como o principal hub de networking qualificado para posições de liderança no país.

Perguntas Frequentes

O que é o Festival Pacto das Pretas?

É um evento que reúne cerca de 1,5 mil líderes para debater empregabilidade, empreendedorismo e o papel da mulher negra em postos de decisão, promovido pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial.

Onde e quando acontece o evento em 2026?

O primeiro dia foi em Salvador (17/07), o segundo no Rio de Janeiro (21/07) e o terceiro será em São Paulo (24/07).

Quem são as lideranças do Pacto das Pretas?

A presidente do Conselho Deliberativo é a historiadora Wânia Sant'Anna. A escritora Luna Vitrolira também participou como comunicadora e cerimonialista.

O que é a Plataforma Black Hub?

É um ecossistema digital de educação antirracista, cultura e aceleração profissional, lançado em 17 de junho em São Paulo, viabilizado pela Lei Rouanet.

Como participar do Programa Pacto Transforma?

O programa seleciona 30 executivas seniores de todo o Brasil para acelerar competências de alta governança e prepará-las para cargos de liderança.

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