# Empresas vão cortar investimento ao mínimo em 2027, prevê Fitch

> Fitch Ratings projeta que 2027 terá o menor ritmo de investimento das empresas brasileiras em anos. A agência prevê cortes ao mínimo para preservar ativos diante dos juros altos. O cenário reflete a prioridade corporativa por liquidez e proteção do caixa em detrimento de expansão.

*Global Forum · Economia · 02 de setembro de 2026 · Tânia Lustosa*

A Fitch Ratings projeta que 2027 terá o menor ritmo de investimento das empresas brasileiras em anos, com cortes ao mínimo para preservar ativos diante dos juros altos.

O aperto de crédito provocado pelos juros altos não deve gerar uma crise, mas o ano de 2027 tende a registrar o menor ritmo de investimento das empresas brasileiras em anos, segundo Renato Donatti, diretor sênior de Corporate, Infraestrutura e Project Finance da Fitch Ratings. A projeção foi apresentada em seminário da agência na terça-feira (1º), em São Paulo.

Diante dos custos elevados, as companhias vão cortar naquilo que podem controlar: os investimentos. "Arrisco dizer que 2027 vai marcar o menor nível de investimento das empresas brasileiras, pelo menos das que a gente cobre, em relação à depreciação", afirmou Donatti. "Talvez o número mágico do investimento seja o mínimo, a depreciação apenas, para preservar a qualidade dos ativos", completou.

A perspectiva de melhora marginal para o ano que vem dependeria da velocidade da redução das taxas de juros. Isso ajuda a explicar os rebaixamentos de rating em 2025: das 25 empresas que tiveram a nota cortada pela Fitch este ano, 40% foram por pressões no fluxo de caixa, com frustrações na capacidade de desalavancagem, e outros 40% por problemas de liquidez ou reestruturação de dívida, incluindo recuperações judiciais.

O diretor não vê risco de liquidez generalizado no Brasil, mas nota maior disposição das companhias de buscar proteção contra credores, na Justiça ou fora dela. Investidores, credores e bancos estão receosos em financiar empresas com balanços estressados que queimam caixa recorrente.

Varejo e consumo sofrem com o juro alto e o endividamento das famílias. O setor de saúde, que cresceu com fusões financiadas por dívida barata, também enfrenta dificuldades e representa boa parte dos rebaixamentos. Para 2027, há preocupação com o agronegócio por efeitos climáticos do El Niño, preços de fertilizantes e tarifas de importação.

Na infraestrutura, um terço dos grandes projetos acompanhados pela Fitch têm perspectivas negativas, sendo metade de energia eólica e solar, com problema conjuntural. A notícia positiva, diz Donatti, é que, diferente da crise de 2015-2016, não há crise de demanda. "As projeções de receita e Ebitda devem continuar crescendo", pondera.

A maior parte dos R$ 300 bilhões em vencimentos de dívida já foi financiada. Para os próximos anos, há cerca de R$ 210 bilhões por ano, patamar considerado administrável. As empresas captaram R$ 1,4 trilhão em instrumentos de dívida nos últimos dois anos, alongando passivos. Para Donatti, estabilidade geopolítica e cortes de juros pelo Banco Central podem melhorar o cenário nos próximos 12 a 18 meses.

---

Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/empresas-vao-cortar-investimento-ao-minimo-2027-por-conta-juros-espera-fitch/
