# Embarcações se recusam a fazer travessias por Ormuz sob escolta dos EUA, dizem fontes

> Embarcações comerciais estão recusando atravessar o Estreito de Ormuz sob escolta dos Estados Unidos, conforme fontes do setor naval. O temor de ataques iranianos eleva prêmios de seguro e pressiona a busca por rotas alternativas, intensificando a tensão na região.

*Global Forum · Economia · 16 de julho de 2026 · Helena Drumond*

Fontes do setor naval indicam que embarcações comerciais estão recusando atravessar o Estreito de Ormuz sob escolta dos EUA, temendo ataques iranianos. A situação eleva prêmios de seguro e pressiona rotas alternativas.

## Embarcações se recusam a fazer travessias por Ormuz sob escolta dos EUA, dizem fontes

Navios mercantes estão recusando a travessia do Estreito de Ormuz mesmo quando escoltados pela Marinha dos Estados Unidos, segundo fontes do setor naval. A desconfiança reflete o temor de ataques iranianos e a percepção de que a proteção americana não é suficiente para garantir a segurança das embarcações e tripulações.

Segundo fontes do setor naval citadas pela Reuters, armadores e capitães de navios mercantes estão recusando a travessia do Estreito de Ormuz mesmo quando escoltados pela Marinha dos EUA. O temor de ataques iranianos e a falta de garantias de segurança levaram à busca por rotas alternativas, elevando custos logísticos e prêmios de seguro.

## O que está por trás da recusa das embarcações

A recusa não é um ato político, mas uma decisão calculada de risco. Para um armador, colocar um navio de 300 metros e tripulação de 25 pessoas em uma zona de conflito ativo significa expor um ativo de US$ 50 milhões a mísseis, drones e minas navais. A escolta dos EUA, por mais robusta que seja, não elimina o risco de um ataque surpresa.

Fontes do setor indicam que o Irã tem capacidade de atingir alvos no estreito com mísseis antinavio de curto alcance, como o Noor e o Qader, além de drones explosivos. A Marinha dos EUA pode interceptar parte dessas ameaças, mas não todas. Para o capitão de um petroleiro, a conta não fecha: o prêmio de seguro de guerra subiu de 0,1% do valor do navio para mais de 1% em algumas rotas, e a tripulação pode se recusar a navegar.

## Riscos reais no Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz é uma das passagens marítimas mais estratégicas do mundo. Por ele passam cerca de 20% do petróleo e derivados consumidos globalmente, segundo a Agência Internacional de Energia. Qualquer interrupção significativa no tráfego pode elevar o preço do barril em dezenas de dólares em dias.

O histórico recente não ajuda. Em 2019, o Irã apreendeu o navio-tanque Stena Impero em retaliação à apreensão de um petroleiro iraniano por forças britânicas. Em 2021, o MV Mercer Street foi atacado por drones explosivos, matando dois tripulantes. Esses episódios mostram que a escolta não é garantia de segurança.

## Rotas alternativas e impacto logístico

Com o estreito bloqueado para o seguro comercial, as alternativas são limitadas. A rota mais óbvia é o desvio pelo Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África. Isso adiciona cerca de 10 a 15 dias de navegação para um petroleiro vindo do Golfo Pérsico com destino à Europa ou América do Norte.

O custo extra é significativo: combustível, tripulação, portos e seguro somam milhões de dólares por viagem. Para o mercado de petróleo, isso significa pressão de alta nos preços, especialmente para o Brent, referência global.

Outra opção é o uso de oleodutos terrestres, como o pipeline estratégico do Irã para o Mar de Omã, mas a capacidade é limitada e o controle iraniano sobre a infraestrutura torna a opção politicamente sensível.

## O papel da Marinha dos EUA e a credibilidade da escolta

A Marinha dos EUA mantém presença constante no Golfo Pérsico, com porta-aviões, destróieres e fragatas. A Operação Sentinel, lançada em 2019, foi criada para garantir a liberdade de navegação. No entanto, a eficácia da escolta é questionada por armadores.

O problema é que a escolta não cobre toda a extensão do estreito, que tem cerca de 50 km de largura no ponto mais estreito. Ataques com mísseis de curto alcance podem ser lançados da costa iraniana em minutos, e a interceptação depende de sistemas de defesa aérea e antimísseis que não estão 100% do tempo ativos.

## Impacto no preço do petróleo e nos seguros

O prêmio de seguro de guerra para navios que atravessam o Estreito de Ormuz disparou nas últimas semanas. Corretoras de seguro marítimo reportam que a taxa subiu de 0,1% do valor do navio para mais de 1% em algumas apólices, refletindo o risco elevado.

O petróleo Brent já reagiu: o barril subiu de US$ 75 para US$ 82 em uma semana, segundo dados da Agência Internacional de Energia. Se a recusa das embarcações se mantiver, a pressão pode continuar.

## Perguntas Frequentes

### Por que as embarcações estão recusando a travessia?

Porque o risco de ataque iraniano é considerado alto, mesmo com escolta dos EUA. Armadores e capitães preferem evitar a zona de conflito.

### Qual o impacto no preço do petróleo?

O estreito movimenta 20% do petróleo global. Qualquer interrupção eleva os preços. O Brent já subiu 7% em uma semana.

### Existem rotas alternativas?

Sim, o desvio pelo Cabo da Boa Esperança é a principal, mas adiciona 10 a 15 dias de navegação e custos extras.

### O que o Irã pode usar para atacar navios?

Mísseis antinavio como Noor e Qader, drones explosivos e minas navais. Todos já foram usados em ataques anteriores.

### A escolta dos EUA é confiável?

A Marinha dos EUA tem capacidade, mas não garante proteção total. Ataques surpresa e o curto tempo de reação no estreito são desafios.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/embarcacoes-se-recusam-fazer-travessias-por-ormuz-sob-escolta-eua-dizem-fontes/
