# Economia climática pode criar as próximas gigantes globais, apontam especialistas

> A economia climática é comparada por especialistas à Revolução Digital dos anos 1970, com potencial para criar as próximas gigantes globais. Startups e grandes empresas disputam um mercado que pode redefinir setores inteiros, enquanto investidores hesitam. Chegar tarde nesse setor representa riscos significativos de perder oportunidades transformadoras.

*Global Forum · Economia · 18 de julho de 2026 · Marcelo Iorio*

Especialistas comparam a atual economia climática à Revolução Digital dos anos 1970. Enquanto investidores hesitam, startups e grandes empresas disputam um mercado que pode redefinir setores inteiros. Entenda os riscos de chegar tarde.

## Economia climática pode criar as próximas gigantes globais, apontam especialistas

Investidores brasileiros ainda hesitam diante de um movimento que, segundo especialistas, pode redefinir o mapa dos negócios nas próximas décadas. A economia climática, comparada à Revolução Digital dos anos 1970, carrega o potencial de gerar empresas tão valiosas quanto as gigantes de tecnologia atuais. A questão é quem terá capital e visão para entrar agora.

A economia climática pode criar as próximas gigantes globais ao transformar a forma como empresas operam, regulam e consomem. Assim como investir em softwares para computadores pessoais parecia arriscado no fim dos anos 1970, hoje muitos enxergam as climatechs como aposta incerta. Mas para quem entende o movimento, a oportunidade é comparável à que gerou empresas como a Microsoft.

### Por que a economia climática é comparada à Revolução Digital

No programa "O Clima na Faria Lima", apresentado por Marina Cançado, o diretor-executivo do Fórum Brasileiro das Climatechs, Zé Gustavo, propôs um exercício: imaginar a reação de um investidor caso um jovem Bill Gates aparecesse, no fim dos anos 1970, buscando recursos para desenvolver programas para microcomputadores pessoais. Na época, argumentar que a sociedade nunca adotaria a tecnologia em larga escala parecia razoável. A história mostrou o contrário.

"Até porque, o jovem Bill montou uma das empresas mais valiosas do mundo", argumenta Zé Gustavo. A comparação ajuda a ilustrar por que negócios ainda pequenos podem se tornar protagonistas de mercados inteiros. À medida que as mudanças climáticas alteram regulações, cadeias produtivas e decisões de consumo, cresce a demanda por tecnologias capazes de reduzir emissões, adaptar atividades econômicas e proteger empresas contra eventos extremos.

### O clima como lente para toda a economia

Diferente da Revolução Digital, que se concentrou em um segmento específico, a transformação climática tende a atravessar toda a economia. Para Júlia Marisa Sekula, cofundadora e CFO da Terradot, o clima funciona como uma lente aplicável a praticamente todas as atividades econômicas. Assim como hoje é difícil falar de tecnologia como setor isolado - presente em bancos, agronegócio, comércio e serviços -, a agenda climática seguirá caminho semelhante.

Ao aplicar essa lente, empresas começam a identificar novos problemas e oportunidades: materiais com menor pegada de carbono, sistemas de monitoramento, soluções para agricultura mais resiliente, formas de armazenamento de energia, captura de carbono e tecnologias para tratamento de água e resíduos. Isso significa que os futuros líderes da economia climática poderão nascer em diversas indústrias, não apenas entre companhias tradicionalmente associadas ao meio ambiente.

### O risco de chegar tarde

Apesar das vantagens em biodiversidade, agricultura e energia, o Brasil ainda recebe uma parcela reduzida dos recursos destinados a tecnologias climáticas. Para Zé Gustavo, muitos investidores analisam a transformação principalmente pelo risco e pelo custo, e não pela oportunidade.

"O investidor às vezes olha e não consegue enxergar do ponto de vista da oportunidade. Sempre olha do ponto de vista do risco, do custo", afirma. Esse comportamento pode fazer com que o capital chegue apenas quando os mercados estiverem mais maduros e as empresas mais valorizadas. Na Revolução Digital, investidores que esperaram a tecnologia se tornar dominante perderam a fase inicial de crescimento de algumas das companhias mais relevantes do mundo.

### Mercados regulados como motor da nova indústria

Um dos motores dessa nova indústria é o avanço dos mercados regulados. Empresas que hoje contratam tecnologias climáticas não estão agindo apenas para melhorar a reputação. Muitas já se preparam para regras que poderão impor custos diretos às emissões de carbono.

Segundo Júlia Sekula, grandes companhias buscam garantir desde agora fornecedores que consigam atendê-las futuramente na escala e no preço necessários. "Isso pode ser daqui a cinco anos, pode ser daqui a dez, mas eu já vou me preparar hoje", diz. Mecanismos de precificação de carbono e barreiras comerciais associadas às emissões podem criar mercados de grande escala. Para a executiva, é possível construir uma empresa de grande porte no Brasil dedicada a resolver apenas um desses desafios regulatórios.

### Grandes empresas e startups: velocidades diferentes

A transformação deverá envolver tanto companhias estabelecidas quanto novos negócios. Grandes empresas possuem capital, infraestrutura e acesso ao mercado, mas tendem a se movimentar mais lentamente. Startups, por outro lado, conseguem testar tecnologias e modelos de negócios com maior velocidade.

"Nós precisamos de grandes empresas fazendo suas transições, que naturalmente são um pouco mais lentas do que a gente necessita. E precisamos, em outro polo, de empresas de tecnologia que consigam tracionar e testar coisas muito rápido", comenta Zé Gustavo. A tendência é que parte das startups seja adquirida ou incorporada por empresas tradicionais. Outras poderão crescer até desafiar diretamente os atuais líderes de seus setores.

### O que o investidor brasileiro precisa considerar

Para os entrevistados, a transição climática não é uma possibilidade distante. Os investimentos já realizados, o desenvolvimento de tecnologias e o avanço da regulação mostram que novos mercados estão sendo construídos. A questão é quem terá capital, conhecimento e disposição para participar dessa formação desde o início.

No Brasil, onde ainda há resistência de investidores tradicionais às climatechs, a hesitação pode custar caro. Quando as companhias que hoje estão em fase inicial se tornarem líderes, talvez a principal pergunta não seja por que elas cresceram, mas por que tão poucos investidores brasileiros perceberam a oportunidade a tempo.

## Perguntas Frequentes

### O que é economia climática?

É o conjunto de atividades econômicas voltadas a reduzir emissões, adaptar cadeias produtivas e desenvolver tecnologias que mitiguem os efeitos das mudanças climáticas.

### Quais setores serão mais impactados?

Praticamente todos, com destaque para agricultura, energia, materiais, transporte, tratamento de água e resíduos, e sistemas de monitoramento.

### Por que investidores brasileiros hesitam?

Muitos ainda analisam a transformação pelo risco e custo, sem enxergar a oportunidade de crescimento inicial, segundo especialistas.

### Como startups podem competir com grandes empresas?

Startups têm maior velocidade para testar tecnologias e modelos de negócios, enquanto grandes empresas possuem capital e infraestrutura. A tendência é que parte das startups seja adquirida ou cresça para desafiar líderes atuais.

### Qual o risco de esperar para investir?

Assim como na Revolução Digital, investidores que aguardam a maturidade do mercado perdem as fases iniciais de crescimento, quando o potencial de valorização é maior.

### O Brasil tem vantagens na economia climática?

Sim, o país possui vantagens em biodiversidade, agricultura e energia, mas ainda recebe uma parcela reduzida dos recursos globais destinados a tecnologias climáticas.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/economia-climatica-pode-criar-proximas-gigantes-globais/
