Economia

Dona do Ozempic processa fabricante do Mounjaro nos EUA por propaganda enganosa: entenda

ResumoA Novo Nordisk, detentora do Ozempic e Wegovy, processou a Eli Lilly nos Estados Unidos por propaganda enganosa. A ação judicial alega que anúncios da fabricante do Mounjaro e Zepbound comparam doses desatualizadas do Wegovy, distorcendo resultados de perda de peso para favorecer a concorrência. O caso expõe a disputa acirrada no mercado de medicamentos contra obesidade.

A Novo Nordisk, dona do Ozempic e Wegovy, processou a Eli Lilly, fabricante do Mounjaro e Zepbound, nos EUA por propaganda enganosa. A denúncia alega que anúncios da concorrente comparam doses desatualizadas do Wegovy, distorcendo resultados de perda de peso. O caso expõe a acirr

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 21 de julho de 2026
Dona do Ozempic processa fabricante do Mounjaro nos EUA por propaganda enganosa: entenda

A Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, abriu um processo contra a Eli Lilly, dona do Mounjaro e do Zepbound, nos Estados Unidos, acusando a concorrente de propaganda enganosa. A disputa ocorre em um momento de acirramento da competição no mercado americano de medicamentos para obesidade, que, segundo a Bloomberg Intelligence, deve movimentar US$ 120 bilhões por ano até 2030.

A denúncia, obtida pela Bloomberg, afirma que as campanhas publicitárias da Lilly se baseiam em comparações desatualizadas de perda de peso. A Novo alega que os anúncios utilizam doses mais baixas do Wegvoy do que as atualmente disponíveis, distorcendo a eficácia relativa dos medicamentos.

O que diz a denúncia sobre os anúncios da Lilly

O processo, protocolado em um tribunal federal dos EUA em Nova Jersey, gira em torno de um anúncio que a Lilly começou a veicular em abril. A peça publicitária se apoia no estudo comparativo Surmount-5 para afirmar que pessoas que usaram o Zepbound perderam, em média, 22,7 kg (50 libras), enquanto as que usaram o Wegovy perderam, em média, 15 kg (33 libras). A informação foi confirmada por John Kuckelman, consultor jurídico da Novo, em entrevista.

A Novo argumenta que uma comparação mais justa seria entre dois estudos diferentes: um em que a dose alta do Wegvoy demonstrou perda média de 21 kg (47 libras) e outro em que o Zepbound resultou em perda média de 22 kg (48 libras). A Food and Drug Administration (FDA) aprovou a injeção mais potente do Wegvoy, que utiliza o triplo da dose máxima anterior, em março, e a Novo começou a comercializá-la em abril. Segundo a empresa, ainda é cedo para divulgar dados sobre quantos pacientes estão usando a nova dose tripla.

A disputa também envolve medicamentos para diabetes

A Novo também acusa a Lilly de propaganda enganosa em anúncios do Mounjaro, medicamento para diabetes. Segundo a denúncia, os anúncios informam incorretamente que o Mounjaro reduz o açúcar no sangue mais do que o Ozempic, com base em uma comparação com uma dose menor de Ozempic do que a atualmente disponível. A Lilly utilizou o estudo Surpass-2, de 2021, para essa comparação.

O que a Novo pede na Justiça

A farmacêutica dinamarquesa solicita ao tribunal que ordene à Lilly que pare imediatamente de veicular os anúncios e publique uma "publicidade corretiva", nas palavras de Kuckelman. "Eles já poluíram a água, por assim dizer, e agora é preciso limpar a situação", afirmou o consultor jurídico.

Além disso, a Novo busca recuperar os lucros perdidos com a publicidade e triplicar esse valor, conforme previsto na legislação dos EUA. O processo ocorre depois de a Novo ter enviado à Lilly uma notificação extrajudicial em abril, que não foi respondida. A Lilly optou por adicionar um aviso ao anúncio, afirmando que a dose mais alta não estava disponível na época do estudo.

As acusações legais e o mercado

A Novo alega que a Lilly violou leis americanas e estaduais sobre publicidade enganosa e concorrência desleal, incluindo a Lei Lanham federal. A empresa também pode buscar medidas adicionais por meio do FDA, disse Kuckelman.

Embora a Novo tenha chegado ao mercado antes com o Wegovy, a Lilly alcançou a concorrente com o Zepbound e agora lidera as vendas. As ações da Lilly caíram 0,6% no pré-mercado às 8h35 em Nova York, enquanto as ações da Novo chegaram a cair 2% em Copenhague.

Perguntas Frequentes

O que motivou o processo da Novo Nordisk contra a Eli Lilly?

A Novo acusa a Lilly de propaganda enganosa em anúncios que comparam medicamentos para obesidade e diabetes com doses desatualizadas dos seus produtos.

Quais medicamentos estão envolvidos na disputa?

Os medicamentos são Wegovy e Ozempic (da Novo Nordisk) e Zepbound e Mounjaro (da Eli Lilly).

O que a Novo pede na Justiça?

A Novo pede que a Lilly pare de veicular os anúncios, publique uma publicidade corretiva e pague indenização por lucros perdidos, com valor triplicado.

A Lilly respondeu às acusações?

A Lilly não respondeu à notificação extrajudicial, mas adicionou um aviso ao anúncio sobre a indisponibilidade da dose mais alta na época do estudo.

Qual o tamanho do mercado de obesidade em disputa?

Segundo a Bloomberg Intelligence, o mercado global de obesidade deve atingir US$ 120 bilhões por ano até 2030.

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