Economia

Dólar fecha perto dos R$5,20 após fala dura de Warsh sobre inflação nos EUA

ResumoO dólar comercial fechou a sexta-feira em alta, cotado a R$5,1961, após o chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, declarar em Jackson Hole que o Fed terá "trabalho a fazer" se a inflação dos EUA não retornar à meta. A fala endurecida sobre política monetária norte-americana pressionou o câmbio brasileiro, elevando custos de importação e expectativas de preços no Brasil.

O dólar fechou a sexta-feira em alta, cotado a R$5,1961, após o chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmar em Jackson Hole que o Fed terá 'trabalho a fazer' se a inflação dos EUA não voltar à meta. Entenda o que isso significa para o câmbio e para os preços no Brasil.

Marcelo Iorio
Marcelo Iorio Consultor de planejamento empresarial · 28 de agosto de 2026
Dólar fecha perto dos R$5,20 após fala dura de Warsh sobre inflação nos EUA

O dólar fechou a sexta-feira em alta no Brasil, cotado a R$5,1961, após o chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmar durante o simpósio de Jackson Hole que a instituição terá "trabalho a fazer" caso a inflação dos EUA siga acima da meta. A divisa chegou a superar os R$5,23 durante a sessão, mas encerrou com alta de 0,62%. Na semana, o acúmulo foi de 1,06%; no ano, a queda é de 5,34%.

Em seu discurso de estreia em Jackson Hole, Warsh disse, no fim da manhã, que o Fed "terá trabalho a fazer" se seus membros não estiverem confiantes de que a inflação subjacente dos EUA está voltando à meta de 2%. "Este é o meu critério: devemos estar confiantes de que a inflação subjacente está caminhando em direção à nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer", afirmou. As declarações fizeram os rendimentos dos Treasuries subirem, com investidores globais elevando apostas de que o Fed pode elevar os juros em setembro.

O efeito se espalhou pelo mercado de moedas. O dólar subiu ante boa parte das divisas, incluindo pares do real como o peso colombiano, o rand sul-africano e o peso chileno. No Brasil, o dólar à vista abriu o dia em baixa, marcando R$5,1581 às 9h02, mas atingiu o pico de R$5,2315 às 13h18, já após a fala de Warsh. O dólar futuro para setembro, o mais negociado na B3, subia 0,67% às 17h11, a R$5,1995.

A taxa de juros nos EUA, hoje na faixa de 3,50% a 3,75%, impacta diretamente os fluxos globais de investimento, incluindo para o Brasil. Com a Selic em 14%, o diferencial de juros vinha sendo apontado como fator favorável à atração de dólares. Mas o cenário mudou com a possibilidade de alta nos EUA e a perspectiva de novas baixas no Brasil. "A moeda americana se valoriza não só contra o real, mas praticamente em relação a todas as divisas do mundo", resumiu Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital.

No início da tarde, dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) vazaram antes do horário oficial e apontaram a criação de 58.568 vagas formais em julho, bem abaixo das 112.000 projetadas por economistas ouvidos pela Reuters. O número reforçou a leitura de que o Banco Central cortará a Selic em setembro, podendo reduzir novamente em novembro. No exterior, o índice do dólar subia 0,57%, a 99,668, às 17h08. Para o consumidor, o câmbio mais alto tende a pressionar preços de importados e viagens, enquanto a possível queda da Selic pode aliviar o custo do crédito, mas reduzir o rendimento da renda fixa.

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