# Dólar, Bolsa e juros: reação do mercado após Copom e Fed

> O Federal Reserve elevou os juros americanos para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, enquanto o Copom reduziu a Selic para 13,75% ao ano. A reação do mercado brasileiro reflete a divisão entre o discurso duro do Fed e a sinalização do Banco Central do Brasil de abertura para novos cortes na taxa básica de juros.

*Global Forum · Economia · 17 de setembro de 2026 · Tânia Lustosa*

Fed subiu juros para 3,75% a 4% ao ano e Copom cortou a Selic para 13,75%. O mercado brasileiro abre dividido entre o discurso duro americano e a porta aberta para novos cortes no Brasil.

A Super Quarta terminou com dois recados opostos para quem investe no Brasil. O Federal Reserve subiu os juros em 0,25 ponto percentual, para entre 3,75% e 4% ao ano, e o presidente Kevin Warsh adotou discurso duro contra a inflação. O Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75%, sem fechar a porta para novas reduções.

O mercado brasileiro abre nesta quinta dividido entre esses dois vetores. A direção da Bolsa, do dólar e da curva de juros depende de qual sinal os investidores vão considerar dominante nas próximas semanas.

O dólar PTAX de venda ficou em R$ 5,1527 em 16 de setembro, segundo o Banco Central, depois de oscilar entre R$ 5,0918 e R$ 5,1696 na semana anterior.

## O peso do Fed antes da decisão brasileira

Antes mesmo da decisão do Banco Central brasileiro, o mercado local já sentia o efeito da mensagem americana. O Ibovespa acelerou perdas durante a tarde após as declarações de Warsh e encerrou o dia em queda de 0,51%, acompanhando o ajuste das bolsas americanas.

Para Vinicius Flores, sócio e gestor da Stratton Capital, a decisão do Fed veio dentro do esperado, mas com mensagem claramente hawkish. "O Fed com certeza começou o seu esforço máximo contra a inflação", afirma. Na avaliação dele, a comunicação sugere até o início de um novo ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos.

Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, tem leitura semelhante. Segundo ele, o Fed buscou reconstruir credibilidade em meio a questionamentos sobre sua independência e entregou recado mais duro do que o mercado esperava. O cenário de "higher for longer" volta a ganhar força, pressionando a curva americana e sustentando o dólar globalmente.

## Copom mantém cautela e projeta inflação de 3,2%

A XP destacou que o comunicado do Copom manteve praticamente a mesma estrutura da reunião anterior, com tom cauteloso e possibilidade de novos cortes em aberto. O ponto mais relevante foi a manutenção da projeção de inflação de 3,2% para o horizonte relevante da política monetária. A corretora projeta Selic em 13,25% no fim deste ano e 11,50% em meados de 2027.

Gustavo Cruz, estrategista-chefe da Sincra, avalia que o Banco Central passou a afirmar que a desaceleração da atividade é efetivamente mostrada pelos dados recentes. Inflação cheia e núcleos ficaram abaixo do teto da meta. Para ele, o cenário-base segue sendo de cortes graduais de 0,25 ponto percentual.

## Bolsa, dólar e curva: quem puxa a direção

Augusto Parente, fundador da AW Capital, vê o comunicado do Copom como contraponto positivo. O fato de o ciclo de cortes não ter sido encerrado explicitamente pode favorecer a Bolsa na abertura desta quinta, com investidores voltando a precificar novas reduções da Selic, o que beneficiaria ações domésticas sensíveis a juros.

Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, argumenta que, passada a reação ao Fed, o foco volta aos fatores locais, especialmente as pesquisas eleitorais. Luis Fernando Cezario, economista-chefe da Asset1, também ressalta o peso crescente do debate eleitoral na formação de preços.

No câmbio, há forças contrárias. As falas de Warsh fortalecem o dólar globalmente. Warsh listou três fatores para a alta recente dos Treasuries: força da economia americana, competição global por capital e riscos geopolíticos. Marcos Vinícius Oliveira, da ZIIN Investimentos, avalia que o nível ainda elevado da Selic ajuda o real a resistir ao fortalecimento global do dólar.

Na curva de juros, a disputa fica mais evidente. Parente vê espaço para fechamento adicional. Bruno Perri, economista-chefe da Fórum Investimentos, adota leitura mais conservadora: apesar do corte, o comunicado trouxe elementos hawkish, como preocupação com inflação de serviços, riscos do petróleo e incertezas eleitorais. Para a ZIIN, as projeções de inflação para 2026 e 2027 seguem acima do centro da meta, o que pode justificar interrupção do ciclo caso os próximos dados não confirmem desaceleração mais intensa.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/dolar-bolsa-juros-como-mercado-brasileiro-deve-reagir-nesta-5-apos-copom-fed/
