# Cruzar um rio sem roupa: decisões do Grupo Águia Branca

> O Grupo Águia Branca, conglomerado capixaba de logística e transporte de passageiros, completou 80 anos em 2025 sob o comando do CEO Kaumer Chieppe. A família Chieppe preservou o negócio atravessando hiperinflação, urbanização acelerada e a pandemia de Covid-19, combinando decisões ousadas com prudência financeira e diversificação de operações.

*Global Forum · Economia · 14 de setembro de 2026 · Marcelo Iorio*

Em 80 anos, o Grupo Águia Branca atravessou hiperinflação, urbanização e a pandemia de Covid-19. O CEO Kaumer Chieppe explica como a família Chieppe combinou ousadia e prudência para manter o negócio de pé.

O Grupo Águia Branca chega aos 80 anos com uma trajetória marcada por decisões que, segundo o CEO Kaumer Chieppe, combinaram ousadia e prudência. A história da família Chieppe à frente da empresa inclui desde uma travessia de rio a nado até a gestão de crises como hiperinflação e pandemia.

O episódio que dá nome à entrevista ao podcast Do Zero ao Topo, do InfoMoney, envolve o pai de Kaumer, motorista de ônibus. Para dormir, ele precisou atravessar um rio de canoa. Ao acordar, o barco estava na outra margem. "Meu pai ficou pelado, botou a roupa na cabeça, atravessou o rio, se vestiu e foi fazer o horário", conta Kaumer. "Isso mostra um pouco a nossa disposição para superar a dificuldade. Se está ali, é para ser superado".

## Ousadia e prudência na gestão familiar

O CEO afirma que o segredo para não se afogar em 80 anos de operação foi equilibrar perfis agressivos e conservadores. "Não dá pra você pisar no acelerador e achar que vai dar tudo certo. Tem que ter muito cuidado com isso. Se for uma pessoa empreendedora, que tenha alguém importante do financeiro pra segurar", diz. No grupo, os dois lados têm poder de decisão. "Alguém sozinho não faz nada".

## A pandemia e a brecha nos contratos

A Covid-19 foi um dos momentos mais críticos. O transporte de passageiros sofreu imediatamente, com estados proibindo a circulação de ônibus e, onde permitido, quase sem passageiros. Mas fábricas, usinas siderúrgicas e produtoras de celulose precisavam continuar operando. Com a regra de distanciamento, cada ônibus só podia levar metade da capacidade, e a demanda dobrou.

"A demanda por ônibus nas fábricas dobrou, enquanto o transporte público estava parado", afirma Kaumer. "Então pegamos os ônibus da Viação Águia Branca para atender os contratos da nossa área de logística. Conseguimos".

## Concessionárias: nadar contra a corrente

No setor de concessionárias, o grupo adotou movimento oposto ao do mercado. Enquanto outras empresas pararam de comprar veículos durante o pânico, o Grupo Águia Branca aumentou os pedidos. "Chegamos na fábrica e falamos: pode passar, que eu quero, quero, quero", conta Kaumer. Quando a demanda voltou, o grupo estava abastecido. "Foi uma estratégia. Soubemos aproveitar a oportunidade".

O podcast Do Zero ao Topo é uma produção do InfoMoney que traz, a cada semana, a história de mulheres e homens de destaque no mercado brasileiro, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias usadas na construção do negócio.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/cruzar-um-rio-sem-roupa-outras-decisoes-sucesso-grupo-aguia-branca/
