Crise no STF prejudica economia, diz Durigan ao Neofeed
Em entrevista ao Neofeed, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a crise no STF atrapalha a economia e traz imprevisibilidade. Ele também comentou o preconceito do mercado com o governo Lula e defendeu responsabilidade fiscal.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em entrevista ao Neofeed que a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) atrapalha muito a economia brasileira e traz instabilidade ruim para o país. A declaração foi dada em meio a questionamentos sobre a relação entre os Poderes e o impacto no ambiente de negócios.
Segundo Durigan, o Judiciário precisa atuar com independência em relação ao Legislativo e ao Executivo, mas de forma harmônica. Ele defendeu que a Corte adote uma postura de ganhar mais credibilidade, abrindo processos sem escolhas seletivas sobre o que é vazado ou não. "É preciso fazer isso à luz do que está sendo vazado", disse o ministro.
O chefe da Fazenda foi além e ligou a crise institucional diretamente ao desempenho econômico. "Atrapalha a economia, atrapalha a credibilidade do investidor estrangeiro, porque volta a ter, assim, uma certa imprevisibilidade", declarou. A fala reforça a percepção de que decisões lá fora respingam no câmbio daqui, e o tabuleiro global observa com atenção a estabilidade das instituições brasileiras.
Preconceito do mercado e defesa da responsabilidade fiscal
Questionado sobre um possível preconceito do mercado e de setores anti-PT em relação ao governo, Durigan disse que apenas o mercado tem esse sentimento. Ainda assim, afirmou que não quer trabalhar para o mercado, mas pretende atender anseios desse grupo. "Primeiro é preciso esclarecer para o mercado que não é verdade que um governo de direita ou centro-direita, no caso do Brasil, é mais responsável do que o governo de centro-esquerda. Porque não é", afirmou.
O ministro repetiu que é preciso dar atenção a um controle maior dos gastos obrigatórios e fazer revisões em programas sociais. Ele deixou claro, no entanto, que não pretende fazer um "cavalo de pau" na gestão e que os princípios do governo serão mantidos. Durigan também reafirmou seu compromisso com a responsabilidade fiscal e disse que aprofundará medidas nesse sentido num possível próximo mandato.
A entrevista ocorre num momento em que o país discute o arcabouço fiscal e a necessidade de ajustes nas contas públicas. Para o investidor estrangeiro, que acompanha o noticiário político brasileiro de perto, a sinalização de previsibilidade institucional é tão relevante quanto os números da economia. A declaração de Durigan ao Neofeed joga luz sobre essa equação: sem estabilidade entre os Poderes, o custo do capital tende a subir, e o Brasil perde competitividade no cenário global.