# Copom deve cortar juros, mas eleição e El Niño travam BC

> Copom deve cortar a Selic em 0,25 ponto na reunião de setembro de 2024, com 94,25% de probabilidade segundo o mercado. Eleição municipal, El Niño e petróleo a US$ 100 reduzem a visibilidade sobre o ritmo de calibração da política monetária nas próximas decisões.

*Global Forum · Economia · 14 de setembro de 2026 · Tânia Lustosa*

Mercado projeta 94,25% de chance de corte de 0,25 ponto na Selic. Mas eleição, El Niño e petróleo a US$ 100 tiram a clareza do ritmo de calibração do Copom, que se reúne nesta terça e quarta.

O corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) é quase unanimidade para o mercado. As projeções apontam 94,25% de probabilidade disso acontecer, segundo a Opções de Copom, da B3. Mas as eleições, o efeito do El Niño na inflação de alimentos e as cotações de petróleo com o conflito no Oriente Médio turvam o horizonte próximo.

O Copom chega a mais uma reunião de definição de juros nesta terça (15) e quarta-feira (16) com um cenário macroeconômico com sinais mais evidentes de desaceleração. O Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre veio com uma composição fraca e com queda inesperada de 0,4% no consumo das famílias. A inflação oficial, captada pelo IPCA, confirmou a desaceleração do indicador em agosto, com melhoras no núcleo e em preços industriais.

## O que dizem os economistas sobre o próximo passo

Para Claudio Ferraz, economista da Galapagos Capital, os dados colocam o corte de 0,25 p.p. como cenário-base, mas isso não garante que o Copom deverá seguir calibrando a redução de juros mais à frente. Para ele, a deterioração das expectativas de inflação, em especial para 2027, justificaria uma interrupção nos cortes para a reavaliação. "O corte na reunião de setembro é o cenário-base, mas a conjuntura é de cautela", afirma.

A equipe da 4Intelligence avalia que o espaço para reduzir os juros existe, mas sua extensão deve ser condicionada à consolidação da desinflação, ao comportamento das expectativas e à evolução dos riscos.

O cenário de incertezas divide os economistas quanto aos passos seguintes do Banco Central. Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, projeta que a taxa Selic deve chegar a 13,75% e permanecer neste patamar. O motivo principal, segundo ele, é a postura de espera do BC pelas definições eleitorais e pelo desfecho fiscal que virá das urnas. Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, revisou a projeção da Selic ao final de 2026 de 14% para 13,75%, prevendo a manutenção da taxa nas últimas reuniões do ano.

## Eleição e fiscal: onde a clareza não vem

No ambiente doméstico, o impasse sobre a sustentabilidade das contas públicas atua como a principal âncora para a incerteza. Jeferson Bittencourt, head de macroeconomia do ASA, ressalta que a vulnerabilidade fiscal mantém a curva de juros pressionada e que a clareza sobre esse quadro não virá das campanhas eleitorais. "O cenário fiscal só se desanuvia no primeiro, segundo ou terceiro discurso do presidente eleito, seja ele quem for", pontua, citando que os candidatos têm evitado assumir compromissos com cortes de despesas obrigatórias.

Arnaldo Lima, economista da Polo Capital, também prevê mais um corte na reunião de novembro, além da de setembro, o que levaria a taxa a 13,5% ao fim deste ano. Para ele, as diretrizes da nova política fiscal e o modelo de reajuste do salário mínimo ditarão o ritmo da Selic em 2027, que deve terminar em 11,50%.

A inflação volta a ser pressionada por choques climáticos e geopolíticos. Lima e Ferraz projetam que o IPCA encerre o ano em 5,2%, puxado pelo El Niño, que teve a probabilidade de ser um evento forte elevada para 97%, trazendo impactos severos na inflação de alimentos, especialmente nas hortaliças e em produções de curto prazo. No cenário internacional, a recente elevação das tensões no Oriente Médio fez o preço do petróleo saltar para o patamar de US$ 100 o barril, gerando efeito altista sobre as projeções de curtíssimo prazo.

Os economistas projetam uma comunicação cautelosa, sem forward guidance. De acordo com o Itaú, a expectativa é de que o Copom repita a descrição de um balanço de riscos como assimétrico para cima, sem alterações substanciais. "O Comitê deve manter a porta aberta, sinalizando dependência de dados e ausência de forward guidance explícito", diz o relatório, assinado pelo economista-chefe Diogo Guillen.

Para Salles, do C6, a justificativa do corte deve se dar diante da projeção de inflação ao redor da meta no horizonte relevante. "No entanto, as expectativas de inflação acima da meta, o mercado de trabalho aquecido e a resiliência da atividade econômica exigem ainda uma política monetária contracionista", diz.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/copom-deve-cortar-juros-mas-eleicao-el-nino-petroleo-travam-sinalizacao-bc/
