# Degelo do Ártico: rota marítima vira alternativa comercial

> A Rota Marítima do Norte, no Ártico, encurta o trajeto entre Ásia e Europa para navios da China e da Coreia do Sul com destino ao Reino Unido. A passagem, ainda cara e restrita ao gelo, surge como alternativa real ao Canal de Suez. O degelo progressivo viabiliza a rota, mas limitações operacionais e custos elevados permanecem barreiras para uso comercial amplo.

*Global Forum · Economia · 07 de setembro de 2026 · Helena Drumond*

Navios da China e da Coreia do Sul usam a Rota Marítima do Norte para chegar ao Reino Unido, encurtando o trajeto entre Ásia e Europa. Ainda cara e restrita ao gelo, a passagem começa a virar alternativa real ao Canal de Suez.

O degelo do Ártico começa a transformar uma passagem marítima antes restrita em alternativa real para o comércio entre Ásia e Europa. Em agosto, navios de carga da China e da Coreia do Sul usaram a Rota Marítima do Norte para chegar ao Reino Unido, movimento que ganha força enquanto a Rússia amplia a infraestrutura para exportar petróleo pela região.

A rota acompanha a costa russa e encurta o caminho em relação ao Canal de Suez e ao Cabo da Boa Esperança. Segundo a empresa chinesa Sea Legend, determinados trajetos podem levar de 20 a 22 dias pelo Ártico, contra cerca de 40 dias pela via Suez. Menos tempo em trânsito significa menos capital preso em estoques. O custo, porém, ainda pesa: conforme a EFE, os fretes da Sea Legend na temporada de 2026 estão aproximadamente duas vezes acima dos valores da primeira viagem de teste, em 2025.

A Sea Legend programou oito saídas entre 15 de agosto e 3 de outubro deste ano, com sete navios. As duas primeiras viagens estavam completas e transportaram principalmente produtos industriais e equipamentos de transição energética. Cada viagem foi planejada para cerca de 1.500 TEU; a primeira levou 1.370 TEU, incluindo cargas de Geely, Sungrow e CATL. A fabricante de baterias EVE Energy também usou a rota para enviar produtos à Alemanha e à Hungria.

A Coreia do Sul testa a passagem com o PanStar Acro, navio de 2.758 TEU que deixou Busan em agosto com destino ao Reino Unido, carregando 837 TEU entre produtos químicos, carros usados e peças automotivas. O governo sul-coreano avalia distância, tempo de viagem, consumo de combustível e custos.

Ainda assim, a escala é modesta: 103 trânsitos pela Rota Marítima do Norte em 2025, contra mais de 24 mil navios pelo Canal de Suez em 2024. A janela comercial fica em três ou quatro meses por ano, entre agosto e outubro, e a região tem menos portos e infraestrutura de apoio.

Paralelamente, a Rosneft iniciou em 6 de setembro o projeto Vostok Oil, com o primeiro carregamento no porto de Bukhta Sever, no Mar de Kara, feito no navio-tanque Valentin Pikul. Um oleoduto de 790 quilômetros liga os campos de Vankor e Payakha ao terminal, projetado para até 100 milhões de toneladas por ano. A empresa prevê 30 milhões de toneladas no segundo semestre de 2027 e 50 milhões em 2030, com base de recursos estimada em 7 bilhões de toneladas. O limite é a frota de navios aptos ao gelo e o fim da temporada já no início de outubro. A Rússia planeja adicionar quatro quebra-gelos nucleares até 2030, segundo a Rosneft, citando Vladimir Putin.

A tecnologia por trás dessa rota ainda engatinha em escala. Entender os custos reais e as restrições logísticas separa a oportunidade concreta do entusiasmo prematuro. rotas marítimas alternativas ao Canal de Suez

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/como-empresas-paises-tentam-transformar-degelo-artico-vantagem-economica/
