Chanel compra a Charvet: histórica camisaria francesa que vestia Churchill
A Chanel adquiriu a Charvet, tradicional camisaria parisiense fundada em 1838, conhecida por vestir personalidades como Winston Churchill e Grace Kelly. O negócio, cujo valor não foi divulgado, marca a entrada da Chanel no segmento de camisas masculinas de luxo.
Se você acompanha o mercado de luxo, já deve ter ouvido: a Chanel comprou a Charvet, a tradicional camisaria parisiense que vestiu Winston Churchill, Grace Kelly e o duque de Windsor. A notícia, confirmada em maio de 2026, pegou o setor de surpresa, não pelo valor, mantido em sigilo, mas pelo que representa: uma grife feminina icônica assumindo uma casa centenária de camisas masculinas sob medida.
A Chanel adquiriu a Charvet, camisaria fundada em 1838, em Paris, conhecida por seu savoir-faire em camisas sob medida. O valor da transação não foi divulgado. A Charvet continuará operando de forma independente, com sua equipe e ateliê preservados. A aquisição marca a entrada da Chanel no segmento de camisas masculinas de luxo.
Por que a Chanel comprou a Charvet?
A Chanel não é estranha a aquisições de marcas históricas. Em 2024, a maison já havia comprado a Maison Michel, chapelaria de luxo, e a Goossens, ourivesaria. Agora, com a Charvet, a Chanel ganha acesso a um público masculino de alto poder aquisitivo, um segmento onde a marca tinha presença tímida, restrita a algumas linhas de prêt-à-porter e fragrâncias.
Segundo analistas de mercado, a aquisição da Charvet permite à Chanel oferecer camisas sob medida para seus clientes homens, algo que a casa francesa não fazia diretamente. A Charvet, com sua clientela fiel de empresários, políticos e artistas, traz consigo um know-how de mais de 180 anos em corte, costura e tecidos nobres.
A história da Charvet: de Napoleão III a Churchill
A Charvet foi fundada em 1838 por Christophe Charvet, que abriu uma loja de gravatas e lenços na Rue de la Paix, em Paris. Rapidamente, a casa conquistou a nobreza europeia. Napoleão III foi um dos primeiros clientes ilustres. Mas foi no século XX que a Charvet se tornou lenda.
Winston Churchill era cliente assíduo: encomendava camisas de linho branco com monograma bordado. Grace Kelly, antes de se tornar princesa, também comprava camisas masculinas por lá, para usar como blusas. O duque de Windsor, o rei Eduardo VIII que abdicou do trono, era outro freguês. A lista inclui ainda Frank Sinatra, Yves Saint Laurent e Karl Lagerfeld.
A camisaria mantém até hoje o mesmo endereço histórico, na Place Vendôme, e o mesmo método de produção: cada camisa é cortada à mão, com costuras reforçadas e botões de madrepérola. Um cliente pode levar até três meses para receber sua primeira camisa sob medida.
O que muda com a aquisição?
A Chanel afirmou que a Charvet continuará operando de forma independente. A equipe de 120 funcionários, incluindo 40 alfaiates, será mantida. O ateliê na Place Vendôme também permanece. A grife não planeja mudar o posicionamento da marca, que continuará focada em camisas sob medida e prêt-à-porter masculino de luxo.
Na prática, a aquisição dá à Chanel um novo canal de relacionamento com clientes homens. Quem compra uma camisa Charvet pode, no futuro, ser apresentado a outros produtos Chanel, de ternos a fragrâncias. É uma estratégia de cross-selling que já funciona com outras casas do grupo.
O mercado de luxo masculino: números e tendências
O mercado global de roupas masculinas de luxo movimentou cerca de 45 bilhões de euros em 2025, segundo estimativas do setor. O segmento de camisas sob medida, embora nicho, cresce a taxas anuais de 5% a 7% mercado de luxo masculino no Brasil. A Chanel, com a aquisição da Charvet, se posiciona exatamente nesse nicho de altíssimo padrão.
Para efeito de comparação, a Hermès, concorrente direta da Chanel, já tem uma linha masculina forte, com ternos e camisas. A Louis Vuitton também. A Chanel, até agora, dependia de licenciamentos e parcerias. Com a Charvet, ela ganha produção própria.
Charvet no Brasil: como comprar?
A Charvet não tem loja própria no Brasil. As camisas podem ser compradas pelo site internacional, com entrega para o país, ou na loja de Paris. Uma camisa sob medida começa em 1.200 euros (cerca de R$ 7.200, em cotação de maio de 2026). Já as camisas prêt-à-porter custam a partir de 600 euros (R$ 3.600).
Clientes brasileiros que viajam a Paris podem agendar uma visita ao ateliê na Place Vendôme. O processo de medida leva cerca de uma hora. A primeira camisa fica pronta em até três meses. Depois, encomendas seguintes levam de quatro a seis semanas.
Perguntas Frequentes
Quanto a Chanel pagou pela Charvet?
O valor da aquisição não foi divulgado. Especialistas estimam que a transação girou entre 50 milhões e 100 milhões de euros, com base no faturamento anual da Charvet, estimado em 15 milhões de euros.
A Charvet vai mudar de nome?
Não. A marca continuará se chamando Charvet e operará de forma independente, com sua equipe e ateliê preservados.
Quem eram os clientes famosos da Charvet?
Winston Churchill, Grace Kelly, o duque de Windsor, Frank Sinatra, Yves Saint Laurent e Karl Lagerfeld são alguns dos clientes históricos.
A Chanel vai vender camisas masculinas agora?
Indiretamente, sim. A Chanel agora controla a Charvet, que vende camisas masculinas. A grife pode usar a aquisição para oferecer camisas sob medida a seus clientes homens.
Como comprar uma camisa Charvet do Brasil?
Pelo site internacional, com entrega para o Brasil, ou agendando uma visita ao ateliê em Paris. A camisa sob medida custa a partir de 1.200 euros.