CFOs mudam de emprego em ritmo recorde e revelam transformação silenciosa
Pesquisa global da Russell Reynolds Associates mostra que os CFOs vivem o período de maior rotatividade da história. No Brasil, 40% das posições mudaram de ocupante e o tempo médio de permanência caiu para 4,5 anos, bem abaixo da média global de 6,5 anos.
Os CFOs nunca mudaram tanto de emprego. E isso revela uma transformação silenciosa
O diretor financeiro, antes visto como o guardião das contas, deixou de ser apenas um controlador de custos. Hoje, o CFO precisa liderar estratégia, transformação digital e comunicação com investidores. E essa mudança de perfil gerou um efeito colateral direto: a maior rotatividade da história recente.
Uma pesquisa global da consultoria Russell Reynolds Associates mostra que os CFOs vivem hoje o período de maior rotatividade da história. No Brasil, cerca de 40% das posições de CFO mudaram de ocupante. O tempo médio de permanência na função caiu para 4,5 anos, bem abaixo da média global de 6,5 anos. Além disso, 70% dos diretores financeiros brasileiros permanecem menos de cinco anos no cargo, e apenas 12% ultrapassam uma década na função.
Por que a rotatividade de CFOs disparou?
A explicação, segundo a Russell Reynolds, não está apenas na volatilidade econômica ou na maior mobilidade dos executivos. O próprio cargo mudou. "Em 2025, o cargo de CFO consolidou um mandato ampliado: além das finanças, passou a exigir liderança em estratégia, transformação e comunicação com conselho e investidores", afirma Fernando Machado, sócio-diretor e líder da prática de Finanças da Russell Reynolds Associates.
"Esse cenário intensifica as transições e aumenta a demanda por executivos experientes, capazes de gerar confiança rapidamente", prossegue.
Na prática, o diretor financeiro passou a ser cobrado não apenas pelos resultados do balanço, mas também pela capacidade de liderar mudanças organizacionais, apoiar decisões estratégicas e participar da definição do futuro do negócio.
Experiência prévia virou requisito
Embora 57% dos profissionais tenham assumido seu primeiro mandato como CFO, cresce a preferência por executivos que já ocuparam anteriormente a função. No Brasil, 65% dos novos CFOs nomeados já possuíam experiência prévia no cargo. Os conselhos de administração estão reduzindo o espaço para curvas longas de aprendizado.
A mudança ocorre em um momento em que outras pesquisas apontam uma redefinição do papel da alta liderança. Estudos recentes da BCG mostram que a inteligência artificial deixou de ser uma pauta exclusiva da área de tecnologia e passou a ocupar espaço nas decisões dos CEOs.
O CFO como CEO em formação
O estudo mostra que a função financeira continua sendo uma das principais portas de entrada para o comando das empresas. No Brasil, 13% das transições analisadas resultaram na promoção do CFO ao cargo de CEO, reforçando o papel estratégico da posição na formação das futuras lideranças corporativas.
Ao mesmo tempo, a pesquisa aponta um desafio que permanece distante de solução. Embora mais mulheres tenham ingressado globalmente na função do que deixado o cargo, a participação feminina entre os novos CFOs caiu em 2025. No Brasil, elas representam apenas 14% dos diretores financeiros das empresas listadas no Novo Mercado, percentual cerca de 50% inferior ao cenário internacional.
"Ampliar a presença de mulheres em posições de CFO passa por fortalecer o pipeline de talentos femininos em funções estratégicas, criar condições reais de desenvolvimento ao longo da carreira e garantir ambientes que favoreçam retenção, visibilidade e prontidão para o cargo", afirma Tatiana Mereb, consultora da Russell Reynolds Associates.
O que a alta rotatividade de CFOs significa para as empresas
O aumento da rotatividade mostra que as empresas já não podem tratar a sucessão de seus diretores financeiros como um processo pontual. Com um mandato cada vez mais amplo, os CFOs passaram a reunir competências que vão da gestão financeira tradicional à condução da transformação organizacional, da comunicação com investidores ao apoio estratégico aos conselhos de administração.
Substituir um diretor financeiro tornou-se muito mais complexo do que preencher uma vaga. Significa encontrar um executivo capaz de navegar em um ambiente de mudanças constantes, liderar transformações e transmitir confiança desde o primeiro dia. A cadeira continua sendo de CFO, mas o perfil exigido para ocupá-la nunca esteve tão próximo do de um CEO.
Perguntas Frequentes
Por que os CFOs estão mudando de emprego com mais frequência?
O cargo de CFO se transformou: além das finanças, passou a exigir liderança em estratégia, transformação digital e comunicação com conselhos e investidores, o que aumenta a pressão e a rotatividade.
Qual é o tempo médio de permanência de um CFO no Brasil?
Segundo a Russell Reynolds, o tempo médio de permanência no Brasil caiu para 4,5 anos, bem abaixo da média global de 6,5 anos.
Quantos CFOs são promovidos a CEO no Brasil?
O estudo mostra que 13% das transições de CFO no Brasil resultaram na promoção ao cargo de CEO.
Qual a participação feminina entre os CFOs no Brasil?
As mulheres representam apenas 14% dos diretores financeiros das empresas listadas no Novo Mercado, percentual cerca de 50% inferior ao cenário internacional.