Economia

CFOs mudam de emprego em ritmo recorde e revelam transformação silenciosa

ResumoA pesquisa global da Russell Reynolds Associates revela que os CFOs estão mudando de emprego em ritmo recorde, com 40% das posições no Brasil trocando de ocupante. O tempo médio de permanência no cargo caiu para 4,5 anos no país, abaixo da média global de 6,5 anos, indicando uma transformação silenciosa no perfil desses executivos.

Pesquisa global da Russell Reynolds Associates mostra que os CFOs vivem o período de maior rotatividade da história. No Brasil, 40% das posições mudaram de ocupante e o tempo médio de permanência caiu para 4,5 anos, bem abaixo da média global de 6,5 anos.

Marcelo Iorio
Marcelo Iorio Consultor de planejamento empresarial · 19 de julho de 2026
CFOs mudam de emprego em ritmo recorde e revelam transformação silenciosa

Os CFOs nunca mudaram tanto de emprego. E isso revela uma transformação silenciosa

O diretor financeiro, antes visto como o guardião das contas, deixou de ser apenas um controlador de custos. Hoje, o CFO precisa liderar estratégia, transformação digital e comunicação com investidores. E essa mudança de perfil gerou um efeito colateral direto: a maior rotatividade da história recente.

Uma pesquisa global da consultoria Russell Reynolds Associates mostra que os CFOs vivem hoje o período de maior rotatividade da história. No Brasil, cerca de 40% das posições de CFO mudaram de ocupante. O tempo médio de permanência na função caiu para 4,5 anos, bem abaixo da média global de 6,5 anos. Além disso, 70% dos diretores financeiros brasileiros permanecem menos de cinco anos no cargo, e apenas 12% ultrapassam uma década na função.

Por que a rotatividade de CFOs disparou?

A explicação, segundo a Russell Reynolds, não está apenas na volatilidade econômica ou na maior mobilidade dos executivos. O próprio cargo mudou. "Em 2025, o cargo de CFO consolidou um mandato ampliado: além das finanças, passou a exigir liderança em estratégia, transformação e comunicação com conselho e investidores", afirma Fernando Machado, sócio-diretor e líder da prática de Finanças da Russell Reynolds Associates.

"Esse cenário intensifica as transições e aumenta a demanda por executivos experientes, capazes de gerar confiança rapidamente", prossegue.

Na prática, o diretor financeiro passou a ser cobrado não apenas pelos resultados do balanço, mas também pela capacidade de liderar mudanças organizacionais, apoiar decisões estratégicas e participar da definição do futuro do negócio.

Experiência prévia virou requisito

Embora 57% dos profissionais tenham assumido seu primeiro mandato como CFO, cresce a preferência por executivos que já ocuparam anteriormente a função. No Brasil, 65% dos novos CFOs nomeados já possuíam experiência prévia no cargo. Os conselhos de administração estão reduzindo o espaço para curvas longas de aprendizado.

A mudança ocorre em um momento em que outras pesquisas apontam uma redefinição do papel da alta liderança. Estudos recentes da BCG mostram que a inteligência artificial deixou de ser uma pauta exclusiva da área de tecnologia e passou a ocupar espaço nas decisões dos CEOs.

O CFO como CEO em formação

O estudo mostra que a função financeira continua sendo uma das principais portas de entrada para o comando das empresas. No Brasil, 13% das transições analisadas resultaram na promoção do CFO ao cargo de CEO, reforçando o papel estratégico da posição na formação das futuras lideranças corporativas.

Ao mesmo tempo, a pesquisa aponta um desafio que permanece distante de solução. Embora mais mulheres tenham ingressado globalmente na função do que deixado o cargo, a participação feminina entre os novos CFOs caiu em 2025. No Brasil, elas representam apenas 14% dos diretores financeiros das empresas listadas no Novo Mercado, percentual cerca de 50% inferior ao cenário internacional.

"Ampliar a presença de mulheres em posições de CFO passa por fortalecer o pipeline de talentos femininos em funções estratégicas, criar condições reais de desenvolvimento ao longo da carreira e garantir ambientes que favoreçam retenção, visibilidade e prontidão para o cargo", afirma Tatiana Mereb, consultora da Russell Reynolds Associates.

O que a alta rotatividade de CFOs significa para as empresas

O aumento da rotatividade mostra que as empresas já não podem tratar a sucessão de seus diretores financeiros como um processo pontual. Com um mandato cada vez mais amplo, os CFOs passaram a reunir competências que vão da gestão financeira tradicional à condução da transformação organizacional, da comunicação com investidores ao apoio estratégico aos conselhos de administração.

Substituir um diretor financeiro tornou-se muito mais complexo do que preencher uma vaga. Significa encontrar um executivo capaz de navegar em um ambiente de mudanças constantes, liderar transformações e transmitir confiança desde o primeiro dia. A cadeira continua sendo de CFO, mas o perfil exigido para ocupá-la nunca esteve tão próximo do de um CEO.

Perguntas Frequentes

Por que os CFOs estão mudando de emprego com mais frequência?

O cargo de CFO se transformou: além das finanças, passou a exigir liderança em estratégia, transformação digital e comunicação com conselhos e investidores, o que aumenta a pressão e a rotatividade.

Qual é o tempo médio de permanência de um CFO no Brasil?

Segundo a Russell Reynolds, o tempo médio de permanência no Brasil caiu para 4,5 anos, bem abaixo da média global de 6,5 anos.

Quantos CFOs são promovidos a CEO no Brasil?

O estudo mostra que 13% das transições de CFO no Brasil resultaram na promoção ao cargo de CEO.

Qual a participação feminina entre os CFOs no Brasil?

As mulheres representam apenas 14% dos diretores financeiros das empresas listadas no Novo Mercado, percentual cerca de 50% inferior ao cenário internacional.

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