# Apatia e estabilidade nas pesquisas podem definir eleição

> Pesquisa Datafolha e Quaest indicam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro para a eleição de outubro. A estabilidade nas intenções de voto, observada nas duas pesquisas, sugere que uma minoria do eleitorado, ainda indecisa, terá papel decisivo no resultado final. A apatia política e a baixa variação nos números reforçam a importância do voto estratégico.

*Global Forum · Economia · 03 de setembro de 2026 · Tânia Lustosa*

Pesquisas Datafolha e Quaest mostram empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro. A estabilidade nas intenções de voto pode fazer uma minoria do eleitorado decidir a eleição em outubro.

A disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) expõe dois lados do eleitorado brasileiro. De um lado, uma parcela profundamente engajada em eleger seu candidato. De outro, um grupo que se vê sem opção além da polarização. Entre os polos, pequenos fragmentos do eleitorado podem definir a eleição em outubro.

A última pesquisa Datafolha, publicada em 21 de agosto, mostra Lula na liderança para o segundo turno, com 47% das intenções de voto, enquanto Flávio chega a 43%, cenário considerado empate técnico pela margem de erro. A proximidade é reforçada pela Quaest, divulgada em 2 de setembro, que exibe o petista e o adversário com 42% e 41%, respectivamente, também em empate técnico.

Para o cientista político Hilton Fernandes, da Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), a estabilidade de Lula se explica pela ausência de outro candidato à esquerda que divida seus eleitores. Flávio, ao contrário, disputa o eleitorado da direita com outros nomes no primeiro turno, o que pode explicar as variações após as denúncias envolvendo Daniel Vorcaro. "Como Flávio continua sendo o principal candidato da direita, muitos eleitores parecem ter voltado a declarar voto já no primeiro turno", acrescenta.

A Quaest questionou os eleitores sobre a percepção de Lula e Flávio como melhores candidatos em seus campos ideológicos. Dos entrevistados, 60% disseram que o senador não é o melhor nome da direita, enquanto somente 35% afirmaram o mesmo sobre o petista.

A professora de Ciência Política da UFRJ, Mayra Goulart, interpreta o encurtamento com cautela. "São movimentos relativamente pequenos: Lula passou de 41% para 39%, enquanto Flávio foi de 31% para 33%", afirma. Ela destaca que a polarização reduz o universo de persuasão, mas aumenta o valor de cada ponto conquistado. "Elas precisam atuar nas margens: mulheres, a classe média, eleitores menos identificados ideologicamente."

No Nordeste, Lula mantém vantagem de 53% a 25%, segundo o Datafolha, apesar da agenda de Flávio na região com o vice Alfredo Gaspar (PL-AL). Mayra pondera que vencer o petista na região é pouco realista; o racional é diminuir a diferença.

No campo progressista, Lula aposta em jingles com entonação de hino e valores religiosos para atrair evangélicos. Fernandes ressalta o desgaste da imagem do petista e a necessidade de recuperar confiança. A Quaest mostra Flávio liderando a rejeição com 55%, ante 53% de Lula, e a desaprovação do governo em 48%.

Mayra sugere que a campanha de Lula dispute problemas concretos, como renda, trabalho e segurança, em vez de mimetizar a linguagem da direita religiosa. A permanência dos empates reforça a possibilidade de disputa voto a voto em 25 de outubro. Para Fernandes, a estabilidade demonstra a dificuldade de Lula em conquistar novos eleitores. Mayra reforça que Flávio preservou o eleitorado bolsonarista mesmo após a prisão de Jair Bolsonaro e os reveses com Vorcaro, mantendo aberta a possibilidade de agregar eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) no segundo turno.

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