# Celulares dobráveis: por que a Apple lançou o iPhone Duo

> O iPhone Duo é o primeiro celular dobrável da Apple, anunciado por US$ 1.999 com lançamento em outubro. A Apple entra no segmento de dobráveis porque esse é o único mercado de smartphones com projeção de crescimento em 2026, segundo a IDC, enquanto o setor global registra queda nas vendas.

*Global Forum · Economia · 11 de setembro de 2026 · Tânia Lustosa*

A Apple apresentou o iPhone Duo, dobrável de US$ 1.999 que chega em outubro. Em um mercado global em queda, os dobráveis são o único segmento com projeção de crescimento em 2026, segundo a IDC.

A Apple apresentou nesta semana um iPhone que se dobra como um livro, amplia a tela quando aberto e se fecha para caber no bolso. É a maior mudança física no design do iPhone em quase duas décadas. O modelo, chamado iPhone Duo, custará US$ 1.999 e chega ao mercado em outubro.

A pergunta que fica é quem paga essa conta. Os dobráveis existem há anos, mas nunca se popularizaram: são caros, menos resistentes e muitas vezes pouco práticos diante dos smartphones convencionais. Ainda assim, a Apple decidiu apostar no formato agora.

A resposta mais direta é reposicionamento. Os retangulares ficaram tão bons que aparelhos acima de US$ 1.000 se tornaram quase indistinguíveis dos mais acessíveis. Carregar três câmeras em vez de duas já não impressiona. O dobrável, pelo contrário, chama atenção. E, pelo preço, precisa chamar.

O iPhone Duo disputa espaço com o Galaxy dobrável da Samsung, vendido por cerca de US$ 1.900. "Sempre que algo é exclusivo, limitado e luxuoso, a psicologia do consumidor reage positivamente", afirma Nabila Popal, diretora da consultoria IDC. "É como bolsas de luxo. Por que alguém compra uma Chanel em vez de outra marca? Não é necessariamente por causa do couro. É para mostrar que possui uma Chanel e que pode pagar por ela."

A estratégia lembra a dos fabricantes de TVs há cerca de uma década. Quando as TVs de alta definição viraram commodities, Panasonic, LG e Sony testaram telas curvas e 3D por cerca de US$ 3.000. Fracassaram. Depois, acertaram com as OLED. O lançamento ocorre num momento em que trocar de celular ficou mais difícil: com a escassez global de chips de memória agravada pela demanda de inteligência artificial, a Apple elevou preços neste ano. Macs e iPads ficaram até 29% mais caros, e os novos iPhones 18 Pro passam a custar US$ 1.199, US$ 100 acima da geração anterior.

Nesse cenário, os dobráveis são um raro ponto de crescimento. Segundo a IDC, respondem por menos de 2% do mercado global, mas devem ser o único segmento a avançar em 2026. A consultoria estima queda de 17% nas vendas mundiais de smartphones neste ano, a maior da história, enquanto os dobráveis podem crescer 12%, para 22,9 milhões de unidades.

Vender um dobrável segue sendo desafiador. As telas são mais frágeis que painéis de vidro rígido, e os aparelhos costumam ser mais grossos e pesados quando fechados. Dan Frommer, editor do The New Consumer, diz que sempre teve dúvidas sobre a utilidade da categoria. "Usamos smartphones dessa maneira há 19 anos", afirma. "Para que alguém realmente precisaria de uma tela grande e quadrada?"

O iPhone Duo tenta resolver parte dessas limitações. Fechado, tem tela externa de 5,4 polegadas. Aberto, painel interno de 7,6 polegadas. A Apple afirma que o material dobrável é mais resistente que o dos concorrentes. Em teste do New York Times, o aparelho impressionou pela espessura: aberto, mede dois décimos de polegada. Fechado, é comparável a um passaporte e parece menos volumoso no bolso que o Google Pixel 11 Pro Fold, de US$ 1.900. A tela interna é fosca, mas a marca da dobra segue visível em algumas situações.

Para chegar a esse design fino, houve concessões: o iPhone Duo não tem o conjunto avançado de câmeras dos iPhone 18 Pro nem reconhecimento facial, usando sensor de impressão digital na lateral. Mesmo assim, Frommer admite a curiosidade. "Quando a Apple lança alguma coisa, existe um fascínio que faz as pessoas quererem pelo menos experimentar", afirma.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/celulares-dobraveis-ainda-nao-fazem-tanto-sucesso-entao-por-apple-lancou-um/
