# Carta a Fachin: ministros aposentados pedem apuração rigorosa

> Treze ministros aposentados do Supremo Tribunal Federal enviaram carta a Edson Fachin solicitando sessão pública para apuração rigorosa da crise institucional na Corte. A correspondência não menciona nominalmente André Mendonça ou Alexandre de Moraes. O pedido busca transparência e investigação formal dos fatos que afetam a credibilidade do STF.

*Global Forum · Economia · 08 de setembro de 2026 · Marcelo Iorio*

Treze ministros aposentados do STF enviaram carta a Edson Fachin pedindo sessão pública para apuração rigorosa da crise na Corte, sem citar Mendonça e Moraes.

Treze ministros aposentados do Supremo Tribunal Federal (STF) assinaram nesta segunda-feira uma carta endereçada ao presidente da Corte, Edson Fachin, pedindo a convocação "urgente" de uma sessão pública para que o plenário determine "uma apuração imediata e rigorosa" dos fatos que atingem o tribunal. O documento, que não menciona diretamente os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, classifica o momento atual como a "mais aguda crise" da história do Supremo.

Os ex-magistrados afirmam que os fatos divulgados vêm comprometendo o prestígio e a autoridade da Corte, a confiança da população e até a estabilidade das instituições democráticas. A carta começa com os ministros manifestando "plena confiança na seriedade, discernimento e firmeza" de Fachin na condução do STF "na mais aguda crise de sua história".

## O que pedem os ministros aposentados na carta a Fachin

No documento, os signatários declaram ter "a absoluta convicção de que V. Exª designará, com toda a urgência, sessão pública para que o Pleno determine imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal, dos gravíssimos fatos cuja divulgação vem comprometendo o prestígio e a autoridade desse Tribunal, a confiança do povo e até a estabilidade das instituições democráticas".

A carta é assinada pelas ministras aposentadas Ellen Gracie e Rosa Weber e pelos ministros aposentados Néri da Silveira, Francisco Rezek, Sydney Sanches, Celso de Mello, entre outros nomes que integraram a Corte em diferentes períodos.

## O contexto da crise no STF

A crise no Supremo escalou na quinta-feira com um pedido apresentado por Alexandre de Moraes para que André Mendonça seja investigado pelo que classificou como "indícios de crimes" cometidos pelo colega de Corte na condução de inquéritos sob sua relatoria, em especial o relativo ao escândalo do Banco Master.

O despacho surgiu dois dias após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou mensagens de Daniel Vorcaro, dono do banco, ao próprio Moraes. Ao demandar a PF, Moraes determinou o envio de documentos que citassem integrantes da Corte em razão de "diversas informações sobre condutas de autoridades tendentes a afastar a independência" dos magistrados.

O clima de tensão se intensificou após a revelação de mensagens trocadas entre Moraes e o ex-dono do Banco Master. O caso também levou a protestos organizados pela direita, que miram o presidente Lula e pressionam o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a pautar o impeachment de ministros.

## A resposta de Fachin à crise

Diante do conflito, Fachin disse na sexta-feira, em evento no Palácio do Planalto, que a resposta será "firme e rigorosa", mas sem "precipitação". Ele afirmou que a "gravidade" dos fatos não "autoriza atalhos".

"As instituições precisam ser preservadas, sobretudo nos momentos de maior tensão. Nenhuma autoridade está acima da Constituição. Nenhum Poder está acima da lei. Nenhum interesse circunstancial pode se sobrepor à integridade do Estado democrático de direito", afirmou o presidente do STF.

Fachin abriu prazo para que Moraes e Mendonça se manifestem. Também vão prestar esclarecimentos o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ambos citados em mensagens de Vorcaro.

## O que esperar da apuração no STF

A carta dos ministros aposentados reforça a pressão por uma resposta institucional rápida. A menção a "devido processo legal" indica que os signatários esperam uma investigação dentro dos ritos formais, sem atalhos. O pedido de sessão pública também sugere transparência como caminho para restaurar a confiança na Corte.

A decisão de Fachin de ouvir os envolvidos antes de qualquer medida concreta aponta para um desenho de apuração que equilibra celeridade e segurança jurídica. O desfecho deve passar pela análise das mensagens reveladas, pela manifestação dos ministros citados e pela avaliação do procurador-geral e do diretor da PF sobre os fatos.

## Perguntas Frequentes

### Quem assinou a carta a Fachin?

A carta é assinada por treze ministros aposentados do STF, incluindo Ellen Gracie, Rosa Weber, Néri da Silveira, Francisco Rezek, Sydney Sanches e Celso de Mello.

### O que os ministros aposentados pedem na carta?

Eles pedem que Fachin convoque com urgência uma sessão pública para que o plenário determine apuração imediata e rigorosa dos fatos que atingem o tribunal.

### A carta menciona André Mendonça ou Alexandre de Moraes?

Não. O documento não cita diretamente os ministros, mas classifica o momento como a mais aguda crise da história do STF.

### Qual foi a resposta de Fachin à crise?

Fachin afirmou que a resposta será firme e rigorosa, sem precipitação, e abriu prazo para manifestações de Moraes, Mendonça, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues.

### O que motivou a crise no STF?

A crise escalou após Moraes pedir investigação de Mendonça por indícios de crimes, dois dias depois de Mendonça retirar sigilo de relatório da PF com mensagens de Daniel Vorcaro a Moraes.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/carta-fachin-ministros-aposentados-pedem-apuracao-rigorosa-crise-stf/
