# Brechas regulatórias favorecem crime com criptomoedas, diz órgão global

> Financial Action Task Force (FATF) aponta que brechas na regulação global de criptomoedas continuam favorecendo crimes financeiros. Brasil, com regras mais rígidas, é citado como possível modelo, mas enfrenta desafios de fiscalização para conter o uso ilícito de ativos digitais.

*Global Forum · Economia · 16 de julho de 2026 · Aisha Mbeki*

Relatório do Financial Action Task Force (FATF) revela que brechas na regulação global de criptomoedas ainda facilitam crimes financeiros. Brasil, que adota regras mais rígidas, pode servir de modelo, mas enfrenta desafios de fiscalização.

## Brechas regulatórias favorecem crime com criptomoedas, diz órgão global

Brechas regulatórias globais ainda permitem que criminosos usem criptomoedas para lavagem de dinheiro e financiamento ilícito, segundo o Financial Action Task Force (FATF). O órgão aponta que apenas 30% dos países implementaram plenamente as recomendações de 2019, deixando brechas exploradas por organizações criminosas.

## Lacunas na regulação global de criptomoedas

O FATF, organismo intergovernamental que define padrões de combate à lavagem de dinheiro, divulgou em junho de 2026 seu relatório mais recente sobre o setor de criptoativos. O documento indica que, apesar dos avanços desde 2019, quando foram publicadas as primeiras recomendações específicas para o setor, a implementação ainda é fragmentada.

"Apenas 30% dos países implementaram plenamente as recomendações do FATF para provedores de serviços de ativos virtuais", afirma o relatório. Esse percentual representa um avanço em relação aos 25% de 2024, mas ainda deixa a maior parte do globo vulnerável a atividades ilícitas.

### O que são as recomendações do FATF para criptomoedas

As recomendações do FATF, conhecidas como "Travel Rule", exigem que provedores de serviços de ativos virtuais (VASPs), como exchanges, corretoras e carteiras, coletem e compartilhem informações sobre remetentes e destinatários de transações acima de um determinado valor. O objetivo é rastrear fluxos financeiros e evitar o anonimato total.

Segundo o FATF, a regra cobre transações entre VASPs, mas deixa brechas quando o destinatário é uma carteira privada não custodiada ou localizada em jurisdições sem regulação. É nesse ponto que criminosos concentram suas operações.

## Como o crime organizado explora as brechas

O relatório do FATF identifica três principais formas de exploração das lacunas regulatórias:

- Uso de carteiras privadas não custodiadas: criminosos enviam criptomoedas diretamente para carteiras controladas por eles, sem passar por exchanges regulamentadas, o que escapa da Travel Rule.
- Operações em exchanges não regulamentadas: plataformas em países sem fiscalização adequada permitem transações sem verificação de identidade.
- Misturadores de criptomoedas (tumblers): serviços que embaralham transações de múltiplos usuários para ocultar a origem dos fundos.

"Estimamos que cerca de 2,3 bilhões de dólares em transações ilícitas com criptomoedas ocorreram em 2025, um aumento de 15% em relação a 2024", afirma o FATF em seu relatório. O montante, embora significativo, representa menos de 1% do volume total de transações globais de criptomoedas.

## O cenário brasileiro: regulação mais rígida, mas desafios persistem

O Brasil adota uma das regulações mais abrangentes da América Latina para criptomoedas. A Lei 14.478/2022, que estabelece o marco legal dos criptoativos, e a atuação do Banco Central como órgão regulador, colocam o país em posição de destaque.

No entanto, o relatório do FATF aponta que mesmo países com regulação avançada enfrentam dificuldades para fiscalizar transações com carteiras privadas e exchanges estrangeiras. "O Brasil implementou a Travel Rule para exchanges registradas, mas a fiscalização de transações com carteiras não custodiadas ainda é um desafio", diz o documento.

### O papel do Banco Central e da CVM

O Banco Central do Brasil, responsável por regular e supervisionar as prestadoras de serviços de ativos virtuais, estabeleceu em 2025 regras mais rigorosas para exchanges, incluindo a obrigatoriedade de comunicação de operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também regula fundos de investimento em criptomoedas.

"As medidas brasileiras estão alinhadas com as melhores práticas internacionais, mas a natureza descentralizada das criptomoedas impõe limites à ação regulatória", afirma o Banco Central em nota técnica.

## Impacto no combate à lavagem de dinheiro

A lavagem de dinheiro com criptomoedas é uma preocupação crescente para autoridades globais. O FATF estima que o volume total de lavagem de dinheiro no mundo seja de 2% a 5% do PIB global, e as criptomoedas representam uma parcela pequena, mas crescente, desse montante.

No Brasil, o Coaf registrou em 2025 um aumento de 40% nos relatos de operações suspeitas envolvendo criptomoedas, em comparação com 2024. Esse aumento reflete tanto o crescimento do mercado quanto a melhoria na capacidade de detecção das autoridades.

## Perspectivas: o que esperar para os próximos anos

O FATF recomenda que os países acelerem a implementação plena da Travel Rule e ampliem a cooperação internacional para rastrear transações transfronteiriças. O órgão também sugere o desenvolvimento de tecnologias de rastreamento de carteiras privadas e a criação de um registro global de VASPs.

"A implementação completa das recomendações do FATF até 2028 poderia reduzir em até 60% as transações ilícitas com criptomoedas", projeta o relatório.

Para o Brasil, o caminho inclui fortalecer a fiscalização de exchanges estrangeiras que operam no país e investir em ferramentas de análise de blockchain. O Banco Central já anunciou que pretende lançar um sistema de monitoramento em tempo real de transações com criptomoedas até o final de 2027 regulação de criptomoedas no Brasil.

## Perguntas Frequentes

### O que são brechas regulatórias em criptomoedas?

São lacunas nas leis e regras que permitem que criminosos usem criptomoedas para atividades ilícitas sem serem detectados.

### Qual órgão global apontou essas brechas?

O Financial Action Task Force (FATF), organismo intergovernamental de combate à lavagem de dinheiro.

### Como o Brasil regula criptomoedas?

Pela Lei 14.478/2022, com supervisão do Banco Central e da CVM, incluindo a obrigatoriedade da Travel Rule para exchanges.

### O que é a Travel Rule?

Regra que exige que provedores de serviços de ativos virtuais coletem e compartilhem informações sobre remetentes e destinatários de transações.

### As criptomoedas são seguras?

Sim, a tecnologia blockchain é segura, mas o uso criminoso ocorre por brechas na regulação e no anonimato de algumas transações.

### O que o FATF recomenda para o futuro?

Implementaçãoplena da Travel Rule, cooperação internacional e desenvolvimento de tecnologias de rastreamento de carteiras privadas.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/brechas-regulatorias-favorecem-crime-criptomoedas-diz-orgao-global/
