Bolsas da Europa fecham na maioria em queda sob onda de vendas no setor tech
As bolsas da Europa fecharam na maioria em queda nesta quarta-feira, puxadas por uma forte onda de vendas no setor de tecnologia. O Stoxx 600 recuou 0,8%, com destaque para as perdas de ações de semicondutores e software. Investidores reagem a dados econômicos e balanços corporat
Bolsas da Europa fecham na maioria em queda sob onda de vendas no setor tech
As bolsas da Europa fecharam na maioria em queda nesta quarta-feira, pressionadas por uma forte onda de vendas no setor de tecnologia, que arrastou os índices acionários do continente para o vermelho. O Stoxx 600, principal indicador da região, recuou 0,8%, com destaque para as perdas de ações de semicondutores, software e equipamentos eletrônicos. O movimento ocorre em meio a preocupações com a desaceleração da economia global e a alta dos juros, que afetam as empresas do setor.
Por que as bolsas da Europa caíram hoje?
A queda generalizada nas bolsas europeias foi liderada pelo setor de tecnologia, que sofreu com a combinação de fatores macroeconômicos e resultados corporativos abaixo do esperado. Dados recentes de atividade industrial na Europa, divulgados pela S&P Global, mostraram contração pelo quarto mês consecutivo, com o PMI industrial da zona do euro caindo para 44,8 em maio, ante 45,7 em abril. Esse indicador, que mede a saúde do setor manufatureiro, sinaliza retração quando fica abaixo de 50.
Além disso, o Banco Central Europeu (BCE) manteve a taxa de juros básica em 4,25% ao ano, conforme esperado, mas o presidente da instituição, Christine Lagarde, indicou que novos aumentos podem ocorrer se a inflação não ceder. A perspectiva de juros mais altos por mais tempo pesa sobre as empresas de tecnologia, que dependem de crédito barato para financiar crescimento e inovação.
Índices europeus: Stoxx 600, DAX, CAC 40 e FTSE 100
Entre os principais índices acionários da Europa, o DAX 30, da Alemanha, fechou em queda de 0,6%, aos 15.840 pontos, pressionado pelas ações da Infineon Technologies, que recuaram 3,2% após a empresa reduzir sua projeção de receita para o trimestre. O CAC 40, da França, caiu 0,7%, para 7.210 pontos, com destaque para a perda de 2,8% da Capgemini, consultoria de tecnologia que também reportou resultados abaixo do esperado.
O FTSE 100, do Reino Unido, foi o único entre os grandes índices a fechar em alta, com leve avanço de 0,2%, para 7.620 pontos, impulsionado por ações de empresas de energia e mineração, que se beneficiaram da alta do petróleo e do minério de ferro. O índice italiano FTSE MIB recuou 0,5%, enquanto o espanhol IBEX 35 caiu 0,3%.
Setor tech na Europa: vendas em semicondutores e software
A onda de vendas no setor de tecnologia europeu foi generalizada, mas os maiores impactos foram sentidos em empresas de semicondutores e software. A ASML Holding, fabricante holandesa de equipamentos para chips, caiu 4,1%, maior queda do Stoxx 600, após o governo dos EUA anunciar novas restrições à exportação de tecnologia para a China. A medida, que visa conter o avanço chinês na produção de chips avançados, afeta diretamente a receita da ASML, que tem a China como um de seus principais mercados.
Outras empresas do setor também sofreram: a STMicroelectronics caiu 3,5%, a Infineon recuou 3,2% e a Soitex perdeu 2,9%. No segmento de software, a SAP, maior empresa de tecnologia da Europa, caiu 1,8%, enquanto a Dassault Systèmes recuou 2,1%. Empresas de tecnologia menores, como a alemã TeamViewer e a francesa Ubisoft, também fecharam em queda.
Impacto nos mercados globais e no Brasil
A queda nas bolsas europeias ocorre em um dia de aversão ao risco nos mercados globais, com os índices de Wall Street também operando no vermelho. O Dow Jones caía 0,3% no horário do fechamento europeu, enquanto o S&P 500 recuava 0,5% e o Nasdaq, mais exposto ao setor de tecnologia, perdia 1,2%. O movimento foi puxado pelas mesmas preocupações com juros e tecnologia que afetaram a Europa.
No Brasil, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em queda de 0,4%, aos 118.200 pontos, influenciado pelo mau humor externo. As ações de tecnologia brasileiras, como Magazine Luiza e Lojas Americanas, também caíram, mas o destaque foi a alta de 1,2% da Petrobras, que segurou a queda do índice. O dólar comercial subiu 0,3%, cotado a R$ 4,95, refletindo a busca por proteção dos investidores.
O que esperar das bolsas europeias nos próximos dias?
Analistas consultados pela Reuters apontam que a tendência de curto prazo para as bolsas europeias é de volatilidade, com o setor de tecnologia continuando sob pressão. A decisão do BCE sobre juros, combinada com os dados de inflação da zona do euro, que serão divulgados na sexta-feira, devem ditar o ritmo dos mercados. Se a inflação não mostrar sinais claros de arrefecimento, o BCE pode sinalizar novos aumentos de juros, o que tende a derrubar ainda mais as ações de tecnologia.
Por outro lado, balanços corporativos do segundo trimestre, que começam a ser divulgados em julho, podem trazer alívio se as empresas mostrarem resiliência. Empresas de tecnologia como SAP, ASML e Infineon são as mais aguardadas. Para quem investe em ações europeias, a recomendação é diversificar setores e evitar concentração em tecnologia no momento.
Perguntas Frequentes
O que é o Stoxx 600?
O Stoxx 600 é um índice que reúne as 600 maiores empresas de capital aberto da Europa, abrangendo 17 países da região. Ele é usado como referência para medir o desempenho do mercado acionário europeu como um todo.
Por que o setor de tecnologia caiu tanto hoje?
O setor de tecnologia foi pressionado por preocupações com juros altos, que encarecem o crédito e reduzem o valor presente dos fluxos de caixa futuros das empresas. Além disso, novas restrições dos EUA à exportação de tecnologia para a China afetaram empresas de semicondutores.
Qual foi o índice europeu que mais caiu?
O índice que mais caiu foi o CAC 40, da França, com queda de 0,7%, seguido pelo DAX alemão, que recuou 0,6%. O FTSE 100, do Reino Unido, foi o único a fechar em alta.
Como a queda na Europa afeta o Brasil?
A queda nas bolsas europeias aumenta a aversão ao risco global, o que tende a derrubar o Ibovespa e pressionar o dólar para cima. Investidores brasileiros devem monitorar o cenário externo para ajustar suas carteiras.
Vale a pena investir em ações europeias agora?
Depende do perfil de risco. Para quem busca diversificação internacional, as ações europeias podem ser uma opção, mas o momento é de cautela, especialmente no setor de tecnologia. A recomendação é focar em setores defensivos, como saúde e utilities.
Como investir em ações europeias pela B3