# Benx põe R$ 500 milhões no alto padrão e prevê freio no mercado

> A Benx, incorporadora brasileira, direciona R$ 500 milhões para empreendimentos de alto padrão e adota postura conservadora até 2027, concentrando lançamentos nos extremos de renda e retomando escritórios triple A. O Parque Global, principal projeto da empresa, pode alcançar R$ 10 bilhões em Valor Geral de Vendas até 2035.

*Global Forum · Economia · 17 de setembro de 2026 · Tânia Lustosa*

Incorporadora Benx adota postura conservadora até 2027, concentra lançamentos nos extremos de renda e retoma escritórios triple A. Parque Global pode chegar a R$ 10 bilhões em VGV até 2035.

A Benx Incorporadora, responsável pelo Parque Global, em São Paulo, vai desacelerar. A empresa, que hoje lança entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão por ano (sem contar o megaprojeto), projeta dois anos de acomodação do setor. Até 2027, a postura será mais criteriosa na compra de terrenos e no ritmo de lançamentos, segundo o CEO Luciano Amaral.

A resposta da companhia para o novo ciclo é concentrar os investimentos nos dois extremos do mercado: de um lado, a Viva Benx, voltada ao segmento econômico; do outro, apartamentos de pelo menos 400 metros quadrados, com preços a partir de R$ 18 milhões. É nesse segundo mercado que está uma das maiores apostas da incorporadora.

Nos últimos três anos, a Benx desembolsou mais de R$ 500 milhões na Árborea, marca criada para atuar no altíssimo padrão. Já há um empreendimento pronto no Itaim, outro em construção no Jardim Europa e um projeto aprovado nos Jardins. A empresa espera ainda a aprovação de um empreendimento no Ibirapuera e comprou terrenos no Jardim América. Outro negócio está sendo negociado na Vila Nova Conceição. A intenção é adquirir aproximadamente dois terrenos por ano.

O gargalo dessa estratégia não é só a demanda. Encontrar áreas adequadas virou um dos principais entraves. "É mosca branca", diz Amaral. Uma única área pode custar entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões. Comprar cinco terrenos desse porte significaria comprometer perto de R$ 1 bilhão apenas com aquisição. Em bairros consolidados, terrenos vazios praticamente desapareceram. Para viabilizar novos projetos, a solução muitas vezes é comprar edifícios antigos, esvaziá-los e colocá-los abaixo. Isso já ocorre em cerca de 90% das aquisições destinadas ao altíssimo padrão.

A concentração no topo da pirâmide levanta uma pergunta: existe demanda suficiente? Na avaliação da Benx, sim. Parte vem da transferência de patrimônio entre gerações de famílias que enriqueceram em São Paulo a partir das décadas de 1950 e 1960. Outra parcela vem de fortunas mais recentes, criadas por empreendedores que venderam suas empresas e por profissionais do mercado financeiro. "As famílias aumentam o número de integrantes e eles querem continuar morando bem. Além disso, surgiram novas fortunas", afirma Amaral.

O executivo estima que haja espaço para até dez projetos da Árborea em São Paulo, mas não acredita ser possível lançar cinco empreendimentos desse perfil por ano sem comprometer a exclusividade e a absorção dos imóveis.

O residencial não é o único mercado no radar. A Benx decidiu voltar a investir em escritórios triple A, segmento que atravessou uma crise depois da pandemia e da disseminação do trabalho remoto. "O mercado corporativo naufragou. Chegaram a decretar o fim dos escritórios. Agora falta escritório. O mercado corporativo voltou", afirma o CEO. A incorporadora já recebeu uma pré-proposta para a locação de um prédio na avenida Rebouças, com entrega prevista para daqui a dois anos, e negocia uma área no Itaim para desenvolver outro empreendimento corporativo de alto padrão. Uma área adequada para o projeto no Itaim dificilmente custa menos de R$ 200 milhões.

Separado das operações tradicionais está o Parque Global, megaprojeto às margens da Marginal Pinheiros. Tratado como subsidiária, tem horizonte de desenvolvimento de aproximadamente 15 anos e previsão de conclusão por volta de 2034 ou 2035, alcançando cerca de R$ 10 bilhões em VGV. A Benx analisa novas áreas no entorno, que podem demandar cerca de R$ 200 milhões adicionais e elevar a área ocupada em 300 mil metros quadrados (hoje são aproximadamente 200 mil). Entre os usos estudados estão um centro de longevidade e senior living, novos residenciais com apartamentos maiores, edifício comercial e até um clube de tênis. A decisão sobre a expansão deve sair no início do próximo ano. A companhia também estuda replicar o conceito em Porto Alegre, Salvador e Goiânia.

Para financiar a expansão sem aumentar o endividamento, a Benx afirma não tomar financiamento para adquirir terrenos nem carregar dívida corporativa. O crédito bancário fica concentrado na construção, dentro do Sistema Financeiro da Habitação. Para as aquisições, a estratégia é trazer investidores para dentro de cada projeto e dividir o lucro. "O brasileiro gosta de ter apartamento para alugar, gosta da sensação do tijolo", diz Amaral. A bolsa não está nos planos imediatos: a empresa já estudou um IPO duas vezes, em 2007 e em 2020, e desistiu nas duas ocasiões.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/benx-parque-global-poe-r-500-milhoes-alto-padrao-preve-freio-mercado-imobiliario/
