Economia

Auxílio ao Norte da África: oportunidade estratégica para a UE?

ResumoO Pacto da União Europeia para o Mediterrâneo representa uma oportunidade estratégica para a UE estabilizar o Norte da África, região abalada pela guerra no Oriente Médio. A análise de Tarek Megerisi, pesquisador do Conselho Europeu de Relações Exteriores, destaca o potencial do acordo para fortalecer a cooperação regional e mitigar crises.

O recém-assinado Pacto da União Europeia para o Mediterrâneo pode ser uma oportunidade estratégica para a UE estabilizar o Norte da África, abalado pela guerra no Oriente Médio. A opinião é de Tarek Megerisi, pesquisador do Conselho Europeu de Relações Exteriores.

Marcelo Iorio
Marcelo Iorio Consultor de planejamento empresarial · 21 de julho de 2026
Auxílio ao Norte da África: oportunidade estratégica para a UE?

O erro de gestão que muitos governos cometem é ignorar crises externas enquanto cuidam apenas da economia doméstica. Com o Norte da África, o raciocínio é outro: a instabilidade na região, agravada pela guerra no Oriente Médio, pode ser a chance de a União Europeia (UE) agir estrategicamente.

Segundo Tarek Megerisi, pesquisador do Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR), o recém-assinado Pacto da União Europeia para o Mediterrâneo é o ponto de partida para que o continente europeu aproveite as oportunidades abertas pelos impactos da Guerra no Oriente Médio sobre as nações do Norte da África.

O que diz o pesquisador sobre a crise no Norte da África?

Megerisi afirma que a região ainda sofre os abalos dos combates do início do ano. As finanças do Egito e da Tunísia registram fortes impactos, enquanto o equilíbrio de poder entre Marrocos e Argélia parece instável, assim como o status quo político delicadamente equilibrado da Líbia. "A corrosividade da guerra está empurrando a região para mais perto da instabilidade", explica.

Como a guerra no Oriente Médio afeta a economia regional?

O pesquisador detalha que as economias da região são orientadas para a importação, dependendo de fluxos de moedas globais e cada vez mais ávidas por energia. Isso as torna vulneráveis às consequências geopolíticas e geoeconômicas da guerra do Irã. A nova série de ataques de Washington contra o Irã, lançada em 8 de julho, arrisca estender as rupturas causadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz, que trouxeram volatilidade aos preços globais dos combustíveis.

O impacto na indústria de fertilizantes

As exportações de ureia e enxofre foram atingidas, paralisando a indústria de fertilizantes, central para as economias do norte da África e para o fornecimento de alimentos. O Marrocos abriga o maior exportador mundial de fosfato, enquanto o Egito é um dos maiores consumidores e exportadores de fertilizantes do mundo. A indústria do fosfato da Tunísia, embora uma joia de sua economia, depende totalmente de materiais importados.

Megerisi lembra que a região importa mais da metade de seus alimentos. "A queda nas receitas de exportação e o aumento dos custos da agricultura doméstica são extremamente dolorosos. Os custos do governo estão aumentando, indústrias intensivas em mão de obra contraindo, exportações caindo, enquanto os preços dos alimentos básicos inflam em uma região onde a insegurança alimentar já dobrou entre 2019 e 2024."

O que a UE pode fazer?

O pesquisador defende que a UE e seus Estados-membros podem ajudar a estabilizar a situação. Países como Espanha, França e Itália poderiam doar ou emprestar a baixo custo seus Direitos Especiais de Retirada, ativos fornecidos pelo FMI para complementar reservas cambiais, para garantir que economias regionais em dificuldades resistam.

Além disso, sugere incentivar a Comissão Europeia a ampliar a facilidade de alimentação e resiliência para a vizinhança sul, ajudando os estados a lidar com a crise dos fertilizantes.

Como o Pacto para o Mediterrâneo se encaixa?

O Pacto para o Mediterrâneo tem como meta reiniciar as relações entre a Europa e o sul do Mediterrâneo, fornecendo um roteiro prático para a cooperação. Seu objetivo é desenvolver uma parceria transmediterrânea mais profunda, fomentando livre comércio e investimento que aproximariam esses Estados do mercado único da UE.

Megerisi acredita que tais medidas ajudariam os europeus a desenvolver credibilidade e boa vontade, estabilizar a vizinhança e preparar o terreno para um engajamento ampliado. A comissão poderia então ampliar isso a longo prazo, indo às capitais regionais com planos para desenvolver geração de energia verde, facilitar investimentos do setor privado europeu e desenvolver infraestrutura por meio do Global Gateway.

Perguntas Frequentes

O que é o Pacto da UE para o Mediterrâneo?

É um acordo recém-assinado que visa reiniciar as relações entre a Europa e o sul do Mediterrâneo, fornecendo um roteiro prático para cooperação em comércio, energia, segurança e migração.

Quem é Tarek Megerisi?

É pesquisador do Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR), especialista em Oriente Médio e Norte da África.

Por que o Norte da África está vulnerável?

Porque suas economias são orientadas para a importação, dependem de moedas globais e são afetadas pela volatilidade dos preços de energia e fertilizantes, agravada pela guerra no Oriente Médio.

Como a UE pode ajudar na prática?

Doando ou emprestando Direitos Especiais de Retirada do FMI, ampliando a facilidade de alimentação e resiliência, e investindo em energia verde e infraestrutura via Global Gateway.

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