AtlasIntel: 57% dos brasileiros avaliam Trump negativamente
Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg revela que 57,4% dos brasileiros avaliam Donald Trump negativamente, uma piora em relação a junho. Entenda o impacto das tarifas e da soberania nacional.
AtlasIntel: 57% dos brasileiros tem uma visão negativa sobre Donald Trump
A maioria dos brasileiros segue avaliando negativamente a imagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. É o que aponta a mais recente pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta sexta-feira (31). O levantamento ouviu 5.021 eleitores entre os dias 22 e 27 de julho, com margem de erro de 1 ponto percentual, e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08602/2026.
Segundo o levantamento, 57,4% dos entrevistados avaliam Trump negativamente, enquanto 35,3% manifestam opinião positiva. Outros 7,5% afirmaram não saber como avaliá-lo. Os números representam uma queda de cerca de 4 pontos percentuais na avaliação positiva em relação à rodada de junho, quando 41,7% dos eleitores brasileiros viam Trump de forma positiva e 54,8% de forma negativa.
Por que a percepção sobre Trump piorou entre os brasileiros?
A piora na percepção sobre Trump volta a patamares semelhantes aos de abril de 2025, dois meses antes de o governo norte-americano impor as primeiras sobretaxas ao Brasil. Naquele período, a rejeição a Trump atingiu o pico de 63,2%.
A pesquisa deste mês foi realizada 15 dias após a imposição de novas tarifas de 25% e da sobretaxa de 12,5% sobre exportações brasileiras. A medida veio após a tentativa do governo norte-americano de pressionar o governo federal a negociar temas considerados caros ao Brasil, como o sistema de pagamentos Pix, a isenção de tarifas para empresas dos EUA nos setores automotivo, químico e aeroespacial e a redução a zero das tarifas de importação do etanol americano.
Tarifas americanas ameaçam a soberania brasileira?
Questionados sobre se as tarifas aplicadas pelos EUA contra produtos brasileiros colocam em risco a soberania brasileira, 49,2% dos entrevistados afirmam não enxergar perigo na taxação, enquanto 47,7% concordaram que a ação dos EUA ameaça a soberania nacional. Somente 3,2% não souberam responder.
O resultado é semelhante ao obtido na sondagem de julho do ano passado, quando o Brasil sofreu a primeira taxação, com uma oscilação dentro da margem de erro.
Pix corre risco? Veja o que dizem os brasileiros
A maioria dos entrevistados também não acredita que o Pix corre risco diante da decisão de Donald Trump: 38,4% consideram que não há ameaça, enquanto 22,1% consideram pouca ameaça, 16% veem alguma ameaça e 19,7% apontam grave ameaça ao sistema de pagamentos. Somente 3,8% não souberam responder.
O caso dos vistos negados a autoridades americanas
A pesquisa é divulgada um dia após o governo brasileiro ter confirmado a decisão que negou a concessão de visto a duas autoridades norte-americanas. Sem entrar em detalhes sobre o tema, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que os agentes teriam sido enviados por Trump para "se intrometer" nas eleições brasileiras.
A informação sobre a negativa dos vistos havia sido antecipada pela agência Reuters. Segundo a publicação, os funcionários do governo norte-americano planejavam vir ao Brasil para colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro.
À Reuters, um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirmou que a informação era falsa e qualquer insinuação de que a viagem se trataria de uma 'manobra' para minar as eleições é uma mentira infundada.
O que os números dizem sobre a relação Brasil-EUA
Os dados da AtlasIntel/Bloomberg mostram que a percepção negativa sobre Trump cresce à medida que as tarifas impactam a economia brasileira. A queda de 4 pontos na avaliação positiva desde junho reflete um desgaste que atingiu o pico em abril de 2025, quando a rejeição chegou a 63,2%.
A maioria dos brasileiros não vê risco ao Pix, mas a divisão sobre a soberania nacional é quase equilibrada. Isso indica que a taxação americana é percebida de forma ambígua: para uns, é uma medida comercial; para outros, uma ameaça à autonomia do país.
A pesquisa também chega em um momento de tensão diplomática, marcado pela negativa de vistos a autoridades americanas e pela resposta do governo Lula. A fala do presidente sobre a "intromissão" de Trump nas eleições brasileiras adiciona mais um capítulo a essa relação conturbada.
Perguntas Frequentes
Qual a margem de erro da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg?
A margem de erro é estimada em 1 ponto percentual, para mais ou para menos. A pesquisa entrevistou 5.021 eleitores entre os dias 22 e 27 de julho.
Quantos brasileiros avaliam Trump negativamente?
57,4% dos entrevistados avaliam Trump negativamente, segundo a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg. Outros 35,3% manifestam opinião positiva e 7,5% não souberam avaliar.
O Pix corre risco com as tarifas de Trump?
A maioria dos brasileiros não acredita: 38,4% consideram que não há ameaça, enquanto 22,1% veem pouca ameaça. Apenas 19,7% apontam grave ameaça ao sistema de pagamentos.
O que motivou a piora na avaliação de Trump?
A pesquisa foi realizada 15 dias após a imposição de novas tarifas de 25% e da sobretaxa de 12,5% sobre exportações brasileiras, o que pode ter influenciado a percepção dos entrevistados.
Qual a avaliação sobre a soberania brasileira?
49,2% dos entrevistados não veem perigo na taxação, enquanto 47,7% concordam que a ação dos EUA ameaça a soberania nacional. Apenas 3,2% não souberam responder.
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