# Antes da economia, direita escolheu redução da maioridade penal para abrir a campanha

> A convenção da União Progressista em São Paulo definiu segurança pública como tema central da campanha de 2026, antes da economia. Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas defenderam a redução da maioridade penal e o endurecimento do sistema penal como prioridades da direita.

*Global Forum · Economia · 22 de julho de 2026 · Aisha Mbeki*

A convenção da União Progressista em São Paulo marcou a escolha da direita por segurança pública como tema central, antes mesmo da economia. Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas defenderam redução da maioridade penal e endurecimento do sistema penal para 2026.

## Segurança pública rouba a cena na abertura da campanha da direita

A convenção da federação União Progressista (União Brasil e PP), realizada nesta segunda-feira (20) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), deixou claro que a direita escolheu a segurança pública como tema principal para abrir a campanha de 2026. O evento, que oficializou candidaturas e apoios, teve como eixo comum nos discursos das principais lideranças a defesa de propostas de endurecimento penal, entre elas a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.

Mais do que apresentar resultados da gestão paulista, a convenção consolidou a segurança como uma das principais bandeiras da direita para a disputa eleitoral. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o candidato ao Senado Guilherme Derrite (PP) recorreram ao tema como elemento de diferenciação em relação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

### Flávio Bolsonaro coloca segurança no centro do plano de governo

O discurso não representa uma mudança de rumo, mas a consolidação de uma estratégia seguida desde o lançamento do plano de governo de Flávio Bolsonaro. Naquele documento, a segurança aparece como um dos pilares da campanha, com propostas como classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações terroristas, ampliar o uso de tecnologia no policiamento, endurecer o sistema penal e defender mudanças na legislação voltadas ao aumento das punições.

Na convenção, Flávio voltou a colocar essas medidas no centro de sua campanha. Ao citar Guilherme Derrite, afirmou que pretende levar para todo o país iniciativas implantadas em São Paulo, como o Smart Sampa e a Muralha Paulista, e reiterou a promessa de enquadrar as principais facções criminosas como organizações terroristas.

O senador também procurou estabelecer uma divisão clara entre sua candidatura e o governo federal ao afirmar que sua gestão adotará uma política de enfrentamento direto às organizações criminosas. A fala reforça uma narrativa construída desde a pré-campanha, na qual segurança pública ocupa espaço equivalente ao da pauta econômica.

### Tarcísio de Freitas usa indicadores paulistas como argumento eleitoral

Tarcísio adotou estratégia semelhante. Em vez de apresentar novas propostas, utilizou os indicadores da administração paulista como argumento eleitoral. Ao defender a candidatura de Guilherme Derrite ao Senado, atribuiu ao secretário resultados como a redução dos homicídios, dos roubos de carga e o avanço no combate à Cracolândia, transformando esses números em ativos políticos da campanha.

A presença de Derrite no centro da chapa também ajuda a explicar essa escolha. Ex-comandante da Rota e principal rosto da política de segurança do governo paulista, ele passa a representar, na disputa pelo Senado, a agenda de endurecimento penal defendida pelo grupo.

### Redução da maioridade penal volta como bandeira conservadora

Outro tema recorrente entre os participantes do evento foi a redução da maioridade penal. A proposta, que historicamente mobiliza o eleitorado conservador, voltou a ser apresentada como uma resposta ao aumento da violência e apareceu em diferentes discursos como uma das mudanças que dependeriam de uma nova composição do Congresso Nacional.

A insistência nesse ponto também dialoga com outro movimento observado nas pesquisas de opinião ao longo do último ano. Especialistas têm apontado que a percepção de insegurança, especialmente ligada a crimes patrimoniais, tende a influenciar mais o comportamento eleitoral do que indicadores gerais de violência. Temas como roubo de celulares, atuação do crime organizado e sensação de insegurança passaram a ocupar espaço crescente na disputa política.

### Impacto para o eleitor: o que muda na prática

Para o cidadão comum, a escolha da direita por segurança pública como tema central significa que a campanha de 2026 será marcada por debates sobre endurecimento penal, redução da maioridade penal e combate ao crime organizado. Isso pode influenciar diretamente a percepção de segurança no dia a dia, especialmente em relação a crimes patrimoniais como roubo de celulares.

A proposta de redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, se aprovada, afetaria adolescentes envolvidos em atos infracionais graves, transferindo a responsabilidade penal para o sistema prisional comum. Já a classificação de facções como organizações terroristas poderia ampliar ferramentas de investigação e punição.

### Segurança pública como eixo organizador da campanha

Nesse contexto, a segurança pública deixa de ser apenas um tema de governo e se transforma em eixo organizador da campanha da direita. Ao reunir Tarcísio, Flávio, Derrite, André do Prado e Ricardo Nunes no mesmo palanque, a convenção procurou apresentar um grupo que associa sua identidade política à promessa de endurecimento no combate ao crime, transformando essa agenda em um dos principais pontos de diferenciação para a eleição de 2026.

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## Perguntas Frequentes

### O que foi decidido na convenção da União Progressista?

A convenção oficializou candidaturas e apoios, mas o foco principal foi a defesa da segurança pública como bandeira central da campanha da direita para 2026.

### Quem são os principais nomes que defenderam a redução da maioridade penal?

Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Guilherme Derrite foram as principais lideranças a defender a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.

### A redução da maioridade penal já é uma proposta nova?

Não. A proposta é histórica e mobiliza o eleitorado conservador, mas voltou a ser apresentada como resposta ao aumento da violência.

### Como a segurança pública se compara à economia na campanha?

Na estratégia da direita, segurança pública ocupa espaço equivalente ao da pauta econômica, sendo usada como principal ponto de diferenciação em relação ao governo Lula.

### O que são Smart Sampa e Muralha Paulista?

São iniciativas de segurança implantadas em São Paulo que Flávio Bolsonaro prometeu levar para todo o país, focadas em tecnologia e monitoramento.

### Qual o impacto para o eleitor comum?

A campanha será marcada por debates sobre endurecimento penal, o que pode influenciar a percepção de segurança e a prioridade de votos em temas como combate ao crime organizado.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/antes-economia-direita-escolheu-reducao-maioridade-penal-abrir-campanha/
