# Assédio Eleitoral: Riscos para Empresas na Campanha

> Assédio eleitoral configura risco trabalhista e reputacional para empresas durante a campanha de 2026. A prática envolve pressão de superiores hierárquicos para influenciar votos, ultrapassando a linha entre discussão política e coação. Empresas devem implementar políticas claras, treinamentos e canais de denúncia para mitigar sanções legais e danos à imagem corporativa.

*Global Forum · Economia · 30 de agosto de 2026 · Renata Polônia*

Com a campanha eleitoral de 2026 em andamento, empresas enfrentam aumento de risco trabalhista e reputacional devido ao assédio eleitoral. Especialistas alertam para a linha tênue entre discussão política e pressão indevida, especialmente quando vinda de superiores hierárquicos, 

A campanha eleitoral de 2026 intensifica o alerta para as empresas sobre o risco de assédio eleitoral, uma prática que eleva passivos trabalhistas e prejudica a reputação corporativa. Especialistas apontam que a linha entre uma simples discussão política e uma pressão indevida, especialmente quando parte de um superior hierárquico e acompanhada de ameaças, pode ser tênue. A Resolução 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atualizada para 2026, proíbe explicitamente a propaganda e o assédio eleitoral em ambientes de trabalho, públicos e privados, estabelecendo responsabilização para quem praticar ou permitir a conduta.

"Empresa não é palanque", afirma a advogada Cláudia Securato, destacando que casos fáceis de identificar envolvem condicionar o emprego ao resultado das urnas ou à escolha do candidato, com ameaças diretas. Contudo, a zona delicada reside nas formas sutis de indução, onde a relação hierárquica pode transformar uma conversa aparentemente banal em um risco significativo. Thiago Shimada, especialista em mecanismos decisórios de lideranças, ressalta que a opinião de um líder possui peso distinto da de um colega devido à dependência econômica e ao poder de avaliação, promoção ou desligamento. O funcionário pode perceber que discordar da opinião política de um chefe pode ter um "custo", como perda de oportunidades ou mudança de tratamento.

O Ministério Público do Trabalho registrou um aumento expressivo nas denúncias de assédio eleitoral, com 3.370 em 2022, contra 219 em 2018. Para as eleições de 2026, TSE, TST e MPs firmaram acordo de cooperação para agilizar informações e ações conjuntas. Em São Paulo, uma carta conjunta contra o assédio eleitoral foi lançada. A Justiça do Trabalho já concedeu liminares, como no Amazonas, determinando que agências de desenvolvimento se abstenham de ameaçar ou constranger trabalhadores por suas escolhas políticas.

Barbara Silveira, advogada, define o assédio político-eleitoral como qualquer conduta relacionada ao trabalho que envolva pressão, constrangimento ou retaliação em razão do posicionamento político do trabalhador. Comportamentos como pressionar empregados a apoiar candidatos, distribuir material de campanha ou condicionar benefícios a posicionamentos políticos devem ser proibidos. Rodrigo da Costa Marques, gestor de relações trabalhistas, adiciona a restrição ao uso de e-mails corporativos, intranet e grupos de WhatsApp para fins de campanha. A empresa deve intervir quando o debate gera ofensas ou constrangimentos, mas não controlar as crenças individuais, pois o voto é livre e secreto. Para as empresas, é crucial incluir o tema nas políticas de ética, realizar treinamentos periódicos e manter canais confidenciais para denúncias. O treinamento deve focar em líderes, pois um diretor pode interpretar uma fala como exposição de opinião, enquanto um subordinado a vê como indicação de comportamento esperado.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/8220empresa-nao-palanque8221-assedio-eleitoral-trabalho-eleva-risco-empregadores/
