Residências artísticas dominam indústria da música: entenda
Harry Styles inicia residência de 30 shows no Madison Square Garden, tendência que domina a indústria. Entenda o modelo que une economia e experiências únicas.
Harry Styles subiu ao palco do Madison Square Garden, em Nova York, nesta quarta-feira (26), para a primeira de 30 apresentações de sua residência artística no local. O astro britânico de 32 anos protagoniza o exemplo mais ambicioso de uma tendência que domina a indústria dos shows: fazer mais apresentações em menos lugares.
As residências artísticas combinam economia de custos, com queda em transporte e combustível, e o desejo de criar espetáculos mais elaborados, segundo executivos do setor. "Temporadas mais longas permitem que os artistas criem experiências que simplesmente não são práticas quando a produção está constantemente em movimento", afirmou Omar Al-joulani, presidente da divisão de turnês da Live Nation. A empresa promoverá mais de 470 apresentações em formato de residência neste ano, a maioria em Las Vegas.
Na nova turnê, Styles fará 67 shows em apenas sete cidades. A pré-venda, iniciada em janeiro, gerou reclamações por preços acima de US$ 1.000, mas os ingressos se esgotaram. No ano passado, Bad Bunny fez 31 datas em Porto Rico; em 2024, Billy Joel encerrou dez anos no Madison Square Garden com 104 shows esgotados. Las Vegas, impulsionada por Celine Dion, que arrecadou US$ 660 milhões desde 2003, virou capital do entretenimento ao vivo, com a Sphere, arena de US$ 2,3 bilhões, elevando o padrão visual.
Para os fãs, o modelo tem custos. Muitos precisam viajar longas distâncias, mas dados da Live Nation mostram que 91% dos entrevistados já visitaram um destino por causa de um evento. Craig Church, fã de 38 anos, gastou cerca de US$ 10 mil em uma semana em Londres para ver Styles, incluindo US$ 4.400 ligados à turnê. "É pior para os fãs", disse Jonathan Daniel, da Crush Music, "mas nenhum artista pensa: 'como podemos tornar isso pior para os fãs?'".