# Dino devolve Andrei à PF: os 3 pontos da decisão

> Flávio Dino devolveu Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal e reintegrou Leandro Almada à corporação. A decisão do ministro do STF apontou três fundamentos: vícios processuais na exoneração original, risco concreto à continuidade de investigações sensíveis e ausência de motivação adequada no ato administrativo. A medida restabelece a estrutura anterior da PF.

*Global Forum · Economia · 09 de setembro de 2026 · Fábio Quaresma*

Flávio Dino devolveu Andrei Rodrigues ao comando da PF e reintegrou Leandro Almada. A decisão citou problemas processuais e risco às investigações. Veja os 3 pontos.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), devolveu Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (9). A decisão também reintegrou Leandro Almada da Costa à Diretoria de Inteligência Policial. Dino entendeu que o afastamento determinado por André Mendonça tinha problemas processuais e ameaçava investigações em curso no STF.

A fundamentação de Dino se concentrou em três pontos principais. O primeiro: o Novo, partido que pediu o afastamento, não teria legitimidade para requerer uma medida cautelar de natureza penal contra os delegados. Segundo: a controvérsia deveria ser examinada pelo plenário do Supremo, não por decisão monocrática. Terceiro: a retirada da cúpula da PF poderia comprometer diligências já autorizadas em processos sob relatoria de Dino.

O caso chegou a Dino por um pedido de Andrei dentro da investigação sobre recursos de emendas parlamentares destinados a empresas ligadas ao filme "Dark Horse". O diretor-geral argumentou que o afastamento interferia na organização da equipe, atrasava o acesso a material apreendido e dificultava as apurações.

Para Dino, um partido político não integra o grupo autorizado pelo Código de Processo Penal a requerer uma cautelar pessoal durante investigação criminal. Ele citou o artigo que permite esse tipo de medida às partes, à autoridade policial ou ao Ministério Público. A falta de legitimidade do Novo comprometeria a própria ordem de afastamento.

Dino também acrescentou um componente eleitoral: o Novo disputa a Presidência com Romeu Zema e tem interesse político direto na eleição em que Lula tenta a reeleição. Isso reforçaria a necessidade de separar a disputa partidária do processo penal.

O ministro questionou ainda qual instância do Supremo poderia decidir sobre o caso. Edson Fachin já havia aberto procedimento para examinar os relatórios da PF e solicitado explicações. Para Dino, a controvérsia passou à esfera do plenário. Ele lembrou que o próprio Mendonça já defendeu que questões relacionadas ao caso fossem analisadas pelo plenário, em sessão pública.

Outro ponto trata da posição de Mendonça no conflito: ele figura entre as autoridades chamadas por Fachin a prestar esclarecimentos. Dino questionou: "Uma parte pode ser juiz de si mesma?". Também mencionou informações sobre encontro de Mendonça com Daniel Vorcaro, sem antecipar conclusões, mas recomendando "moderação, equilíbrio e prudência".

O efeito do afastamento sobre outras investigações foi o argumento de urgência. Dino afirmou que a suspensão da Diretoria de Inteligência poderia afetar procedimentos sem relação direta com a controvérsia. Trabalhos de inteligência da PF são usados em investigações sobre organizações criminosas, corrupção, lavagem de dinheiro e atuação de agentes públicos. Uma restrição ampla alcançaria processos de diferentes magistrados.

Dino determinou que Lula assegure a volta imediata de Andrei e Almada. A ordem vale enquanto as medidas determinadas forem cumpridas. Ele proibiu novas cautelares contra os dois delegados baseadas exclusivamente em atos do exercício regular das funções. Investigação disciplinar continua permitida, com regras de competência e devido processo legal. A decisão será submetida ao plenário do STF, e a PGR deverá se manifestar depois.

entenda o papel do STF em investigações

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